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Morreu o Major Ular

por
macarrascalao@myself.com
22 de February de 2010

Oficial das F-FDTL, um dos históricos da Resistência e antigo comandante da Região 4 nos tempos da guerrilha contra a Indonésia


general ular 300x177 Morreu o Major UlarO major Ular era um oficial de estirpe; sempre discreto, conciliador, afável, sempre com um sorriso tímido nos lábios; amigo de uma boa conversa, quando, em roda de amigos de outros tempos, esta se soltava, gostava de contar histórias interessantes da guerrilha, da profunda ligação entre as populações e os guerrilheiros, do sofrimento das gentes sempre prontas para defender os “seus” guerrilheiros das garras do ocupante e na busca da melhor forma de o enganar… Mas, raramente falava do seu próprio sofrimento…

Nunca se referia ao facto de ter perdido, durante os tempos da ocupação, os irmãos e a sua primeira mulher que, grávida, foi, em Craras, barbaramente assassinada (com requintes de malvadez) pelos indonésios.
O seu amor pela terra reflecte-se no pequeno jardim cuidado ao pormenor e cultivado com esmero defronte da sua casa no Quartel-General das F-FDTL em Taci Tolu.
O seu carácter afável e conciliador fazia dele um mediador nato e, por isso mesmo, era sempre enviado para resolver os problemas difíceis de que é exemplo recente a intervenção junto de Gastão Salsinha – um dos homens de Alfredo Reinado – de que resultou a entrega deste ao Comando Conjunto.
De seu nome cristão Vergílio dos Anjos, o Major Ular (nome de guerrilha) era natural de Viqueque e um exemplo de que os timorenses sabem superar as suas diferenças e surgir unidos quando está em causa a defesa do seu país. É que o major Ular era um simpatizante da UDT e do Movimento de Onze de Agosto que, em 1975, opôs a UDT (União Democrática Timorense) à FRETILIN (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente). Logo a seguir à invasão indonésia, refugiou-se nas matas e integrou-se “sem problemas”, como gostava de frisar, nas FALINTIL, quando estas forças constituíam o braço armado da FRETILIN. Isto porque, como dizia, “estava em causa a sobrevivência da Nação. Era importante esquecer as simpatias partidárias”.
Que grande lição de nacionalismo!  Rendo-lhe a minha sentida homenagem.

 Morreu o Major Ular

Ângela Carrascalão

é timorense, autora do livro "Timor: os anos da resistência" e assina o blog Timor 2006.

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1 comentário

  1. manuela paixao says:

    Cara Angela, adorei o que li seu nesta ediçao. O poema era lindo. Gostaria de poder entrar em contacto directo consigo, visitei jacarta quando dos combates com a comuidade chinesa. Fiquei duas semanas, um momento muito interessante para mim poder ter la estado. Consegui como enviada do Diario de Noticias entrevistar Ali Alatas sobre Timor Leste e visitei e entrevistei Xanana Gusmao na prisao. A primeira e unica jornalista portuguesa a entrar naquela prisao e a ter uma exclusiva com ele.
    Trabalho tambem para ESPORO, a versao em portugues da revista SPORE, financiada pela UE e sobre os projectos de desenvolvimento agricola, pesca, problemas de agua nos paizes de lingua portuguesa. Gostaria de colaborar conosco?
    Um abraço
    Manuela Paixao
    (cell+351 918652347

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