O drama de uma infância
Maio 26, 2009 by Francisco Macongo
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Um menino de nome Francisco, escondido entre os dez escritos da ONU durante a guerra civil angolana
“Não existe presente sem passado e, passado sem historia”
Segundo as Nações Unidas, a infância é o período que vai desde o nascimento até aproximadamente o décimo-primeiro ano de vida de uma pessoa. É um período de grande desenvolvimento físico, marcado pelo gradual crescimento da altura e do peso da criança - especialmente nos primeiros três anos de vida e durante a puberdade. Mais do que isto, é um período onde o ser humano desenvolve-se psicologicamente, envolvendo graduais mudanças no comportamento da pessoa e na adquisição das bases de sua personalidade.
Angola é um país da costa ocidental da África, cujo território principal é limitado a norte e a leste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia, a sul pela Namíbia e a oeste pelo Oceano Atlântico. Possui na sua divisão política administrativa 18 Províncias em uma extensão de 1.246.700km²
Quase nenhum ou poucos são os países que passaram pelo que Angola passou. Quarenta anos de guerra quase contínua devastaram os serviços básicos de educação e saúde, contribuíram para uma das piores taxas de mortalidade infantil do mundo, paralisaram as capacidades e a produtividade e destruíram o tecido econômico e social nacional. Quase metade das crianças angolanas não vão à escola, 45 % sofrem de subnutrição crônica e um quarto das crianças morre antes de completar cinco anos. Esta era a realidade de um povo até o ano de 2002.
Imaginam só como pode ser a infância de alguém numa terra que passou por todas estas vicissitudes?
Nascido por volta do ano 1979, quatro anos depois da Republica de Angola ter conquistado a sua Independência Nacional, isto é em 1975, depois de ter passado por mais de 14 anos de luta Armada contra o colonialismo português.
Tão longe de se imaginar momentos felizes e prósperos para a vida das populações, o pais ficou mergulhado em um longo conflito armado, como conseqüência da guerra civil que desabrochou em 1975 entre os principais partidos de Angola, os anteriores movimentos de libertação, o que tornou a vida das populações em particular das crianças em um verdadeiro drama.
Francisco, o nome apelidado pela família, viu a luz do sol num campo de refugiados na vizinha Republica democrática do Congo, outrora Zaire, onde a sua família se encontrava refugiada a luz do já citado conflito armado que ocorria na sua pátria querida ”Angola”.

Apesar de passar por várias situações difíceis, ninguém consegue tirar a criança angola a vontade de viver e sonhar com um futuro melhor
Sem quaisquer condições humanas de vida, o menino começa a viver o drama de ser criado apenas pela mãe e os avôs, porque o pai foi servir o exército onde nunca mais retornou a família. Durante cinco anos, Francisco e toda a sua família viviam dependendo de ajuda das organizações humanitárias. A preocupação neste local era apenas a de satisfazer uma das necessidades básicas do homem: “a alimentação”.Uma alimentação desprovida de muitos dos nutrientes básicos, mas o importante era como se dizia “matar a fome”.
Longe de escolas, da assistência médica, dos medicamentos quase inexistentes e das condições de higiene, esse era o drama de muitas crianças, incluindo Francisco, que nasceram por aquelas paradas.
Passado dois anos, Francisco viu-se mais uma vez ser abandonado por aquele que as crianças mais estimam “mamãe”, passando a ser cuidado pela avó e pelos tios paternos. No campo de refugiados, a preocupação era apenas de sobrevivência O único direito da criança dos dez escritos em 20 de Novembro de 1959, pela ONU na Declaração dos Direitos da Criança, que era observada, naquele momento, era apenas o segundo que diz ”Toda criança tem direito a um nome e a uma nacionalidade e, tanto quanto possível, o direito de conhecer os pais e de ser educada por eles.”
O drama de Francisco terminou quando depois de um periodo de baixa tensão entre os confrontos militares a sua familia decide voltar a pátria querida. Foi ali que Francisco entrou na escola e começou a aprender o B+A = BA, isto quando tinha os sete anos de idade, realizando assim o sonho de toda criança, o de ter: “o direito a educação gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares.
Assim foi o drama vivido pelo Francisco, e que acreditamos ser o mesmo de muitas crianças por toda Angola fora até no ano de 2002, quando se assinaram os acordos de paz no país.
Hoje, com o advento da paz, existe uma preocupação das autoridades angolanas em cumprir com os dez direitos da criança descritas na Declaração dos Direitos da Criança. Apezar de ser ainda prematuro, pode se falar de uma infância feliz hoje em Angola, longe do drama vivido por Francisco.
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