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Marcas da colonização portuguesa em Angola

por
fchocolate@hotmail.com
13 de July de 2009

Um preto era sempre um rapaz, quer tivesse 10 ou 100 anos, sempre tratado por “tu” pelos brancos; o filho de um branco era sempre o menino


Período da Colonização

caravana de escravos a caminho da costa 300x177 Marcas da colonização portuguesa em AngolaA colonização portuguesa de África foi o resultado dos descobrimentos que começaram a partir da ocupação das Ilhas Canárias ainda no princípio do século XIV. Mas a  primeira ocupação violenta dos portugueses em África foi a conquista de Ceuta em 1415. Contudo, a verdadeira “descoberta” de África iniciou-se um pouco mais tarde, mas ainda no século XV. A verdadeira espedição a África começou quando  Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, abrindo as portas para a colonização da costa oriental da África pelos europeus.

Angola foi um dos países da África subsahariana que sofreu a bruta colonização. Os colonialistas portugueses chegaram pela primeira vez à foz do rio Zaire em 1482. Tal como podemos observar nos escritos do Guia do Terceiro Mundo (1984), os portugueses atingiram ao então reino de Ngola por volta de 1488, onde encontraram grandes poderes e organizadas sociedades tribais, distribuídas por oito grandes grupos étnicos

Descoberta por Diogo Cão entre 1482 e 1486, Angola compôs o território ultramarino português mais extenso depois do Brasil. Na primeira fase, os portugueses usavam a parte litoral de Luanda, atual capital, como ponto de passagem dos navios em direção à Índia. Logo depois, exatamente no século XVI, os portugueses mudam essa perspectiva. Luanda deixa de ser ponto de passagem para ser considerado como ponto permanente. Naturalmente, os intentos dessa mudança, foi essencialmente a evangelização e a possibilidade de poder tirar partido comercial do território. No começo, Diogo Cão estabeleceu boas relações com o reino do Congo, por isso, o mesmo foi mais tarde batizado como o senhor da região do Zaire. O Congo tornou-se num protetorado português, mas cedo o comércio se revelou pouco lucrativo, desinteressando os portugueses. Começou, assim, a brutal e sangrenta expedição militar dos colonizadores em busca de escravos para o trabalho gratuito e desumano empreendido a partir de então. O tráfico de escravos era o mais rentável. No entanto, a população nativa ia diminuindo, o que provocou tentativas de exploração mais a sul, no território onde governava Ngola, que depois se veio a designar Angola. Aqui como a densidade populacional era maior, os resultados práticos tornaram-se mais visíveis.

Aliciados pelo comércio atrativo, os colonos foram-se estabelecendo no território, primeiro de uma forma principiante, que depois se foi tornando conseqüente, logo depois começaram a dotá-lo de infra-estruturas de apoio, como foi o caso da construção de fortalezas. O negócio de escravos tornou-se de tal forma lucrativo que despertou a cobiça de outros países, nomeadamente os holandeses onde a historia registra, os mesmos estiveram na iminência de conquistar o território angolano.


O tráfico de negros permaneceria assim a sustentar durante longos anos a economia brasileira e de outros países da America e colocou Angola numa posição de fornecedora, considerada a base da rede escravagista do império português. Apesar das vicissitudes, nunca se colocou a questão de abandonar o território a outras nações, mas antes explorar o seu interior com isso, enfraquecendo a mão de obra e a diminuição da população ativa.

Com o passar do tempo, a idéia da abolição da escravatura foi ganhando corpo e a sua concretização com a política liberal provocou uma profunda alteração no comércio angolano. Porém, a total abolição do comércio de escravos foi um processo demorado e penoso devido a atos continuados e encobertos de tráfico. Este só viria a desaparecer em 1842, se bem que a escravatura fosse uma realidade até 1869.

061 inauguracao caminhos de ferro ambaca angola 1886 foto moraes coleccao antonio faria e angela camila 300x188 Marcas da colonização portuguesa em Angola

Foto de 1886, ilustrando a inauguracao da estrada caminhos de ferro Ambaca Angola

Marcas da colonização

Uma das grandes marcas que se resista em todo o processo de colonização, é por um lado, a promoção de povos de nível cultural e civilizacionais “ditas” superiores e, por outro lado, a imposição do colonizador ao colonizado de, deveres inalienáveis, manifestos, nos domínios da educação, da saúde, do desenvolvimento material dos territórios, nas vivencias culturais e sobre tudo no domínio político que se estabelece nas relações humanas entre os elementos de uma determinada realidade sócio-historica.

Angola, uma antiga colônia de Portugal, pois, foi colonizada no século XV, e permaneceu como sua colônia até a independência em 1975. Viveu e passou por todas estas situações de modo geral, as mesmas deixaram grandes marcas que sem sobra de duvidas já mais serão esquecidas, pois, as mesmas mudaram consideravelmente a historia do povo angolano, seus usos e costumes, suas manifestações culturais e sobre tudo a sua organização sócio-política.

A unidade territorial Angola, criada, segundo os registros históricos, a partir do século XIX e mantida até hoje, não dispunha de nenhuma língua (oficial) sua, mas antes de sublinguais com a mesma raiz, um pouco como as línguas européias neolatinas.

As principais eram (e são): kikongo, kimbundu, umbundu, tchokue e cuanhama, considerados pelos portugueses como dialectos. A língua portuguesa foi-se impondo como a língua da totalidade angolana, uma imposição de fora. A ideologia da colonização era simples neste aspecto: sobrevalorizar a língua do colonizador e desprezar, de acordo com os interesses estratégicos do ocupante, as sublínguas locais.

Esta atitude culminou com a exclusão das línguas locais do ensino e com o processo de “assimilação”. O que era a assimilação? Muito simples: os colonizados não eram cidadãos portugueses. Não tinham direito a bilhete de identidade. O que os tornava “legais” era: 1 – o cartão de trabalho assinado diariamente pelo patrão; 2 – o imposto indígena reconhecidamente pago. Caso contrário, eram presos nas rusgas diárias e encaminhados para: 1 – obras públicas (estradas); 2 – serviços domésticos. Os angolanos do Sul do país eram muito obedientes por isso foram chamados de “pretos fiéis” e com isso eram muito procurados para os trabalhos domésticos.

Para se tornarem “cidadãos portugueses” tinham de prestar provas: ser católico praticante (outra imposição marcante durante a colonização), dormir numa cama, ter o exame da quarta classe, falar bem português, ter só uma mulher, comer com garfo e faca, isto é, ter costumes “europeus exemplares”. Isto é: o que para qualquer branco era adquirido por nascimento, para o colonizado era adquirido depois de difíceis provas, em que, muito provavelmente, muitos europeus reprovariam.

Assim se impôs a língua portuguesa, através de redes de pequenos colonizadores, nas cidades e nos campos.

A língua portuguesa nunca se misturou com as línguas locais, consideradas inferiores. A mesma impôs-se não pela convivência, não pela procura de uma língua de mistura, mas pela exclusão forçada das línguas locais. São raras ou quase inexistentes as expressões de línguas locais que a língua portuguesa absorveu.

Durante a era colonial, o povo angolano não havia herdado amplos conhecimentos científicos, pelo fato do regime do governo português não permitir o desenvolvimento cultural, além disso, os colonizadores eram em sua maioria analfabetos, alguns e muito poucos tinham um nível de escolaridade muito baixo.

A relação entre colonizadores e colonizados era simplesmente de exploração. Os escravos eram trocados e vendidos como se fosse mercadoria. Por outro lado, a educação não era uma prioridade nos projetos dos colonizadores. Por isso, durante o período de colonização, havia muito poucas escolas no território que hoje é Angola. As poucas que surgiram foram com o intuito de atender os interesses dos colonizadores, no entanto os “pretos” não tinham o direto a escola.

Um preto era sempre um rapaz, quer tivesse 10 ou 100 anos, sempre tratado por “tu” pelos brancos; o filho de um branco era sempre o menino; um branco era sempre o patrão; a mulher do branco era sempre a senhora; a mulher negra era a rapariga; a mulher mestiça clara era a senhora africana; os mestiços claros eram os cabritos; os negros escuros eram os pretos, assim, eram caracterizadas as pessoas durante o duro e brutal período da colonização portuguesa em Angola.

Com isso, só os povos de muito valor moral conseguiram, ao longo dos séculos, criarem culturas e civilizações de relevância indubitável. A Europa é a bendita mãe dos melhores: Portugueses, Espanhóis, Ingleses, Franceses, Holandeses. Da sua ação colonizadora – que o mesmo é dizer civilizadora -, nasceram todas as atuais nações americanas, continentais e insulares, as pseudo-nações africanas a Sul do Saara, a Austrália, a Nova Zelândia, etc. Os europeus devem ter justo orgulho dessa atuação sem rival na História da Humanidade.

 Marcas da colonização portuguesa em Angola

Francisco Macongo

é angolano, mora no Brasil e é mestrando em Psicopedagogia na UNIFIEO, em Osasco, cidade da região metropolitana de São Paulo.

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20 comentários

  1. noé africano pedro says:

    valeu acima de tudo pela forma como continuas a incentivar as pessoas a terem uma noção de angola, africa e o mundo vista numa visão de um filho de casa. força.
    importar frisar neste tema que existiu uma tremenda luta entre os ditos gigantes, sendo o principal objectivo, instalar-se e explorar.Este alcance tão facil de materia prima para o sustento das suas industrias (depois da escravatura), lembre-se chocolate ainda é vista hoje de forma mais moderna. As nações mais atentas ainda continuam a explorar de diversas maneiras a africa e sobretudo angola.começo pelo proprio brasil e sobretudo a europa e america.lembre-se que hoje as meninas vestem a imagem das novelas e não só, ja não respeitam a autoridade dos pais, em fim é um processo que merece reflexao

  2. A colonização na África foi uma das maiores brutalidades que esse mundo já viu. Infelizmente as marcas desse processo estão ainda presentes no continente, que sofre com a pobreza, desigualdade, fome e corrupção. Abraços.

  3. José de Albuquerque says:

    Mais uma vez meus sinceros agradecimentos ao Sr. Macongo em face aos valiosos esclarecimentos trazidos no que concerne a colonização lusa em Angola.
    Vejo pelo lado de alguns saudosistas portugueses, segundo eles afirmando que Angola e Moçambique(isso mais durante as respectivas guerras civis), que estes países viviam melhor quando colônia, que após a libertação. Bem,esta era sempre a pergunta que me fazia,ou seja,era melhor para quem ? Com certeza para os brancos colonizadores,já que a situação narrada por Francisco, me faz confirmar o que eu já pensava da população nativa. A língua portuguesa sobreviveu e cresceu em Angola, visto a massiva colonização, até mesmo na absurda posição de se colocar pescadores da Madeira, como fazendeiros no “colonato de Cela”. Tracei um pararelo entre a colonização lusa em Angola, e em Goa(Índia). Pelos parcos conhecimentos que tenho, os nativos goeses receberam igual ou pior tratamento das autoridades portuguesas. Creio que a língua de Camões não sobreviveu por aquelas bandas,para além da teimosia e utopia de Salazar, justamente por não ter havido uma colonização massiva como ocorreu em África. Isso apesar de alguns traços lusos terem permanecidos na culinária, em algumas palavras da língua concani, e na cultura, como o gosto pelo futebol e pelo carnaval. Gostaria de frisar que só tracei o paralelo, por pensar que a colonização em Angola tivesse sido diferenciada daquela goesa. E pensar que existem alguns portugueses que pensavam(pensam) que por aquelas bandas(Goa) sua(nossa)língua sobreviveria por sí só !!

  4. João says:

    Sou português, nascido em Angola, e julgo que é importante para os portugueses escutarem o lado angolano e africano da colonização. De facto a ideia que os países africanos estavam melhor durante a colonização portuguesa ainda se escuta aqui e ali. Mas sobre isto é suberana a palavra dos africanos.
    Tenho esperança que as novas gerações portuguesas possam redescobrir os países africanos para além dessas ideias, que possam escutar a voz africana, as suas razões e com elas aprenderem também algo mais sobre si mesmos enquanto portugueses.

    Julgo que seria importante que em Portugal se desse mais atenção à cultura africana dos países que contactou no período colonial, que pudesse ir além (ou aquém) da história da colonização portuguesa e descobrir alguma coisa sobre quem eram os povos antes dos Portugueses terem chegado… Quais os seus deuses, a sua organização social, os seus mitos fundadores?

    Abraço,
    João.

  5. João says:

    Corrigindo,

    Onde se lê “suberana”, leia-se “soberana”.

    Obrigado,

    João.

  6. Luciano Canhanga says:

    Aqui há cultura.
    Gostei do que li e, com certeza, voltarei sempre.
    Um abraço a todos.

  7. PortuguêsdeAngola says:

    Caro João

    Acho que em Portugal todos sabem qual o lado africano da descolonização. Existiam algumas tribos indígenas em Angola quando Portugal chegou e a essas tribos vieram, mais tarde, juntar-se outras. Todos têm consciência que Portugal, como nenhum país colonizador fez, não partilhou de modo equitativo o território com essas tribos. Basta ver o caso dos EUA com os índios. Mas estás a mexer em terreno perigoso… Ninguém tem consciência que essa era outra época e que essa atitude não faz sentido nenhum que seja censurada. Quanto a tempos mais recentes da colonização portuguesa, os portugueses conhecem os livros de recordações que estão à venda no mercado e lá encontram-se provas da permeabilidade da sociedade portuguesa em relação a indivíduos negros. Todo o tipo de barreiras legais desapareceu e havia pessoas que se encarregavam da integração na sociedade de pessoas nativas. Deves ter ouvido falar em histórias dos nativos quando se acharam em apartamentos…De qualquer maneira todos os historiadores dizem que os portugueses não devem ter má consciência da colonização e quanto às culturas nativas quem quiser pode estudá-las e há antropólogos sempre dispostos a isso, mas de que serve ? Queres dizer que não devíamos ter perturbado o fluir natural dessas culturas ? Se pretendes afirmar que não eram mais atrasadas que a cultura portuguesa tira daí o sentido. A cultura angolana é herdeira da portuguesa e se continua a haver nativos as suas tribos não ganham novos membros vindos do ocidente. Tem cuidado ao abordares esses assuntos porque muitos negros ainda têm na cabeça a escravatura…

  8. João says:

    O que eu digo, basicamente, é que o colonizador, geralmente, não aprofunda o conhecimento das sociedades e culturas dos povos que contacta. Geralmente vem com um plano mais ou menos organizado, uma visão de mundo mais ou menos terminada, e aplica-a sobre esses povos e territórios. De onde deriva, ou pode derivar, que se passe de colonizador a parceiro, com as independências, sem que nunca se tenha percebido a cultura profunda dos povos entretanto independentes. Por isso não se trata de remoer a colonização mas de, finalmente, se poder escutar a voz africana naquilo que tem de original, naquilo que é a sua cultura, a sua mundividência, as suas propostas para o sentido da vida, vá lá, porque não. O que eu estou a pressupor é que se ultrapasse o complexo colono-colonizado, e, construtivamente, se fale das culturas que se encontraram mas que, verdadeiramente, nunca dialogaram. E esse clima construtivo precisa, julgo eu, para que emerja com suficiente disponibilidade, que se saiba escutar o outro, ouvir a sua versão. E que assim permeados pela visão do outro possamos abranger algo do seu sentido e reconstruir a nossa visão. Claro que nem sempre é fácil ler as páginas que o colonizado escreve sobre o colonizador, mas é preciso lê-las, se possível com calma e sem reagir imediatamente, deixá-las amadurecer um pouco dentro de nós e dialogar com os nossos próprios pressupostos e preconceitos.

    Julgo que talvez todos precisemos de nos reconstruir quanto à questão da colonização, portugueses e africanos, e não vale a pena reconstruir para que se fique como estava, portanto só a inclusão de algo novo justifica uma reconstrução que venha a melhorar o edifício anterior. Esse algo novo, parece-me, surgirá do diálogo que escuta e se deixa permear pela razão do outro, não para que se a aceite sem mais, mas para que se procure os pontos onde o diverso e até o conflituoso, possam encontrar um “espaço” de desenvolvimento comum e se possível de mútua compreensão, e a partir daí tentar alargar esse “espaço” cada vez mais.

    Quando perguntas: “Queres dizer que não devíamos ter perturbado o fluir natural dessas culturas ? ” De facto não quero dizer nada disso, nem sequer o contrário disso. Quero ultrapassar isso, mas sem que, necessariamente, eu tenha de permanecer ou dever permanecer na ignorância ou desinteresse quanto ao que era o fluir dessas culturas antes do encontro com os portugueses. Quem sabe eu não encontro alguma coisa que me vai enriquecer, que me vai tornar mais consciente, que vai iluminar algo da ignorância em que sempre, de algum modo, persistimos. Quem sabe eu venha a conhecer melhor o povo angolano. A questão é por aí, não se trata tanto de remoer a colonização, como disse atrás, mas de compreender o mais possível todos os factores e variantes que estiveram em jogo, que, quiçá, ainha hoje, permanecem, muitos desses factores e variantes, ocultos ou confusos para todos.

    Acredito que quanto ao período colonial, nomeadamente aquele que envolveu a Europa, América e África, nem tudo tenha resultado em desperdício, digamos assim, mas julgo que talvez seja cedo para que se tenha uma visão mais completa daquilo que desse período pode sobrar como elementos construtivos para o presente e o futuro, embora, em todo o caso, possa convir ir pensando sobre isso.

    E a questão, para terminar, é que eu tenho esperança que a CPLP se possa desenvolver para chegar a ser uma verdadeira comunidade, fundada em acordos de interesse para todos, e até, porque não, chegar mesmo a um clima de fraternidade entre os povos.

    João.

  9. PortuguêsdeAngola says:

    Julgo que consideras que não houve influências culturais mútuas e não houve portugueses bons conhecedores das culturas nativas. Nas fazendas, o contacto com os nativos aculturados ou a viver ainda nas suas aldeias era constante. Existiam várias tribos de culturas diferentes pelo que se torna difícil de enquadrá-las a todas na designação “povo angolano”. Actualmente, a cultura angolana pouco tem a haver com qualquer dessas culturas excepto, talvez, em algum folclore. A CPLP, para ter sucesso, necessita antes de mais de umas lições de História para que ódios injustificados desapareçam dos imaginários dos povos lusófonos.
    Pelo que me parece, sugeres uma reescrita da História ou uma reinterpretação da mesma tendo em conta testemunhos dos povos colonizados. Quanto a isto, não posso afirmar grande coisa a não ser que estudei o choque cultural que a colonização provocou. Quanto a testemunhos propriamente ditos conheço apenas o caso dos nativos de Cabinda que escolheram colocar-se sob a soberania portuguesa e o caso da Rainha Jinga que, depois de ter aceitado aculturar-se através de missionários, mudou de ideias e ateou guerra a Portugal. Sei isto por livros de História portugueses o que, pelo menos, é um indício de que Portugal não estava completamente desinformado do que os nativos pensavam da sua presença em Angola. E, falando da acção missionária, acrescento que a única maneira escolhida para levá-la a cabo foi compreendendo as culturas indígenas para que a Mensagem fosse compreendida. O que representou um primeiro passo para a divulgação das culturas indígenas entre os portugueses e o mundo inteiro.
    Para finalizar, considero que o processo de colonização pode dar-se naturalmente. A partir do momento em que uma cultura é superior a outra o contacto entre ambas faz com que a superior domine a inferior mesmo que alguns elementos da cultura suplantada permaneçam na nova cultura que surge. No exemplo de Angola, se os nativos tivessem liberdade de se juntarem aos portugueses nas fazendas, por exemplo, deixar-se-iam, inconscientemente ou não, assimilar e os seus descendentes pouco teriam que ver com as culturas ancestrais por mais histórias que lhes contassem. A fraternidade com que sonhas para a CPLP estava a esboçar-se antes de 1975 e é possível que venha a renascer mas para isso todos os povos devem olhar para a sua História e admitir os erros cometidos.

    Mas, seja como for, 500 anos é muito tempo de coexistência para Mas também sei que uma cultura, se é superior a outra, a sua dominação sobre a mais atrasada é uma questão de tempo. Se os povos nativos que habitavam Angola poderiam evoluir civilizacionalmente sem a chegada dos portugueses o contacto com os mesmos acelerou esse processo. Mesmo que os contactos fossem pacíficos algo, do género da presença dos portugueses em Angola ter sido tolerada pelos nativos e não imposta, a troca de influências dar-se-ia inevitàvelmente.

  10. PortuguêsdeAngola says:

    Ops ! Ignorar o último parágrafo

  11. João says:

    “Pelo que me parece, sugeres uma reescrita da História ou uma reinterpretação da mesma tendo em conta testemunhos dos povos colonizados.”

    Não se trata propriamente, ou restritamente, de reescrever a História, no sentido académico do termo, embora tal possa derivar naturalmente, e quem sabe para formas ainda por pensar ou imaginar, mas, se quiseres, de nos reescrevermos a nós próprios, de forma dinâmica, dialogante, em vista de integrar continuamente, numa ascese criadora, o espírito, digamos assim, da mútua compreensão, capaz ir rasgando os mantos de sombras que persistem e de abrir, em crescendo de amplitude e profundidade, vias criativas de cooperação construtiva e fraterna entre os povos. Por isso é difícil que uma interpretação, seja daqui ou dali, apareça definitiva, mas, ao mesmo tempo, qualquer uma, daqui, dali ou de acolá, nomeadamente se pensada e avançada com honestidade e recebida com aquela disposição à compreensão do outro, pode ser geradora de riqueza, de maior inteligência e por isto mesmo estímulo à dita reescrita de nós próprios.

  12. PortuguêsdeAngola says:

    OK. Estou esclarecido, João. Esta troca de mensagens foi extremamente construtiva. Oxalá todas fossem assim.

  13. João says:

    “Esta troca de mensagens foi extremamente construtiva.”

    Também julgo que sim. Penso que evoluí um pouco mais.

    João.

  14. Eu says:

    Nao concordo com o cometario. Angola foi criada por Portugueses e desenvolvidad pelos mesmos. A colonizacao teve de certo desigualdades o que nao foi um problema dos Portugueses mas um problema da epoca em todo o mundo ocidental. Mas no tempo da colonizacao via-se criancas negras vestidas, a comer gelados nos bancos dos jardins como assim deve ser, e nao nuas, famintas e com armas nas maos como os ditos “pretos” fizeram.
    Criancas negras misturavam-se com brancas nas escolas e havia professores negros nao so brancos. Os Portuguese nao intitucionalizaram aperthisd como os outros senhores fizeram na afirca do sul nem genocidio d etribos como aconteceu no congo belga. Angola foi pais nessa altura, agora nao eh independendemente da recontrucao e potencial. Fomos brutos mas soa os brutos que os Angolanaos chamaram para ajudar a recontruir o pais. Fomos expulsos de Angola por negros por sermos brnacos, mas deixamos os negros que quissesem deixar Angola por causa da guerra entrar em Portugal “na casa dos brancos” e como se tivessemos levado a bofetada na face esquerda mas oferecido a direita.
    Respeito todos os comentarios e nao podia esperar que o autor sendo africano assim nao o fizesse, mas nao corresponde totalmente a realidade e deixa muitos promenores importantes apagados.
    Somos e sempre seremos nacao valente e imortal.

  15. Luis says:

    Nasci em Luanda filho de pai português e mãe angolana de Benguela.
    Houve erros dos dois lados, maiores do lado de Portugal. Os naturais de Angola sentiram na pela em maior ou menos intensidade consoante a cor da pela. Nasci na Maianga, morei perto do Aeroporto (no morro), no Bairro Operário e no Bairro da Cuca. Não havia um determinado Bairro para uma determinada etnia. A não ser nos Bairros dos mais afortunados é que havia uma seleção natural devido ao estilo de vida e maior poder aquisitivo.
    Julgo que no momento atual os ódios devem ser postos de lado e o povo angolano olhar para a frente e com pensamentos positivos para a reconstrução do País.

    Luís

  16. luiza says:

    aaameiii me ajudou muito na minha pesquisa eu odeio história odei e vc?

  17. Bety says:

    É triste saber que existe pessoas que acham a colonização como algo normal. nõa é só quem é colonizado sabe o quanto doi ser humilhado na sua própria terra procurem leiam mais sobre a colonização e só assim poderão entender o que é a colonização. grande abraço a todos.

  18. Frank o observador says:

    Ao ler a sua opinião sobre a colonolização de Africa pelos portugueses fiquei triste, já passaram 50 anos do inicio da guerra no Ultramar, e o Sr. continua com o discurso de guerra que ja acabou há 36 anos.
    Posso dizer com conhecimento historicos que foram comerciantes sertanejos e aos militares que pacificaram aquelas terras, com o custo do proprio sangue, que deixou de haver:
    - canibalismo, ver Ivens e Capelo “De Benguela à terra do Inhaca.
    - escravidão, todos os escravos eram resultante de guerras entre os soba, Ver “vida Lazlo Magyar, ”
    - as fronteiras daqueles paises foram feitas com muito sangue dos nossos militares, que mesmo contra a força dos grandes impérios, desenharam os paises de grandes fronteiras que falam a sua e minha lingua, e que de outra forma falariam ingles, alemão ou francês.
    - Lembro ainda que o 1ª descolonizador portugues foi o Marques de Pombal nos idos 17–, com a expulsão dos jesuitas do centro da Africa setentrional, (Zambia Zimbabwé), com a saida deles o negocio de escravos passou a ser feito na costa oriental pelos arabes.
    Temos pois que dar valor a quem o teve, no desenvolvimento dos novos paíes Palop.
    É hora de pacificação, seguindo o grande africano que foi Nelson Mandela

  19. maria says:

    eh triste ver que a pessoas que encaram o colonialismo como algo super normal. esquecem-se que povos perderam suas culturas devido a maldita colonização. malditos portugueses..

  20. Luís says:

    Maria: O ódio é um dos piores sentimentos do ser humano. Como escrito a colonização deixou muitas marcas nos povos subjugados. Interessante escrever-se sobre o problema da escravatura mas ela tinha a participação dos próprios africanos que eram os principais abastecedores da mão de obra escrava. Concorda? Até a presente data nunca li algo sobre o assunto criticando a postura desses povos.
    Porquê o governo atual de Angola não permite que os povos de Cabinda sejam livres. Sendo as culturas dos povos que hoje formam a nação Angolana completamente diferentes porque o MPLA não permite que o separatismo desses povos?. Chegamos à conclusão que os pensamentos colonialistas continuam. Deixemo-nos de hipocrisia!.

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