Proibido ir de chapa à faculdade!
Seria interessante se esta regra viesse escrito no regulamento pedagógico, pois assim seriam evitados tantos problemas que agora ocorrem ou podem vir a ocorrer. O facto é que esta não é nenhuma regra mas deve ser cumprida se não quiser problemas com a polícia. Desta vez não é aquela polícia da história do amendoim, mas sim a polícia de trânsito ou municipal. Nunca consegui distinguir exactamente quem são, talvez pela adrenalina do momento.
O que acontece exactamente é que nenhum transporte público de passageiros, conhecidos entre nós por Chapa 100, está autorizado a entrar no campus universitário da UEM (Universidade Eduardo Mondlane). Dizer que não está autorizado é o mesmo que dizer que está expressamente proibido de pôr os pés(ou os pneus) lá!
Bem, mas até aqui nenhum problema, Chapa não pode entrar, mas TPM (Transportes Públicos de Maputo) possui um carro que faz exclusivamente a rota Baixa/Campus, logo estudantes podem ir à faculdade de TPM. Não existe rota para o Campus para Chapa 100, definida para Chapa 100, logo quem carrega passageiros por uma rua que não faz parte da sua rota definida, está a cometer crime. Dá para perceber. Mas a história complicada deste artigo não é esta, ainda tem muito pior.
TPM, pelo que sei, vai para o Campus às 06h30, volta às 07h30 e vai de novo às 08h30. Tem apenas um TPM nesta rota, provavelmente com 60 lugares. Agora só a minha turma do primeiro ano tinha 250 estudantes e a aula começava às 07h00. Se 60 estudantes conseguem apanhar o TPM às 06h30, outros 190 só podem tentar a sorte às 08h30, logo perdem a aula! Simples contas de Matemática podem mostrar que algo está errado aqui.
Alguém arranjou uma solução: os Chapa 100, que normalmente costumam ser Toyota Hiace de 15 lugares, carregam estudantes para a faculdade, sempre que a paragem estiver cheia. Se definissem uma rota fixa para a faculdade, nenhum Chapa 100 adoptaria, pois assim estariam proibidos de ir para Xikelene que é a rota normal de muitos deles. No tempo de férias, ninguém vai à faculdade, logo os chapeiros teriam de ficar em casa. Por isso todos são contra a rota fixa para o Campus, e talvez tenham razão.
Não sei bem se é por caridade ou questão de lucro, alguns chapeiros desafiam as regras, e nas “horas de ponta estudantil” carregam estudantes para o campos, voltando a rota normal aquela hora das 15 por exemplo, quando poucos precisam deles ali.
Quem desafia as regras deve ser punido, então polícias andam atrás destes chapeiros desafiadores, bloqueando a passagem para a faculdade ou esperando na paragem mesmo. Ai que começa a história perigosa. Polícia quer apanhar criminoso, criminoso não quer ser pego! Acho que não existe conceito melhor para um bom filme de acção.
Quando o chapeiro vê o polícia na sua frente, ou a perseguir atrás de si, faz de tudo para escapar. Agora já pode imaginar a situação: Um chapeiro num Toyota Hiace, normalmente caindo aos pedaços de tanto trabalhar, e ainda por cima lotado de estudantes (a lotação do fabricante é 15, mas Moçambique parece ter oficializado a lotação de 22 lugares) a fugir de um polícia, numa motorizada (em tempos de infância chamávamos de acerela, provavelmente por causa da sua velocidade minúscula). Chapeiro coloca velocidade máxima e esquece que o seu chapa está lotado. Não falo só de acidentes que podem ocorrer, mas muitas vezes o chapeiro é obrigado a não parar na paragem, ou adoptar rotas mais longas, o que faz com que os alunos atrasem às aulas.
A boa da história, é que muitas vezes, quando o chapeiro não consegue escapar, o polícia apenas leva os seus documentos, e permite que ele vá deixar os estudantes na paragem. O chapeiro obedece, e depois volta para ter com o polícia. Não sei o que acontece lá, mas provavelmente 30 minutos depois, o chapeiro estará de novo a carregar estudantes!
Será que não seria mais fácil abrir uma excepção para chapeiros poderem entrar na faculdade, mesmo não sendo sua rota? Creio que esta medida beneficiaria mais aos estudantes que os chapeiros. Não posso imaginar o que será dos estudantes (incluindo eu) se os chapeiros decidirem não entrar mais no Campus! Está provado que TPM é incapaz de suportar a carga, mas enfim, são regras, os que fazem devem ter motivos para tal!
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: é moçambicano, estudante de informática da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, e é autor do site MZ Noticias. |
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Ei, deixa ver se eu entendi… Chapa é o que aqui no Brasil chamamos de van!? Rapaz, se for, a coisa aí não é muito diferente daqui…
Um abraço!
Oxe, que loucura meu, nada a ver.
Abraço.
Os Toyota saem de fábrica com 15 assentos mas o moçambicano parece ter oficializado 22…Até que não é tão ruim! Aqui no Brasil o Chapa 100, que dependendo da região é van, lotação, pinga-pinga e tantos outros nomes a coisa é bem pior. Tais veiculos são feitos normalmente para levar com conforto de 25 a trinta passageiros sentados mas em São Paulo, em algumas linhas no horário de pico eles levam quase 100! Como aqui este tipo de transporte é regulamentado os motoristas (Aqui conhecidos por Perueiros) não temem a policia, mas temem congestionamentos e atrasos, o que faz com que corram muito, muito mesmo. Um dia eu sai da casa de meu tio e fui ao ponto de paragem para pegar um ônibus (Autocarro) até a estação (Gare) de metrô mais próxima. Como o ônibus demorou á passar, peguei a tal lotação que fazendo juz ao nome veio lotada. pois bem, o ônibus levaria uns 25 minutos para fazer este trajeto, a lotação fez em 12 minutos contados. Carros na frente, sinais de trânsito, pedestres, nada disso parecia existir para o motorista que corria como se fosse morrer caso atrasasse um segundo! E isto acontece em praticamente todas as linhas de lotação da cidade.
Logo, como se vê, além do idioma, os chapeiros de Maputo e os Perueiros de São Paulo tem muito mais em comum…