Eduardo Mondlane: herói de Moçambique
É inevitável que em qualquer página da internet os assuntos ligados a Brasil e Portugal dominem a maioria dos cuidados e atenções de todos, mas para mim é uma falha que em nenhum canto do Patifúndio tenha ainda eu visto qualquer destaque a esta importante figura da luta pela independência de Moçambique – Eduardo Mondlane. E isso é realmente um pecado, pois os PALOP devem ter orgulho de sua história, principalmente e fundamentalmente pelo fato de terem conquistado suas independências por meio da luta e do sofrimento. O resto da África francesa, inglesa, etc, com exceção da Argélia, ganhou sua independência de mãos dadas – é importante que se saliente isso.
Há no Youtube um documentário excelente – porém bem extenso – por isso, é necessário tempo e calma para apreciar todos seus capítulos. Seu nome é A “GUERRA” (subtítulo: colonial – do ultramar – de libertação), e neste documentário explora-se um importante ponto de cultivo do pensamento independentista em todas as ex-colônias, que se liga à formação pessoal de Mondlane: o gradual estabelecimento de missões protestantes, que tinham uma agenda bem diferente e via aquele mundo colonial de uma perspectiva diferente da velha igreja católica e dos portugueses estabelecidos há tempos naquelas terras. Certamente, não só com Mondlane, mas com muitos outros africanos, realizou uma verdadeira revolução em suas consciências, levando-os a pensar melhor sobre a realidade colonial.
Eduardo Chivambo Mondlane nasceu em Manjacaze, província de Gaza, Moçambique, em 1920. Foi o quarto de dezesseis filhos de um chefe local da etnia Tsonga. Trabalhando na infância como pastor, entrou para uma missão dirigida por padres presbiterianos suíços. Foi terminar os estudos no Transvaal, África do Sul, mas foi expulso por volta de 1949 durante as primeiras revoltas contra o nascente regime de Apartheid sul africano. Em 1950, entra para a universidade de Lisboa, pedindo logo depois transferência para o Oberlin College, em Oberlin, Ohio, nos Estados Unidos. Ali forma-se em antropologia e sociologia.
Depois de mais alguns anos aperfeiçoando-se academicamente, torna-se oficial das Nações Unidas, sendo um dos mais importantes conselheiros de Salazar. Foram-lhe oferecidos cargos na administração colonial moçambicana, mas sabiamente, recusa-os. O ponto culminante de sua vida e carreira chega em 1962, onde com cerca de 42 anos é eleito o líder da então recém-formada FRELIMO, partido que lutaria pela libertação de Moçambique. É interessante notar que os outros importantes líderes do partido à época tinham pouco mais que 20 anos.
Ante à insistente recusa portuguesa de discutir a independência, a FRELIMO parte para a luta armada com Mondlane como líder, aquartelado em Dar-es-Salaam (a antiga capital da Tanzânia). Apoiado e fomentado por Julius Nyerere, o emblemático presidente daquele país vizinho, em 1968 a FRELIMO assume a ideologia socialista, defendida desde o primeiro momento por Mondlane. A facção não-socialista do partido iria formar mais tarde, nos anos pós-independência a RENAMO.
Sua morte é um episódio vergonhoso da Guerra Colonial portuguesa, um verdadeiro golpe sujo. Uma bomba plantada em um livro, por membros da PIDE/DGS, a polícia política portuguesa, é enviada a Mondlane, matando-o, em Dar-es-Salaam, a 3 de fevereiro de 1969. Há certa especulação de que tenha sido um atentado praticado por membros da facção não-socialista da FRELIMO. Porém, a versão de que tenha sido mesmo um ato criminoso da PIDE é ainda aquela a mais aceitável.
Sua memória, bem como a de Amílcar Cabral e de Agostinho Neto devem ser cultivadas, pois são líderes africanos verdadeiros, lutaram para tornar seus países independentes. O continente africano tem Mandela, Nyerere, Kenyatta e Sekou Touré. Mas todos que lerem isto, é hora de conscientizar-se de que Mondlane, Neto e Cabral talvez sejam mais importantes que estes todos.
http://www.youtube.com/watch?v=RWcOy-VNBCc&feature=related – Documentário A “GUERRA”, produzido pela RTP – com bastante informações sobre Mondlane, e em especial sobre a frente moçambicana da guerra Colonial/de Libertação.
Tags: colonização, Eduardo Mondlane, FRELIMO, independência moçambicanaPOLÍTICA DE COMENTÁRIOS
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Olá Emerson, gostei muito do teu artigo. Acho que devemos sempre relembrar os grandes personagens da história e mostrar a sua importância. Para nós brasileiros é essencial também sabermos quanta garra e força tiveram e tem nossos ancestrais africanos. Somos muito próximos, temos muitas semelhanças mas de certa forma negamos isto. Quanto mais nos aproximarmos de nosso passado, mais consciente ficaremos da nossa origem e assim poderemos assumir uma melhor identidade.
Abraço,
Marília
Por aquilo que eu entendo,acho mesmo que o atentado foi executado
pela pide ,pois como tenho o curso de minas e armadilhas e fui furriel miliciano em Nancatari perto de Mueda Moçambique,tenho conhecimento de vários tipos de armadilhas e esta da carta fazia parte do manual.
Joaquim Dias
ex.furriel milic.c.caç4153
a sua morte é muito duvidosa,há pouco tempo o antigo presidente e Moçambique, Joaquim Chissano,na altura do atentado seu secretario particular.Confirmou que a sua morte aconteceu (ao contrario do que a versao oficial do partido), que teria falecido nun cafe que frequentava, propriedade de uma amiga da sua mulher e nao nos escritorios da frelimo em dar-es-salam…ainda hoje os manuais escolares continuam com este embuste,porque???
“Não existe o Africano, mas sim o Ser Humano!
Assim como não existe o Europeu, o Asiático ou o Latino-americano”
- Roberto Moreno, fundador da Fundação Geolíngua – geo@geolingua.org
“A minha pátria é a língua portuguesa.” – Fernando Pessoa
“Tenho uma pátria: a língua francesa.” – Albert Camus
“A Fé Bahai é um consolo para a humanidade” – Mahatma Ghandi
“O Mundo é um só País e o Ser Humano, o seu cidadão”
“Haverá no mundo um idioma universal auxiliar, além do materno…”
“Religião sem ciência é superstição; Ciência sem religião é materialismo”
- Bahai (o ultimo profeta – 1892)
O comentário do Roberto Moreno, por si só, vai além do conteúdo da matéria. Sua colaboração acima escrita, em resumo, já é um valioso depoimento. Sim, somos todos irmãos.
Abraços. José Perea Martins. Bauru.São Paulo. Brasil