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Angola e Brasil: A falsa crença de países irmãos

por
fchocolate@hotmail.com
16 de June de 2009

O fato de falarmos a mesma língua, e sermos colonizados pelo mesmo país não nos dá qualquer indicador de sermos países irmãos

brasil angola jo 300x203 Angola e Brasil: A falsa crença de países irmãos

Nem sempre a relação entre canarinhos e palancas negras, mascotes das seleções brasileira e angolana, vive de convergências - desenho retirado do blog solangeemangola.blogspot.com

Pouco depois de ter chegado ao Brasil, o pessoal de Angola me fazia insistentemente às seguintes perguntas: E ai cara como é Brasil? Tem muitas semelhanças com Angola? (1) No meio disso, eu apenas dizia: É muito cedo para dar uma resposta clara sobre esses aspetos. Passado o tempo, acredito que agora já estou em condições de tecer algumas considerações a respeito disso.

Faz menos de quatro meses que me encontro na Republica Federativa do Brasil. Quatro meses, mais, o suficiente para viver e compreender por um lado a grande simpatia e hospitalidade deste povo maravilhoso e, por outro, a “ignorância” dos mesmos pelas questões ligadas aos países africanos da lusofonia e, ao mesmo tempo notar as grandes diferenças entre os angolanos e brasileiros nas questões de educação e produção cultural.

Quero deixar bem claro que quando falo da ignorância não é no sentido pejorativo, espero bem que entendam, quero apenas mostrar aqui que para muitos brasileiros, fora do Brasil o único país que fala a língua portuguesa é Portugal. Talvez seja por ser um pais da “Europa”, ou ainda, pelo fato de ser o “colonizador” será? Deixo isso para cada um tirar as suas conclusões. Por vezes eu tenho me perguntado: Será que na grade curricular do Brasil não há conteúdos que retratam sobre a lusofonia? Ou será mesmo uma simples ignorância das pessoas? Estas inquietações surgem como contra pergunta a respeitos de diversas interrogações a qual somos vitimas quase todos os dias que nos apresentamos como sendo angolanos: Puxa cara você fala bem o português. Angola? Fica aonde? Em Angola também se fala português? Enfim, muitas e outras que nem basta relatar aqui mais que me deixam muito indignado. Quero mais uma vez ressaltar que o uso do termo “ignorância”, se justifica porque a camada que me interpreta dessa forma constitui-se em indivíduos com certo nível de desenvolvimento e com um grau de escolaridade acima do nível médio. Boa parte destes são pessoas que estão na faculdade e muitos ate já terminaram a graduação. (estou a falar de indivíduos da grande metrópole do Estado de São Paulo e não do Brasil em geral).

Há muita crença de que não existem muitas diferenças entre o povo Brasileiro é o povo Angolano. Esta crença é muita das vezes sustentada pelo fato de falarmos a mesma língua, termos o mesmo colonizador e, principalmente na expectativa de que muitos angolanos transportados para America como escravos terem parado no território que hoje forma o Brasil. Na verdade em meu ver, ali é que esta o problema. É justamente ali onde reside a falsa crença: O fato de falarmos a mesma língua, e sermos colonizados pelo mesmo país não nos dá qualquer indicador de sermos países irmãos. Há uma total discrepância na significação e na produção cultural entre os dois povos. Há muitos valores, crenças e costumes que são totalmente diferentes. Passo a citar apenas alguns.

Tanto em Angola como no Brasil, existem variedades de hábitos, rituais e costumes culturais, oriundos de povos de várias etnias, desde as danças, musica, gastronomia, vestimentas etc. A diferença reside na maneira como os indivíduos e grupos expressam e atribuem significado à estas experiências, o que de uma maneira ou outra estão intrinsecamente relacionadas com o contexto social e cultural específico.

Enquanto que os valores do povo brasileiro se caracterizam por privilegiar uma abordagem individual, o que torna a pessoa presa a sua “toca”, ao ponto de não querer saber nem mesmo do vizinho, muito menos do outro, tornando se desse modo preso ao leito familiar ( mamãe e papai), os elementos culturais angolanos enfatizam o coletivo, o social, a comunidade. A filosofia de vida dos angolanos está intimamente aprofundada no princípio de valores tradicionais. Em quase todas as camadas ou extratos sociais em Angola, e comum  fazer o recurso à tradição, principalmente em períodos de crise pessoal ou mesmo social. As rituais tradicionais é o meio pelo qual são celebradas ou governadas situações específicas.

Pode notar também que uma das grandes diferenças destes dois povos “irmãos” consiste no modelo de educação adotado no processo de transmissão dos valores culturais as novas gerações. Brasil usa um sistema liberal, onde quase tudo é permitido, dado e ensinado. Cabe a cada pessoa analisar e refletir por si mesmo se pode aderir ou não. Nota-se neste sistema a livre e espontânea vontade que as pessoas apresentam na expressão oral e em conseqüência disso, quase 90% dos jovens Brasileiros, dificilmente falam sem tirar “palavrão” ou mesmo usar a gíria na sua alocução.

Já Angola, usa um modelo semi Aberto, onde muita coisa é filtrada antes mesmo de chegar às pessoas de modo a evitar o choque com os modelos culturais e tradicionais. Em conseqüência disso, os angolanos são presos à cultura e os valores morais das suas regiões origens.

Estas em linhas gerais constituem em meu ver as principais diferenças entre o povo angolano e o brasileiro. Sem querer terminar, mas término por aqui, antes dizer: A cultura joga um papel crucial no bem-estar psico-social das populações uma vez que a maneira através da qual as pessoas gerem o seu sofrimento estão, pelo menos em parte, baseadas nas percepções culturais.  “A diferença gera desenvolvimento”.
(1) Quando nos referimos a diferenças e semelhanças, estamos apenas a fazer referência sobre os aspectos de produção cultural entre os dois povos, ou seja, existem hábitos e costumes iguais? Em nenhum momento,  me referi aos aspectos de desenvolvimento socioeconômicos que, a priori se diga, não tem nada de comparação com Angola, exceto as favelas (mas sem o tráfico).

 Angola e Brasil: A falsa crença de países irmãos

Francisco Macongo

é angolano, mora no Brasil e é mestrando em Psicopedagogia na UNIFIEO, em Osasco, cidade da região metropolitana de São Paulo.

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30 comentários

  1. noé africano Pedro says:

    choco,valeu mais uma vez a intensão, porquanto so as reportagens de pessoas idolneas como voce vao tornar cada vez mais unida os lusofonos.Até porque estamos repartidos,isto é, brasil lidera embora unica na america e angola lidera africa.A realidade é que não so brasil, mas muitos outros lusofonos estao preocupados em conhecer melhor outras origens em detrimento da lusofonia, enquanto continuar como tarefa para os pequenos, conhecer e interessar se pelos grandes, nunca veremos, a lusofonia a sobreopor se.Poderiamos ter relações melhores que as actuais, mas é preciso a colaborações entre os dois povos, e isto é tarefa tanto do cidadão brasileiro como do angolano, e uma das vias é exactamente ambos apresentarem de diersas maneiras as sua realidades onde quer que estiverem.força e continua a escrever,

  2. Paka Massanga says:

    Crao Macongo, e preciso gritar bem alto esta preocupacao e da ignorancia de muitos dos nossos irmaos. Tambem nos preocupa a questao levantada olhando pelo prisma da globalizacao, visto que como paises irmaos, com o mesmo colonizador, mesma processo historico cultural.
    A lusofonia deve criar mecanismos de incentivo de trocas e intercambios cultural no sentido de que os povos dos dois paises se conhecerem.e preciso continuar a falar e a representar bem alto a imagem da nossa Angola, como uma terra de prosperidade e de gentes hospitaleirs e alegres.
    E bem verdade que a luta de contrarios e sinonimo de desenvolvimento, por isso e necessario que haja intercambios culturais e que fora do solo patrio continuemos a representar o nosso pais, nao pare por ai

  3. Carlos Yoba says:

    Na realidade existe esta tendência visível de desconhecer os outros limites do mesmo lusófono. Esta situação não se circunscreve somente ao Brasil, mas quase a América Latina, segundo a minha experiência de circular a referida região. Angola teve muitos anos de guerra, o que, a meu ver, deveria circular nos distintos órgãos de informação desses países. Conquistamos a paz, outro feito para maior presença nos meio de comunicação. Angola tem um elevado volume de negócios com o Brasil, no caso, e mesmo assim é desconhecida. Onde está o problema? Reflitamos.

  4. Prezado Francisco,
    Achei bacana a forma como você mostra essas diferenças. Inclusive, mostra que você também não conhece bem o Brasil, levando em consideração suas palavras – “estou a falar de indivíduos da grande metrópole do Estado de São Paulo e não do Brasil em geral.”
    O simples fato da pessoa estar na faculdade, ter nível de desenvolvimento ou morar em SP, não quer dizer NADA. Absolutamente, NADA! Afinal, se contarmos o desenvolvimento CULTURAL de municípios brasileiros, você vai ver que existem vários municípios (e alguns pequenos e distantes), onde a qualidade de ensino (do ponto de vista cultural) é muito superior ao da cidade de SP.
    Chego a conclusão que, assim como 99% dos brasileiros não têm noção sobre os aspectos socio-culturais de Angola, você ainda não conhece muito a respeito de alguns pontos no Brasil.
    Mas isso leva a filosofarmos horas e horas…
    Concordo em vários pontos contigo. Mas o mais GRITANTE é que infelizmente, tanto Angola quanto o Brasil não foram colonizados. INFELIZMENTE, FOMOS ESCRAVISADOS E EXPLORADOS.
    Se levarmos em consideração países que foram colonizados por britânicos, franceses ou holandeses.
    Conheço alguns países pelo o mundo e nunca encontrei nenhum país que se parecesse com o outro. Ainda não tive a sorte de conhecer Angola, mas espero que sim!
    Agora, eu aposto e muito, que uma coisa nós somos (Brasileiros e Angolanos) – Alegres e hospitaleiros.
    Desejo sucesso, aqui no Brasil. E tenha certeza que em muitos aspectos do seu texto, eu concordo.
    Saudações.

  5. Tiago says:

    Se falam sobre lusofonia nas escolas do Brasil?? Não. A “ignorância” das pessoas reside no fato da liberdade de escolha? É muito provável.
    Moro há 5 anos em Portugal e sinto na pele (e no fundo do meu carácter) as diferenças culturais. Não de forma pejorativa, mas apenas diferente. Há um termo na antropologia para isso, é chamado de “violação cultural”, e é exatamente este o termo que melhor descreve a revolução interna que ocorre na vida de um imigrante ou de uma pessoa em período de intercâmbio estudantil.
    um abraço e boa sorte!

  6. oneide teixeira says:

    concordo com o que disse o Mainframe DJ acresentando que 4 meses e vivendo em são paulo não e suficiente pra ter juizo do brasil.
    da a entender que angola e melhor que o brasil no seu texto se e o caso sabe a solução.
    mpla,unita,27-38 anos de guerra,sem comparação não que aqui seja um mar de rosas.
    “Cabe a cada pessoa analisar e refletir por si mesmo se pode aderir ou não” prefiro assim do que o “modelo semi Aberto”creio que sei o que isso significa.

  7. alvaro says:

    Caro Francisco,concordo com você em diversos aspectos,mas vamos tentar entender que agora (somente) foi assinado um acordo gramatical entre nossos países,isso com certeza aproximará as culturas e nos dará uma identidade e força internacional a mais,fico irritado quando pego um programa em 8,9 idiomas e o nosso portugues fica de fora,mas ai um problema o nosso(brasileiro)está muito modificado,a diversidade de povos que formaram o Brasil formou a língua(portugues brasileiro),percebemos o sotaque luso em todos os outros povos lusofonos porém não em nós,perdemos as raizes da língua e isso distanciou-nos ao ponto de não compreendermos bem o que falam os lusofonos (que dirá ler)de outros paises,espero que com essas mudanças passemos a ter mais contato com a literatura e cultura angolana,sei muito pouco de seu país(mas procurarei aprender),mas sabia que falavam portugues (riso).Apesar de ter sido uma língua imposta a nós é a nossa bela,complexa e quase impronunciável a outros povos língua portuguesa.Se quiseres um dia conhecer outro lado do Brasil moro em Belém e serás muito bem vindo.

  8. Berta says:

    Concordo plenamente com tudo o que foi dito,pk tbm vivo esta realidade no Brasil…Continue mostrando a esta gente k o facto dê não implica que,ou seja,o fato de falarmos a mesma língua, e sermos colonizados pelo mesmo país,não nos dá qualquer indicador de sermos países irmãos,por favorrr,se ligueeemm…

  9. Jose de Albuquerque says:

    Lí atentamente ao texto como também aos respectivos comentários. Peço desculpas se interpreto mal,mas confesso que achei este último carregado de uma certa dose de ressentimento em relação ao Brasil ou a seu povo.Se o caso é para os brasileiros se “ligarem” ao assunto lusofonia,tenho a dizer que tenho sempre algo a ensinar e aprender,mas com referencia a me ligar, já ando com as baterias prestes a descarregar.
    Sobre o texto do Sr. Macongo, devo dizer que concordo em algumas coisas que foram ditas,mas por outro lado devo dizer que 4 meses é pouco para se dizer que se conhece uma variada população de cerca 200.000.000 de hab. Creio que este fato, não é esclusivo dos brasileiros. O mesmo ,podemos assim dizer, se dá com grande parter dos norte americanos em relação aos demais povos da “commonwealth”,com alguns franceses em relação a outros povos ditos francófonos,ou ainda com alguns espanhóis em relação aos povos ditos hipânicos.Novamente peço desculpas se interpreto mal o texto,mas deu-me a entender que todos os angolanos sabem que no Brasil se fala portugues.Creio que o Brasil, na mídia angolana seja muitos mais exposto que o inverso. Realmente nossa grande imprensa, sempre desprezou o mundo lusófono como um todo,mas atribuir a brasileiros em geral, instruídos ou não,ignorancia total em relação a lusofonia,mais especificamente Angola,me faz discordar especificamente neste ponto.

  10. Jose de Albuquerque says:

    Errata: Acima onde se lê … grande parte dos norte americanos…, leia-se ,grande parte dos ingleses.

  11. Inez says:

    Gostei muito do artigo e concordo plenamente que o fato de falarmos a mesma língua não significa países irmãos.
    Há grandes diferenças culturais, educacionais e políticas, o que na verdade não sabemos quais são essas diferenças.

  12. Minha sócia esteve a trabalho em Luanda e teve uma impressão muito positiva da cidade e das pessoas. Contudo, sentiu realmente que há diferenças significativas de cultura, hábitos e costumes.

    Em geral o brasileiro pouco conhece sobre os demais países de lingua portuguesa, mesmo Portugal. Há muito que fazer para unir mais do que o idioma que falamos.

  13. Ju says:

    Acho que é “forçar a barra” dizer que os “lusófonos” são países irmãos. Tirando algumas coincidências históricas, como a colonização portuguesa e a exploração escravista, não existe qualquer parentesco entre estas nações. Hoje há alguma semelhança entre as línguas mas cada país, por suas particularidades na formação social, política, econômica e geográfica, seguiram caminhos contrários. Como brasileira, sinto muito mais afinidade (apesar de nosso isolamento) com a Argentina, Uruguai, Paraguai do que com Portugal ou Timor Leste, por exemplo. Não tenho nada contra os lusófonos mas prefiro uma integração maior dos brasileiros à América do Sul, afinal estamos ligados pra sempre – tivemos processos de colonização, ditadura, democratização, imigrações muito parecidos, e, temos ainda, quase os mesmos desafios para vencer a pobreza, a desigualdade, a corrupção, sem falar das populações indígenas que nos ligam. Isso sim é irmandade. Acho que os angolanos não deveriam se chatear de os brasileiros não os conhecerem, acho que seria melhor se buscassem uma maior integração com seus vizinhos.

  14. Michell Niero says:

    Oi Francisco,

    Esperei as opiniões aparecerem para compartilhar contigo uma frase do escritor angolano João Agualusa que diz muito sobre o que penso a respeito deste assunto:

    “Penso , muitas vezes, em Angola e no Brasil como dois irmãos separados durante a infância. Quando um dia se reencontram, o irmão rico ignora o pobre; o pobre, pelo contrário, conhece tudo sobre o rico, as suas vitórias e os seus dramas, e incomoda-o a ignorância do irmão”.

    Um abraço

  15. CASSIANA says:

    Meu querido,posso lhe dizer que nem todos são iguais,nasci e cresci em São Paulo, capital, e infelizmente vc foi parar logo em Osasco.A cidade de São Paulo é muito grande.
    Acho que vc,não conhece nem a metade.Mas isto não importa, sei que nem todos tem o privilegio de conhecer Angola, eu infelizmente tive o prazer de conhecer,passei uma semana em Luanda, onde sinceramente vivia com medo, pois sempre tinha que estar com pessoas que me deslocavam do hotel a feira onde fui trabalhar,não podia nem sonhar em andar pela rua sozinha.
    Mas isto não vez com que eu contina-se a gostar das musicas angolanas.Estou a viver em Portugal a 2 anos, onde tem muitos angalanos, onde nem comprimenta as pessoas, vivem em seu mundo.
    Agora vc vem dizer que por falar com alguns brasileiros que não conhece Angola, não sabe que falava a mesma lingua e vc acha que todos são assim.
    Desculpa pela minha revolta, mas não aceito que criticam o meu País sem menos o conhecer corretamente.Sei que tem muito o que melhorar,como a educação, a saúde, mas pelo menos isto temos por mais basico que seja,mas infelizmente nem isto posso dizer que em Luanda tem, não é por culpa das pessoas de lá, mas sim dos mais ricos de Luanda, e o mais pobres cade vez mais pobre que muitas vezes tem que viver com menos de 1 dolar por dia.
    Agora sendo itmãos ou não,falando a mesma língua ou não, temos que juntos nos unir e acabar com este mau,que esta a destruir não só Africa como o Brasil e o mundo.

  16. Manuel says:

    Caros Amigos….é muito bonitinho falar em racismo….mas ele existe,claro que existe…cada um na sua terra é o melhor que poderão fazer…eu por exemplo sou racista….e digo isto porque eu fui mal tratado e expulso da terra aonde nasci (Moçambique)….que culpa tive eu de ter nascido branco???
    Portanto cheguei à conclusão cada um na sua terra….que é o melhor…..fazer como a Inglaterra fez…não aceitou ninguém dos Países de Africa….que quiseram a independência…..

    Cumprimentos
    Manuel Silva

  17. Marcelo Muniz says:

    /\

    O amigo acima disse uma verdade que muita gente faz vista grossa.

  18. Matheus says:

    De fato nós brasileiros não enxergamos os angolanos como irmãos. Nem mesmo os lusos são nossos “manos”. O preconceito no Brasil é algo enraizado e perigoso. As favelas são formadas por imensa maioria nas grandes metrópoles, e compostas por negros descendentes de africanos escravos e nordestinos que nada mais nada menos são os descendentes diretos da linhagem pobre portuguesa que imigrou para o Brasil ainda nos séculos de unidade entre os dois países.
    Vale lembrar que a xenofobia lusa contra os brasileiros, vem incomodando a sociedade tupiniquim em sua grande maioria, já que portugueses aqui no Brasil principalmente em São Paulo são vistos pela sua colonização escravista, que parasitou o país e criou os problemas sociais que somente hoje com ascensão da cultura brasileira real e queda da influência lusa, que esta sendo superada.
    Aonde entra Angola nisso? Simples, os brasileiros da grande metrópole normalmente apesar das desigualdades sociais (ou seja ricos andam na mesma calçada que os pobres e até mesmo que os moradores de favelas e existindo um respeito mútuo entre eles mas claro havendo um certo preconceito de todos os lados) tem a mesma visão da europa sobre a africa. Ou seja um continente perdido em sua miséria, onde pessoas negras caçam para sobreviver. Eu “imagino” bem que esta visão eurocentrica esta totalmente errada, e acredito que esta visão no Brasil vai ruir.
    O Brasil esta crescendo a passos largos enquanto países como o próprio Portugal cai 11 posições no IDH em apenas 10 anos e detalhe Portugal é membro da UE (e atualmente Portugal se encontra na incomoda posição de 9º país mais pobre, com 18% da população na linha da pobreza comparado inclusive a niveis brasileiros).
    este distanciamente e este bairrismo (inclusive nas minhas palavras) mostram que a tal lusofonia é um sonho abstrato fadado ao fracasso. Brasileiros ricos se sentem tudo menos descendentes de portugueses, brasileiros pobres se sentem tudo menos amor a vilã Portugal.
    E Angola, triste Angola, vive uma realidade distante do emergente Brasil, mas um país onde tenho um carinho especial e creio que em breve as duas nações terão laços melhores.

    Quanto a avaliação de São Paulo e restante do Brasil, somente os brasileiros sabem dar opinião nisso.

    Afinal tem portugueses que acham que Manaus e Curitiba são cidades vizinhas.

  19. Carlos says:

    Cai nesse blog por acaso.
    Eu li, e realmente aqui não falamos sobre lusofonia.
    O que sabemos sobre portugal não é muito mais do que vocês conheçem eu imagino.
    Aqui não falamos sobre portugal, tirando as aulas sobre história e geografia, mas isso se dar porquê faz parte da história brasileira, inclusive nós não gostamos de portugueses.
    Grande parte da população portuguesa é feita de brasileiros que não gostam do Brasil, e os portugueses também não gostam da gente, inclusive um brasileiro lá levou uma facada no peito só por ser brasileiro.
    O que eu quero dizer é que não damos mais valor para Portugal do que pra vocês, concordo com vc sim, na minha opinião pessoal, eu nunca vi países portu-africanos como países irmão, porque na África se fala várias línguas, eu sempre imaginei que vocês preferiam aprender o inglês, e o francês do que o Portuês que pouca gente fala aí, era por isso que eu não via Angola como país irmão. O Timor Leste é um bom exemplo disso, lá o Portugês é oficial, mas poucas pessoas falam portugês lá.
    Apesar das desavenças, eu via Portugal como país irmão, não por ser Europeu, mas pela credibilidade que eles dão a Língua Portuguesa, mas eu não gosto de Portugal, e dificilmente você verá uma notícia sobre Portugal aqui no Brasil.
    Eu concordo que deveriamos estudar mais os países portu-africanos pela simpatia que vocês tem por nós, eu estudaria com prazer sobre uma nação que gosta do Brasil e não uma que nos odeia como esse Portugal.
    Seria bom pros dois países se ouvesse maior integração, infelizmente a tanta sujeira aqui no Brasil que fica difícil ir dar apoio financeiro a outros países, mas esperemos por dias melhores.
    Salve para Angola aqui do Brasil, fiquem com Deus, irei pesquisar mais sobre Angola e Moçambique, quero algum dia ir pra Angola, quando eu ir concerteza a Angola vai ter dias melhores.

  20. Sal Albuquerque says:

    Rapaz…que comentário (usando o melhor pernambuquês) mais leseira esse feito aí acima. Pensei que no contexto da lusofonia real, estas pessaos estavam extintas !!!

  21. heralde says:

    Sou angolano e ja morei no Brasil durante 4 anos no interior de São Paulo (São Carlos) e tbm senti a mesma coisa, enquanto os idiotas dos angolanos idolatram os brasileiros no Brasil ninguêm sabe nem o que é Angola, ja chegaram até a me perguntar em parte do Brasil fica Angola, chega a ser chocante, na verdade eu fico com raiva dos angolanos e não dos brasileiros por idolatrarem tanto os brasileiros que nem moral dão para nós.
    O.B.S- Concordo plenamente com a opinião de Michell Niero que é a seguinte: Esperei as opiniões aparecerem para compartilhar contigo uma frase do escritor angolano João Agualusa que diz muito sobre o que penso a respeito deste assunto:

    “Penso , muitas vezes, em Angola e no Brasil como dois irmãos separados durante a infância. Quando um dia se reencontram, o irmão rico ignora o pobre; o pobre, pelo contrário, conhece tudo sobre o rico, as suas vitórias e os seus dramas, e incomoda-o a ignorância do irmão”.

    Um abraço

  22. Dominiciano says:

    Angolanos olham para o Brasil, mas brasileiros não olham para Angola.
    Enquanto os angolanos veem o Brasil como um “irmão mais velho”, os brasileiros pouco sabem sobre o país africano com quem partilham raízes lusófonas, embora as relações econômicas e políticas entre Brasil e Angola venham crescendo, as relações culturais entre os dois países ainda deixam a desejar, e são predominantemente de mão única…

  23. Jefferson says:

    Eu não entendo que culpa nós brasileiros temos por não conhecermos bem a Angola, nenhum brasileiro pediu pra ser idolatrado, e ao contrário do que muita gente pensa,eu nunca vi algum brasileiro dizer que nunca ouviu falar da Angola, mas não conhecemos nada de positivo de lá, eu não sei pra que tanta crítica ao Brasil,esse Francisco por exemplo, fala mau do Brasil e faz faculdade aqui, porque não faz na Angola então? O Brasil têm uma cultura própria, não temos culpa se os angolanos se prendem a cultura brasileira ou portuguesa, aqui no Brasil só aprendemos que Portugal colonizou o Brasil e só e que muitos escravos vieram da Angola, foi o que nos encinaram nas escolas o que podemos fazer? O resto não sabemos de nada…

  24. Sal Albuquerque says:

    Prezado Jefferson,
    Gostei de suas palavras, mas vou discordar num ponto. Não mantive em minha cabeça apenas que “O Brasil foi descoberto por Portugal e que vieram muitos escravos de Angola”.
    Sou brasileiro, e aprendi muito sobre Portugal, Angola, Moçambique, assim como os outros PALOPs, e algo sobre todos os países de passado lusófono.
    Fui até mesmo um dos pioneiros no Brasil, a se importar com o drama do povo de Timor Leste, oferecendo minha ajuda ao atual Presidente Ramos Horta quando o mesmo vivia exilado em Lisboa, e veio dá uma palestra em minha cidade. O Brasil só foi saber que Timor existia, após o New York Times divulgar uma ampla reportagem, e a ridícula Rede Globo tê-los imitados.
    Desculpa se vou contra tua opinião, mas os brasileiros em geral, nada sabem sobre os países lusófonos

  25. Joshen says:

    Não dá para julgar um povo ou outro. Você está no Brasil e deseja que 200 milhões de indivíduos adaptem-se aos seus costumes? Claro que não.

    E a “ignorância” dos brasileiros a respeito de Angola ocorre justamente porque o país não possui quase comércio com o Brasil, exceto por tempos recentes. Os brasileiros não sabem tudo nem sobre o Brasil, quanto mais sobre outros países, em outros continentes.

  26. elvis says:

    Angola com 18 províncias, com todas as capitais com telefone celular, e com muitos municípios desenvolvidos, e algumas comunas que nunca viram um pula(branco). Povo alegre, com mulheres batalhadoras, onde gostam da novela, musica, roupa, futebol brasileiros. Brasileiros gostam do tal ku-duro(eu particularmente prefiro semba ou tarrachinha), e capoeira(quase nao existe isso la em Angola). Mas realmente alem da língua falada e escrita(português), falta muito pra ser um pais irmão, pois nao sei como o Angolano e tratado no Brasil, mas sei muito bem como um Brasileiro e tratado em Angola em suas 18 provincias. Por sermos um pais irmão a unica facilidade que temos e na hora do visto, pois tem um guichê pra países da língua portuguesa, depois disso vem: dificuldade com vistos, propinas eu tudo, e racismo- sim racismo mesmo, pois fora do aeroporto se vc for branco, amarelo, marron, sera chamado de pula

  27. Valdineya Oliveira Santos says:

    Bom! Desde já, olá a todos. Sou brasileira nasci no estado da Bahia, vivo em São Paulo há mais ou menos uns 9 anos, nem sei bem o que dizer com relação ao que nosso amigo escreveu, mais em partes concordo! E vi que ele foi claro, bom! Estive em Angola e realmente aqui tem algumas diferenças digo aqui(São Paulo), quando se diz exatamente igualdade de Brasil e Angola isso se encontra no estado da Bahia a maior concentração e demostração desta realidade está lá, somos sim muito parecidos em hábitos alimentares, vestes e etc… Enfim, entendo o que nosso amigo Francisco escreveu mais amigo vou só fazer breve comentário e não me leve a mal, muitos em Angola conhece muito nosso país através da mídia e isso é ponto positivo no sentido de que um pouco daqui está sendo levado para fora mesmo para aqueles que aqui não habitam, eu estive em Angola ameiiiiiiiiiiiiiiii me sentir em casa mais algo digo com clareza algo está faltando devemos receber mais de Angola aqui, não tem um se quer canal de tv eu sou assinante net estive a procura de canais e nada, enfim a questão de conhecer ou não não diz respeito exatamente a grande curricular do Brasil, concorda? Não me leve a mal, não estou aqui colocando questões de certo ou errado, enfim eu me sinto super contente quando vejo aqui um angolano(a) apresentando pouco de Angola para nós, já os brasileiros são mesmo ousados nesse ponto vão lá apresentam e tal, entende? Quando soube que a Titica estava aqui poxa, eu gostei porque aqueles que só ouviram falar (Angola é país e faz parte do continente africano) e tal poderão conhecer pouco mais assim cabe muito de nossos irmãos angolanos(as) trazer mais da cultura de vocês, eu tive de ir em Angola e conhecer mais algumas coisas, sou noiva de uma angolano e sei que vou conhecer mais e mais da vossa cultura, porém se não tivesse um noivo que por sinal amor da minha vida que é angolano capaz de nem conhecer tanto que conheço, espero sinceramente em vocês esta apresentação, não estou defendendo aqueles brasileiros que são “alienados e tapados”, que não se interessam a conhecer novas culturas e tal mais no geral aqui falta MUITO DE ANGOLANO, de vocês irmãos angolanos(os). É isso, beijos e boa sorte, a propósito parabéns pela formação estamos praticamente na mesma área estudo Pedagogia estou praticamente na etapa final seria legal trocar algumas ideias com relação a nossa escolha. Espero que tu possa com tempo desmitificar essa imagem do nosso povo, mais respeito teu ponto de vista desde já.

  28. onailime says:

    Eu tenho pouca coisa a dizer, portanto era para informar ao meu mano angolano que se ele reclama e para mim com justa razão porque não é falta dos mideas brasileiros tanto a globo como a record sempre apresentam publicidade de angola pais que eu considero pais irmão da guiné-bissau,eu estou na guiné, não exigimos que os brasilieros saibam muita coisa dos outros que falam a mesma lingua mas pelo menos que saibam que existimos.
    Eu não conheço brasil e nem penso um dia la ir mas aqui na na minha terra sem esseção de idade (criança ou adulto) todos pensam que o brasil é um país não somente irmão mas fundamental um país amigo.
    A guiné-bissau é um país pequeno fica em africa tem fronteiras com paises francofones (Senegal e Guiné Conacri) mas tem melhores relações (Relações Sã) com Angola, Caboverde, Moçambique, São Tomé e Tmor Leste.

  29. Edmilson Carlos says:

    Vou vos dar uma dica manos, a linguagem de determinados povos se for a mesma, haverá interesses e intercâmbio de desenvolvimento. Mais isto não acontece com os países lusófonos,eu as vezes até penso que a ignorância partiu do própio país colonizador (Portugal), o mais agravante é que todos os países de língua portuguesa são ignorantes (“Maldição Lusófona”).Eu penso que para haver união e intercâmbio de culturas devemos evitar a descriminação em todos os sentidos. Mais o que eu acho é que deve haver mais união na parte lusófona.

    Edmilson Carlos [Angola-Luanda(Viana)]……

  30. heralde says:

    caro elvis eu em Angola tbm chamo os brancos de “pula”, mas isso não quer dizer que eu queira descriminar ou seja racista, chamo sem maldade nenhuma até pq aqui é normal, quando morei no brasil tbm me chamavam de nego, neguinho, negão e eu não via maldade nenhuma, agora isso de raciso há em toda a parte do mundo!

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