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Trabalho livre, escravidão e racismo

por
maryfpolis@gmail.com
3 de January de 2010

escravidao 300x177 Trabalho livre, escravidão e racismoA esfera onde se inserem os trabalhadores negros no Brasil é cercada de preconceitos raciais demonstrados, dentre vários outros aspectos, no difícil acesso ao mercado de trabalho e os salários inferiores com relação aos trabalhadores brancos.
Porém nada é comparável ao terror da escravidão vivido nestas terras. Por mais penosa que a realidade do trabalho livre dos indivíduos negros se apresente, a escravidão configura-se como uma das maiores barbáries da história.
Falar de racismo nestes dois mundos me parece um retrocesso. Entendo que no meu ponto de vista o preconceito racial atual se mostra mais agressivo do que nos anos de escravidão. Explico: se durante os séculos de escravidão os africanos e afro-descendentes eram tratados cotidianamente e legalmente como coisas e objetos de compra e venda onde se configuravam como propriedades de senhores brancos, sofriam o preconceito de maneira clara e aberta devido, entendo eu, a sua posição social inferior de servo. O preconceito existia explicitamente numa sociedade com um abismo social que de um lado estavam os escravos, que eram donos de somente sua força de trabalho, e de outro os grandes fazendeiros brancos, posicionados em um lugar privilegiado desta sociedade
Século XXI e nossa constituição diz que “todos são iguais perante a lei” ao mesmo tempo em que o racismo se configura como crime. Algo aqui não se encaixa direito, não era para sermos iguais? Alguém não se sente e não é tratado como tal. E, infelizmente, é a mais pura verdade. Estamos cercados de discursos de inclusão social, de anti-racismo…só não enxergo muita prática no meio de tanta teoria. Mais do que discursos e palavras o que é muito mais evidente são os olhares de reprovação lançados pelos que se sentem como “novos senhores”, donos de uma autoridade e superioridade que inflam seu ego a ponto de se sentirem em algum pedestal que só eles próprios enxergam e só à ele servem. É um racismo velado, escondido que afirmam de pé junto não serem donos.
Parece difícil “senhores e escravos” sentarem na mesma sala de aula e serem colegas de trabalho.
Mais vale a verdade, mesmo dura, do que a falsidade e a arrogância infantil dos “novos senhores”.

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11 comentários

  1. Excelente texto de Mariana Ouriques.
    Parabéns pela escolha.
    Paz.Sempre,Paz.

  2. Infelizmente o preconceito racial está enraizado na sociedade mundial, que muitas vezes cre que a cor da pele faz toda a diferença. É uma estupidez que deve ser combatida diarimente através da integração social e da educação. Abraços.

  3. O preconceito pode ser motivado por um sentimento xenófobo que visa a defesa coletiva contra a tentativa de seres inferiores galgarem um lugar. Muitas das vezes os "novos senhores", como você se referiu, está presente na classe média que segue uma tendência coletiva de defesa contra os seres inferiores.
    Não é declarado. Não é cruel. É apenas preconceito, como o que existe no eixo São Paulo – Sul, onde os descendentes de europeus se julgam melhores do que os negros nordestinos pobres que vivem à margem da sociedade, em favelas e bairros da periferia. Ninguém os mata nem fere. Pelo contrário, os novos senhores até participam de ações sociais e fazem "caridade". Desde que estes "se comportem bem".
    Mas os novos escravos não podem aspirar nada melhor. São olhados como seres inferiores sem nenhuma capacidade intelectual. Não merecem nem devem ter nenhuma chance.

  4. Alinho os meus aos elogios à matéria.

    Chegamos a um ponto em que a escravidão está se tornando livre.

    Ou seja, é o escravo que se sente induzido a se escravizar, endividando-se, a mente controlada pela ordem ideológica de comprar, consumir, gastar, esgotar-se.

    Há um racismo contra os pobres e moreninhos em geral: suas organizações são demonizadas, o Haiti foi castigado pelos deuses brancos por sua feitiçaria e vai por aí.

    Os novos senhores são, no fim das contas, os velhos fascistas de sempre!

  5. Ana Maria says:

    Esse preconceito é veladíssimo de uma forma muito estranha mesmo.
    Sou descendente de portugues,indio e negro. No entanto, mesmo dentro de minha familia essa miscigenação nunca foi tratada, discutida, ou considerada. Tenho sobrinhos ” brancos” que ao ser levantada essa questão de raça, sob um espanto enorme, não querem reconhecer o que é óbvio. Quando afirmo minhas características negra, a grande maioria se sente incrédula.
    Minha avó, evidentemente de ascendencia negra, referia-se aos demais negros como : ” aquele negrinho fedorento”.!
    Em minha educação, faltou tratar essa questão com a dignidade que o assunto merece, inclusive fazendo-me includente.
    Durante muito tempo, nao me senti ” parte” e ao receber convites para participar de atividades referente ao ” afro brasileiro”, sentia-me estranha, sem saber o porquê do convite.
    Meu pai, um belíssimo ” mulato” adorava que meus irmãos escolhesssem namoradas loiras, bem claras, porque , sengundo ele, estariam ” enobrecendo” a familia.
    OOOOOOOOpa! estrnho tudo isso, não é?
    Hoje tenho um filho psicólogo que trata as diferenças, de qualquer nível, como particularidades ricas que deem ser respeitadas.
    Parece que algo esta mudando na familia, afinal!

  6. Infelizmente o preconceito racial está enraizado na sociedade mundial, que muitas vezes cre que a cor da pele faz toda a diferença. É uma estupidez que deve ser combatida diarimente através da integração social e da educação. Abraços.

  7. Belas palavras.
    Infelizmente, o racismo é uma coisa antiga que existe entre nós e creio que não vá sumir nunca.

  8. Custódio Fernando says:

    Texto magnífico, palavras acertadas em momento certo.

    Parabes a autora.

  9. Emanuel says:

    senmpre senti que estas pessoas, sao injustiçadas pois tem os mesmos direitos que os outros e nada e ninguem deve retirar-lhe os seus direitos

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