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Humor musical do arquipélago

por
rufuxcv@hotmail.com
1 de November de 2008

Além de uma tradição, cada ritmo caboverdiano expressa o estado de espírito de um lugar que recebe a música do mundo e a traduz a sua maneira

blog9 Humor musical do arquipélago

Os ritmos caboverdianos formam verdadeiras crônicas sobre o quotidiano, o apego a terra, a vontade de sair e ter de ficar, ou o querer ficar, mas se ver obrigado a partir

Cabo Verde é um país africano constituído por 10 ilhas. Este arquipélago está localizado no Oceano Atlântico, 640 km a oeste de Dacar, Senegal, com uma população de 500 mil pessoas. Outros vizinhos próximos do país são a Mauritânia, a Gâmbia e a Guiné-Bissau, ou seja, todos na faixa costeira ocidental da África que vai do Cabo Branco às ilhas Bijagós. Foi descoberto por Portugal no século XV e é um arquipélago de origem vulcânica.

Ao longo da sua história, elaborou uma música tradicional de surpreendente vitalidade, recebendo, combinando, transformando e recriando elementos que acabaram por dar origem a gêneros com o gostinho caboverdiano. Os ritmos traduzem a nossa morabeza, alegria, tristezas, a esperança e o amor do povo caboverdiano e constituem antes de mais, verdadeiras crônicas que expressam o seu quotidiano, o apego a terra, a vontade de sair e ter de ficar, ou o querer ficar, mas se ver obrigado a partir.

Nas Ilhas de Santo Antão, São Nicolau, Santiago, Fogo e Brava, onde o homem cuida da terra que lhe dá o sustento, à custa de dificuldades, encontram-se músicas vezes tristes, vezes alegres. O colá-Boi, o guarda-pardal são músicas que mostram essa ligação do homem com a terra.

Para além dessas cantigas de trabalho ligadas à terra, existiam também, embora numa escala reduzida, Cantigas Marítimas que retratavam fielmente a fisionomia do caboverdiano; o gênero de ocupação e a sua dependência e ligação com o mar. As Cantigas de Ninar, outrora muito cantadas pelas avós, serviam para adormecer os netinhos.

Outro gênero cultivado em Cabo Verde com tendência para o esquecimento, diz respeito à geração infantil. Aqui encontramos as Cantigas de Roda e as Lengalengas cantadas, ou em forma de jogos rítmicos, com percussão corporal.

4063 Humor musical do arquipélago

Simentera:conjunto caboverdiano busca trazer o requinte da música caboverdiana para as próximas gerações

Além dessas, temos ainda as músicas de São Silvestre. No dia 31 de Dezembro, muito se via grupo de crianças com pandeiros na mão cantando “Sr são Silvestre manda’m bem li nesse casa/aqui nees casa do senho e da senhora…”. Iam de casa em casa cantando, e recebiam moedas ou doces e saiam felizes. Por volta das nove horas da noite elas se reuniam para contar e dividir entre eles o que conseguiram. Os adultos sempre saíam mais tarde. Com violões, chocalhos, cavaquinhos, lá iam de madrugada de porta em porta cantando Boas Festas pro senhor e pra senhora.
Infelizmente essas cantigas estão caindo no desaparecimento, pois hoje se vê isto como coisa fora de moda.

As crianças hoje sequer sabem fazer o pandeiro ou cantar uma dessas músicas e os adultos não se esforçam para passar essa tradição.

Felizmente a música comercial ainda não conseguiu suplantar a tradicional, que continua a ser composta e executada tendo muitos adeptos. Só o zouk das Antilhas tem conseguido penetrar no panorama musical caboverdiano, sofrendo algumas adaptações; mas é um gênero sentido como afim, por ser produzido por uma população semelhante à caboverdiana e cantado numa língua homóloga: o crioulo francês. Agora está a ser escrito também na versão caboverdiana. Além desta novidade, entre os gêneros tradicionais os mais difundidos atualmente são a morna, a coladera e o funaná, que pertencem ao gênero da canção popular.
Nos últimos quinze anos, os vários gêneros estão a perder os seus caracteres distintivos, também porque compositores e intérpretes, à procura de novas soluções musicais, tendem a contaminar a música tradicional com enxertos latino-americanos, sobretudo de zouk, mas também africanos, em particular angolanos.

Num recente passado estava ainda na moda certa música de dança de origem européia. Por exemplo, gozava de certa popularidade a mazurca, sobretudo numa variante local muito original. Mas também eram apreciados a contradança, o galope, o bolero, o tango, o samba e a valsa. Finalmente, a música popular portuguesa, mesmo contaminada com elementos africanos, tem influenciado alguns gêneros que sobrevivem esporadicamente nalgumas ilhas, como os relacionados com os ritos agrestes (bandera, rabolo e canizade no Fogo, por exemplo).

Fica aqui algumas pinceladas dos ritmos caboverdianos sujeito a criticas e sugestões.

 Humor musical do arquipélago

Rui Delgado

é caboverdiano e formou-se em direito no Brasil, local que escolheu para fixar raízes. Ele foi presidente da Associação de Estudantes Caboverdianos do RJ e é autor do blog Sintonia Caboverdiana.

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4 comentários

  1. Que legal o post!!!!!

  2. Piggy says:

    EITAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
    PENSEI QUE IA ENCONTRAR UM B LGO SIMPLESINHOOOOOOO

    PROMETO QUE VIREI COM MAIS CALMA PRA OLHAR ELE TODO!

    BJISSS

    http://transgressivas.blogspot.com/

  3. Francisco says:

    tá muito legal esse blog.

  4. Achei interessante ter um documento desses na internet,a música tradicional cabo-verdiana tem algo de interessante que muitas vezes passam despercebidos,assim torna mais fácil o conhecimento da nossa raís.
    Continuem sempre a fazer este trabalho.

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