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Estereótipos

por
acp-anacris_pires@hotmail.com
22 de October de 2009

Uma simples palavra, mas que acarreta tantos desentendimentos entre portugueses e brasileiros

estereotipos Estereótipos

Todos já ouvimos ou proferimos alguns estereótipos, não vale à pena negar, mas por mais que um grupo tenha características em comum, isso não quer dizer que todos os membros daquele grupo sejam iguais. Cada cultura tem a sua forma de ver as coisas e cada subcultura dentro da cultura dominante tem as suas características específicas, logo não se pode generalizar nada, como disse Einstein, e muito bem, “tudo é relativo”. Isto porque toda e qualquer suposição feita sobre algo ou alguém está dependente daquilo com que é comparada e daquilo que é a mundividência de cada um.
Nas fotos podemos ver oito jovens portugueses e brasileiros, cada um deles de uma forma ou de outra já teve que lidar com o estigma de algum estereótipo, fosse pela cor da sua pele, pela sua nacionalidade, pela sua orientação sexual, pelos seus gostos musicais ou simplesmente por em determinada altura fazer algo que não estava em pleno acordo com a opinião da maioria. Contudo, algo que é comum a todos eles é a repudia dos estereótipos, já que são eles que fomentam os preconceitos que tanto atrasam o desenvolvimento humano em termos sociais, tal como afirma Carla Flores, uma das jovens das fotografias.

“Os estereótipos existem, é óbvio. Podem ser negativos ou positivos, mas não passam do que são! As pessoas não são títulos, nacionalidades, orientações sexuais, raças, profissões ou formas de vestir… Há uma essência inerente a cada identidade e a cada personalidade. Esta tem de se sobrepor a todo o tipo de estereótipos. Quando conseguirmos fazer com que isso aconteça, ultrapassaremos todas as barreiras dos nossos sonhos, faremos com que esqueçam os estereótipos a que estamos vinculados e nos reconheçam pelo nosso mérito pessoal, pela nossa identidade.”

Aqui, o foco incide em jovens portugueses e brasileiros, pois apesar da grande similaridade existem ainda hoje estereótipos vincados que são disseminados entre eles. Todos já ouviram alguém dizer algo como “os portugueses são burros”, “as portuguesas têm bigode” ou “os brasileiros são uns vagabundos”, “as brasileiras que vão para o exterior ganham a vida a prostituir-se”. Estas ideias acabam por ser as “imagens de marca” de cada país e a verdade é que por mais que em determinados casos as tais “imagens de marca” sejam verdade, tal como quaisquer estereótipos não podem, nem devem ser generalizadas. Como afirma Joana Dias, outra das jovens no conjunto de fotografias:

“Na confusão e mistura actual que vivemos os estereótipos entre brasileiros e portugueses deixam de fazer sentido na medida em que há uma maior convivência entre diferentes povos. Acredito que os estereótipos existentes por terras lusas e por terras de vera cruz sejam por causa das diferenças culturais, mas a questão é que muitas das vezes esquecemo-nos que temos algo muito mais importante que nos une: a língua portuguesa.”

Dessa falta de fundamento para a existência de estereótipos nasce o desafio. Será que só de ver uma pessoa serias capaz de identificar de onde ela é? De um a oito, quem são portugueses (as) e brasileiros (as)?

image Estereótipos

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16 comentários

  1. Texto maravilhoso, perfeito, Ana! Parabéns pela inteligente e madura abordagem.

    Infelizmente a sociedade estabelece diferenças desde que Caim matou Abel, por serem comparados em matéria de zelo. Portanto um era zeloso, e o outro não. Acredito que todo o reino animal passa por isso: o pavão com cauda mais vistosa conquista a fêmea; o Leão mais valente comanda o bando, e assim por diante. Estereotipar entre nós, pensantes, é usar os adjetivos que existem naturalmente no âmbito físico ou comportamental, porém de uma forma pejorativa, para definir alguém. Quando dizem que portuguesas têm bigode, o fazem de forma satírica. O mesmo dizem das brasileiras que viajam para a Europa, concluindo serem prostitutas. É tudo fruto da diversão visando destacar defeitos, ou aquilo que um grupo vê no outro como defeito.

    Mas se estereotipar outrém começa a se tornar problema, é fato que na sociedade organizada está faltando o respeito. Se houvesse mais respeito entre as pessoas, o termo “esteriótipo” seria extinto… mas isso é um sonho distante, quase inatingível.

    Grande abraço!
    Adriano

  2. ulysses says:

    Ora pois!! Eu reconheço o Joaquim nessas fotos.haueuahhah!

  3. Emilia Cavaleiro ronceição says:

    Nesta minha primeira visita confeso que fiquei encantada. Primeiro a temática da Lusofonia que deve ser continuada, debatida, entendida e “entranhada”. Depois, esta coisa do “estereótipos” tem mesmo muito que se lhe diga. Inegável e infindável. Se eu consigo reconhecer “quem é quem” apenas pela foto? Claro, em parte apenas e isso pela vivência e informação que carrego da minha vivência já alargada.
    Parabens Ana Cristina. Gosto muito de sua escrita e posso entender nela que não é genuinamente em portugês do Brasil.

  4. Hugo Ferreira says:

    Ana, adorei o teu texto…

    Realmente os esteriótipos ainda estão demasiados presentes, estejamos a falar de portugueses e brasileiros, de negros ou brancos, ou de gays e héteros! Tenho muita pena de que ainda se pense que aquela pessoa é gay porque veste ou faz aquele gesto, que todos os negros roubam, ou que todos os portugueses/brasileiros são burros ou incompetentes…

    Muito triste, mas infelizmente os esteriótipos vieram mesmo para mudar e é dificilimo deita-los por terra!

    Grande beijo
    Hugo de Sousa Ferreira

  5. André HP says:

    @Adriano
    Não querendo polemitizar, mas discordo piamente que estereótipos deveriam ser sucumbidos. Eles são uma forma de identificar indivíduos para orientar determinados comportamentos sociais. Sem eles, seria extremamente difícil.

    Vale pensar que, ainda assim, é uma mera representação simbólica. Influencia? Claro! Mas não dessa maneira apocalíptica que você colocou.

  6. André, respeito sua opinião, porém minha menção sobre a extinção da prática de esteriotipar alguém foi no tocante ao uso pejorativo que, segundo minha interpretação, foi o contexto abordado no post do autor.

    Sua colocação no primeiro parágrafo está perfeita, inclusive tenho fama por aqui de polêmico, um esteriótipo que descreve meu estilo, mas não ofende a minha pessoa. Porém, se dissessem “Adriano é brasileiro, portanto um vagabundo”, isso eu gostaria que fosse sucumbuido, apocalipticamente falando, por se tratar de uma grande falta de respeito para com a minha pessoa e muitos outros brasileiros, rsrsrs.

    Obrigado por opinar abertamente! É asism que aprendemos uns com os outros…

    Forte abraço,
    Adriano

  7. André HP says:

    @Adriano
    Saquei. É aquele lance de todo rótulo vim com um anexo de preconceitos e avaliações equivocadas. Eis um grande problema mesmo. Ainda assim, vejo alguns tipos de preconceitos sendo imprescindíveis para o progresso humano.

    Veja as lutas da revolução industrial. Nem todo burguês (no sentido marxista do termo) era um “babaca-sangue-suga-etc”, e mesmo assim, por serem categorizados dessa forma, formou-se uma atmosfera de ódio por parte dos trabalhadores, culminando no movimento ludista, cartista e etc.

    Abraço!

  8. Tiago A.Ramos Cabral says:

    Adorei o texto muito bom!!

  9. Cláudia P. says:

    Ois, bem vou na brincadeira:

    Portugueses de certeza:
    5,6,3
    Brasileiros de certeza:
    4,8
    Não sei de todo:
    1,7
    Acho que:
    2 é português

    Não vai haver soluções?=)

  10. Cláudia P. says:

    Correção:
    O 7 também é brasileiro.lololol

  11. Claudia P., já enviei as soluções por mail para ti.

    =)

  12. Cláudia P. says:

    Muito obrigada, Ana Cristina Pires! Confesso que também usei alguns estereótipos para tentar advinhar, resultado, errei bastante. lol

    Como diz o provérbio: “Quem vê cara, não vê coração!”. A maior parte dos estereótipos, principalmente os negativos, é fruto da ignorância e da mente fechada das pessoas, felizmente existem sites como este. É fundamental aprendermos mais sobre os outros!

    Parabéns pelo artigo!

  13. Muito bacana o texto… vale a pena ler e pensar um pouco!!

    abraços a todos os editores.

  14. Gratuidade says:

    Ali, aquele ali é o português Manoel. E ali são os brasileiros João e Maria. Deixando a brincadeira de lado, todo mundo gosta de esteriotipar, é incrível. E mtas vezes a razão do esteriotipo é algo que a pessoa não gosta.

  15. Inês Sofia says:

    Gostei muito do texto, vai ajudar-me para um projecto meu :)
    já agora também gostava de saber as soluções do “enigma”, se me puderes enviar agradecia ^^

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