Cabelo, cabeleira, cabeludo, descabelado…
Utilizar a mímica para entender o desejo de clientes estrangeiros é apenas uma das técnicas de dona Josefa, trançadeira do Pelourinho há cinco anos
BRASIL – Sexta-feira de sol e muito trabalho no Centro Histórico de Salvador. Ainda é final de inverno, mas o tempo bom faz a alegria de baianos e turistas. No Terreiro de Jesus, praça principal do Pelourinho, trabalhadores informais oferecem seus serviços a quem passa. São vendedores de café, bombons e artesanato, que disputam os fregueses como em uma corrida do ouro. O que chama mais atenção nessa mistura de atrativos, entretanto, é o número de trançadeiras. Estas são mulheres que fazem todos os tipos de penteado: implantes, tererês, tiaras e, claro, tranças.
Josefa Batista Santos é uma dessas profissionais de beleza, que bate ponto todos os dias na praça para conseguir um “trocadinho”, como ela mesma diz. Mas nem sempre foi assim. Antes de perceber seu talento para pentear e arrumar o cabelo alheio, dona Josefa já fez de tudo um pouco. Foi vendedora de picolé, costureira, cozinheira, auxiliar administrativa e de escritório e artesã, quando produzia bonecas de biscuit. Disposição ela tem de sobra. “Quando uma pessoa chega a certa idade, tem que se virar nos 30 para sobreviver”, ressalta, com a firmeza de quem já passou por muitas experiências de vida.
Com marido e um casal de filhos, a trançadeira acorda todos os dias às 5h30 da manhã, para chegar ao local de trabalho às 9h30. Se vale a pena tanto esforço? “No bairro que eu moro é muito difícil. Aqui é melhor para trabalhar, porque é um ponto turístico. Tem dias em que eu consigo muitos clientes, que vêm de todos os cantos do mundo”.
Nem mesmo as línguas estrangeiras impedem dona Josefa de entender o que as pessoas desejam. Toda a conversa é feita na base da mímica. Apesar de quase sempre funcionar, às vezes confunde mais ainda. “Uma vez, eu quase perdi uma cliente, porque estava tentando dizer o preço, mas ela entendeu errado. Achou que fosse mais caro”, lembra. Felizmente, um pouco de paciência ajudou a solucionar o problema.
Dona Josefa é trançadeira há pouco mais de cinco anos e guarda todos os penteados que fez em fotografias expostas no local. Ela não se lembra de ninguém que tenha reclamado do trabalho. “Dá pra saber quando a pessoa gosta, porque ela abre logo o sorrisão, mas na linguagem dela. Isso aqui é um recheio de nacionalidades, é cada língua engraçada!”.
Thaís Seixas é brasileira, nasceu na Bahia e escolheu o jornalismo como profissão.
POLÍTICA DE COMENTÁRIOS
- Colabore com a democracia e mantenha o bom nível do debate. Exerça a liberdade de expressão com responsabilidade.- Comentários sem identificação serão apagados. Prática de SPAM,ofensas, xingamentos, demonstrações de racismo ou intolerância religiosa, racial ou política também. O contraditório é garantido e ansiosamente aguardado, desde que ele seja bem usado.












Digg
Salve no delicious
Envie para o Stumble

























Que bacana, demonstra como o povo Brasileiro é criativo…
Mais uma vez estamos sendo brindados com um texto interessante de Thaís Seixas, abordando o cotidiano de “pessoas do povo” residentes em Salvador/BA.
A simplicidade e bom humor com que os personagens apresentados pela jornalista “levam a vida”, servem para demonstrar como é possível ser feliz com muito pouco, bastando gostar do que se faz.
Aproveito a oportunidade para pedir a efetivação da colunista nesta revista, possibilitando-lhe apresentar-nos, semanalmente, novos personagens da rica história do povo baiano.
Parabéns!
Não tem aquele anúncio, do “Sou brasileiro e não desisto nunca”?
Pois é, se não nos dão chance de “ser alguém na vida” de modo decente, com educação de qualidade e salários dignos, a gente dá um jeito, se vira… e é por isso que não há intenção de investimento em melhorias para o povo… é um eterno círculo…
Isso coloca por terra aquela máxima de que espera sempre alcança, o mundo é de quem corre atrás.
Aqui no Brasil têm muitas mulheres de garra como a Dona Josefa.
Adorei a matéria da jornalista Thaís Seixas. Mais uma vez me encanta a maneira como ela apresenta o cotidiano dessas figuras populares de nossa terra.
Parabéns Thaís!!!!!
Blog diferente
pois é, como disseram , nosso povo é criativo demais…boa matéria!
A língua não pode fazer a cabeça da gente…
Valem os sorrisos e as mímicas mesmo.
Bonitos nós recebendo os gringos;
Bonitos nós da trançadeira.
Bonito é o meu povo que se orgulha de ser o que é, e meu país se torna então meu cálice de esperança.
Adoro passar aqui.O Brasil ,de longe,é o pais que possui o melhor povo do mundo, cheio de personagens incriveis.
Esse é o retrato do nosso Brasil, de mulheres que lutam todos os dias para sustentar suas famílias e filhos e não reclamam de nada….fazem tudo pela família e são felizes do jeito que são!
adorei a matéria!
abraços