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África: o passado e o presente

por
fchocolate@hotmail.com
25 de May de 2010

No dia da Libertação da África, O Patifúndio! abre espaço para a memória de um momento importante para a construção do pan-africanismo na África de língua portuguesa: o surgimento do 25 de Maio,  dia da Unidade Africana

africawoman 300x177 África: o passado e o presenteO término da Segunda Guerra Mundial em 1945, com a derrota dos regimes autoritários, criou condições para o início do processo de descolonização das colônias européias na África e na Ásia. Esses ventos favoráveis às reivindicações de liberdade que sopravam pelo mundo atingiram o continente “Berço da Humanidade” e proporcionaram o surgimento de alguns movimentos em prol da libertação dos povos africanos sob jugo colonial.

Assim no dia 25 de Maio de 1963 reuniram-se em Addis Abeba (Etiópia) 32 Chefes de Estado africanos com idéias adversas à subordinação, tortura a que o continente estava sendo amordaçado durante séculos (colonialismo, neocolonialismo e “partilha da África”) para se formar a Organização de Unidade Africana (OUA), em carta assinada por 32 estados africanos já independentes na altura. O ato constituiu-se no maior compromisso político dos líderes africanos, que visou à aceleração do fim da colonização do continente. Pela importância daquele momento, o 25 de Maio foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas), em
1972, Dia da Libertação de África.

A criação da OUA (Organização da Unidade Africana) demonstrou os interesses dos povos africanos em se manterem num corpo único, capaz de responder, de forma organizada e solidária, aos múltiplos desafios com que se defrontavam para se coligar interesses comuns na solução dos inúmeros problemas que se deparavam e como via fundamental para criação de condições “necessárias à construção do futuro dos filhos de África” SILVA (2010) . Assim, na agenda política da então organização criada, foram eleitas como tarefas prioritárias as seguintes:

1- A libertação do continente do jugo colonial, pois, no momento da criação da OUA apenas 32 dos 54 estados que compõem o continente berço eram livres do regime colonial, ou seja, tinham conquistado ou alcançado a sua independência;

2- O derrube do regime segregacionista do Apartheid, durante anos em vigor na África do Sul, que separava os brancos sendo a minoraria franja populacional de um lado e, os negros que representavam a maior parte da população do outro, sem qualquer possibilidades de contato.

Infelizmente, a OUA, não foi capaz de cumprir com os principais objetivos pela qual foi criada. Mostrou-se incapaz de resolver os conflitos surgidos continuamente em toda parte do continente, em particular para os golpes de estado que se tornaram uma prática, as guerras civis que caracterizaram o continente fazendo surgir com isso, um número considerável de refugiados, órfãos deslocados, com o agravante da pobreza que se instalar em boa parte dos países da união fruto das constantes guerras e da má distribuição da renda.

Por esse motivo, no dia 12 Julho de 2002, em Durban, o então presidente da OUA, o sul-africano Thabo Mbeki, proclamou solenemente a dissolução da organização e o nascimento da União Africana, como necessidade de se fazer face aos desafios com que o continente se defrontava, perante as mudanças sociais, econômicas e políticas que se faziam sentir em toda parte do mundo. Não obstante, a essa mudança de denominação, “resolveu-se manter a comemoração do Dia de África a 25 de Maio, para lembrar o ponto de partida, a trajetória e o que resta para se chegar à meta de “uma África unida e forte”, capaz de concretizar os sonhos de “liberdade, igualdade, justiça e dignidade” dos fundadores” SILVA (2010).

Contudo, se mantém como objetivo principal da UA (União Africana) “a unidade e solidariedade entre os países e povos de África, defender a soberania, integridade territorial e independência dos seus Estados membros e acelerar a integração política e socioeconômica do continente, para realizar o sonho dos “pioneiros”, que em 1963 criaram a OUA” SILVA (2010).
Dos 54 estados africanos, 53 são membros da nova organização: Marrocos se afastou voluntariamente em 1985, em sinal de protesto pela admissão da auto-proclamada República Árabe Saharaui, reconhecida pela OUA em 1982. No geral, os governos africanos são repúblicas presidencialistas, com exceção de três monarquias existentes no continente: Leshoto, Marrocos e Swazilândia.

O Continente africano tem aproximadamente 30,27 milhões de quilômetros quadrados de terra. Ao norte é banhado pelo Mar Mediterrâneo, ao leste pelas águas do oceano Índico e a oeste pelo oceano Atlântico. O sul do continente africano é banhado pelo encontro das águas destes dois oceanos.

É o segundo continente mais populoso do Mundo (depois da Ásia), com aproximadamente 800 milhões de habitantes. Basicamente agrário, pois cerca de 60 por cento da população habita no meio rural, enquanto somente 37 % moram em cidades. No geral, é um continente que apresenta baixos índices de desenvolvimento econômico.

 África: o passado e o presente

Francisco Macongo

é angolano, mora no Brasil e é mestrando em Psicopedagogia na UNIFIEO, em Osasco, cidade da região metropolitana de São Paulo.

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4 comentários

  1. A África enfrenta muitas dificuldades devido a tardia conquista da indepência. Torço e acredito que no futuro esse continente vai prosperar e superar seus problemas. Um grande abraço ao continente negro!

  2. Marília says:

    Olá! Meu nome é Marília Peixoto, sou brasileira, professora de História e moro em Zagreb na Croácia. Encontrei este site quando estava pesquisando sobre a África Lusófona. Comecei a ensinar uma disciplina com este nome aqui e estou encantada com a rica história africana! É uma pena que eu tenha aprendido tão pouco na escola, mas fico feliz que agora eu tenha esta possibilidade de aprender mais e que seja obrigatório o ensino da História Africana nas escolas brasileiras!
    Gostaria de elogiar o trabalho de vocês! Parabéns!
    Espero que possamos trocar informações!
    Abraço,
    Marília

  3. Olá Pessoal, Meu Nome é Monteiro Guilherme, vivo na província do Zaire, dizer que a Áfria vive enormes problemas que inflingem a sociedade, problemas estes causados por próprios dirigentes africanos que tratam do continente africano como sendo uma propriedade privada. penso que já é momento de nos libertarem deste foco. Até porque o mundo já reconhceu as grandes victorias q o continente vem proporcionando ao longos dos 500 anos de colonização que foi submentido ao jugo colonial.

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