ANGOLA» TRAÇOS CULTURAIS

Manual do cafajeste

por Sandra Ugrin
sandraugrin@opatifundio.com
17 de August de 2008
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Típica balada, lotada de estrangeiros, em Luanda, capital de Angola.

Típica balada, lotada de estrangeiros, em Luanda, capital de Angola.

ANGOLA – Luanda é o paraíso dos homens desesperados, sim! São muitos os estrangeiros casados que vêm pra cá e largam mulheres e filhos em casa. Uma vez aqui sozinhos, sem ninguém para dar satisfação, eles começam a achar que estão no paraíso. No melhor estilo “não existe pecado do lado debaixo do equador”.

É muito comum a gente ouvir o seguinte comentário “O que se faz em Angola, morre em Angola”, como se a sua consciência não te acompanha-se a onde quer que você fosse. Mas enfim, isso são outros quinhentos, afinal de contas cada um sabe da sua vida e principalmente sabe o valor do que tem em casa para colocar em risco.

Aqui como existem muito mais homens do que mulheres entre os estrangeiros é inevitável que a gente conviva muito com eles e faça um curso intensivo no manual do cafajeste. Sim, aquele que todas nós sabemos que existe, mas insistimos em achar que só o namorado das outras é que usam e que com a gente sempre vai ser diferente.

Caras casados que vão para a balada todos os dias e catam qualquer tipo de candanga que encontram pela frente, caras casados que pagam de namoradinho como se vivessem em um mundo paralelo, caras casados que moram com outras aqui. Casados, casados e mais casados que vivem as noites como adolescentes inconseqüentes e se refestelam na manhã seguinte contando vantagens sem o menor respeito pela mãe dos seus filhos ou mesmo pela conquista da noite passada.

As histórias que eu ouço são tão absurdas que eu me pergunto se isso realmente existe ou é alguma espécie de show de Truman.

Outro dia estava na praia e encontrei um português que havia casado há menos de 15 dias, ele estava na praia com a namoradinha angolana. Depois fiquei sabendo de um outro cara que namorava com uma angolana a 5 anos e levava ela para passar as férias no apartamento de veraneio da família dele, o mesmo que ele passava com a mulher e os filhos! (Alguém pode me dizer se eu estou ficando louca?)

Não sou nenhuma santa e nem espero fidelidade absoluta por aqui, mas, gente, será que eu sou muito púdica ou as pessoas perderam de vez a noção do certo e do errado? Onde e que foi parar a lealdade.

Com o passar dos dias aqui, a gente começa a perder a referência do que é certo e errado, do que é moral e imoral, do que é bom ou ruim e do que é ser leal ou desleal.

Eu só espero que a minha aliança honesta em Luanda volte logo…

angola Manual do cafajesteSandra Ugrin é brasileira e trabalha em Luanda na área de marketing com inteligência de mercado. Para saber desta e de outras histórias, acesse o blog Menina de Angola.

Sandra:
é brasileira e trabalha em Luanda na área de marketing com inteligência de mercado. Para saber desta e de outras histórias, acesse o blog Menina de Angola.
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7 comentários

  1. Fabíola says:

    As pessoas sabem o que é certo e errado, sim. No entanto, sua falta de caráter fa com que façaz vistas grossas para verdade.

  2. Marcos says:

    Os conceitos de certo e errado são bem relativos. Mas há circunstâncias indiscutivelmente inadimissíveis, como a prostituição de crianças e adolescentes. O que me preocupa bastante é o fato destes “gringos” iludirem as pobres meninas ingênuas. Quando elas abrem os olhos, é um mundo totalmente diferente, de exploração e abuso. Enquanto a gente não criar o conceito de que o certo é cultivar turistas honestos e responsáveis, turistas interesseiros, irresponsáveis e criminosos vão continuar cometendo atrocidades com as mulheres vítimas de tais situações. Devemos abrir os olhos e ver que nem todo turista traz só lucro. Grande parte só traz infelicidade e injustiça.

  3. Patrycia says:

    Eis que a lealdade tirou férias em Luanda… É aquele ditado “a ocasião faz o ladrão.”

    E nem vamos tão longe. Isso acontece aqui mesmo, no Brasil, na mesma cidade. Para ser deleal não é preciso ir para tão longe. A sensação de impunidade e de que ninguém irá descobrir aguça esse tipo de comportamento.

  4. Jaquielio says:

    Acho o patifundio sensacional…um layout incrível..Parabéns ás pessoas envolvidas nele….quanto a post, adoraria conhecer essas baladas em Luanda

  5. Franciane says:

    muito bom o texto…..apesar de estar aqui apenas três meses, digo que é um retrato perfeito da balada em luanda!

  6. Sergio Paiva says:

    Posso discordar?

    Eu sou brasileiro e trabalho em Luanda, minha familia está em São Paulo e aqui saio nos finais de semana com amigos que moram aqui comigo e nunca saimos buscando aventuras, sejam quais forem, tanto que retornamos sempre ainda durante o dia.

    Sérgio

  7. Augusto says:

    Olá Sandra,

    Gostei muito do seu blog. Sou brasileiro e recebi um convite para trabalhar em Angola, porém estou assustado com o alto custo de vida que verifiquei pela Internert. Gostaria de saber se realmente compensa largar um emprego com um salário médio de US$ 1.500 no Brasil por um de US$ 5.000 em Luanda.
    Ficaria muito grato pela sua opinião, ou se puder indicar alguém com quem possa tirar essa dúvida.

    Abraço,

    Augusto.

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