Ser criança em Cabo Verde é ser livre!
No meu tempo era passar o tempo todo andando com os pés descalços e perder os chinelos novos que a mãe comprou toda vez que começa uma brincadeira

"tchi-tchela tchitch", o esconde-esconde cabo-verdiano - brincadeira que raramente as crianças de hoje fazem, pois é preciso ter a escuridão da noite para que a brincadeira tenha piada
Ser criança em Cabo Verde é ser livre! No meu tempo era passar o tempo todo andando com os pés descalços e perder os chinelos novos que a mãe comprou toda vez que começa uma brincadeira; era ganhar cicatrizes que nos fazem lembrar dessas mesmas brincadeiras agora que crescemos, era brincar nas poças de água quando chovia, era ir para a praia sem pedir permissão e na volta entrar sorrateiramente na horta do Sr. António pra roubar cana-de-açúcar; era brincar com todos os colegas da classe, mesmo com a diferença social que existe em todo lugar; era ficar na rua até tarde e chegar em casa cheio de esfoladuras e arranhões, e ainda assim tomar aquela surra do pai porque já eram horas de estar em casa. Enfim era viver uma fase da vida que qualquer um de nós jamais esquecerá.
Cabo Verde, nas décadas de 80 e 90, era um dos melhores lugares para se ter uma infância, porque nenhum pai se preocupava com o trânsito ou com alguém que podia fazer mal aos seus filhos quando esses estivessem na rua. Mas infelizmente agora, como em todo o mundo, a tendência do pais é de se tornar cada vez mais perigoso. Por isso, crianças nas ruas a correr dum lado para o outro é uma visão bastante escassa.
Acredito que viver minha infância nos anos 90 na ilha do Sal foi um previlégio pois consegui fazer bastante coisas que hoje não já não se fazem. Brincar o chamado esconde-esconde, que em Cabo Verde é chamado de “tchi-tchela tchitch” pelos do tempo dos meus pais, “mangatcháda” pelos do tempo da minha irmã mais velha e “gatcháda” ou simplesmente de “31” pelos do meu tempo. É uma brincadeira que raramente as crianças de hoje fazem, pois é preciso ter a escuridão da noite para que a brincadeira tenha piada.
Mas hoje quando chega a noite as crianças já têm que estar em casa. Muitas outras brincadeiras se perderam no tempo e no esquecimento, como foi o caso do “muntim, sirumba, mizuar (este último que seria “mãos ao ar” interpretado no crioulo), entre muitas outras brincadeiras e travessuras que ajudavam no fortalecimento dos laços entre os amigos, pois eram atividades que primavam pelo trabalho de equipa. Pessoalmente falando, as amizades que eu considero inquebráveis foram feitas e fortalecidas através dessas brincadeiras e travessuras.
As crianças de hoje quase não têm cicatrizes causadas pelas brincadeiras, muitas vezes perigosas, que se faziam antigamente. Enquanto que por outro lado, todos os demais que tiveram suas infâncias nas décadas retrasadas – inclusive eu – têm cicatrizes em alguma parte do corpo, como nos joelhos, nas canelas, nos cotuvelos, na testa ou na cabeça, que são partes que sempre se encontram uma marca da vivida infância. Marcas que considero sinais duma infância bem passada e bastante divertida, apesar do mau bocado que passávamos na hora dos curativos.
No meu caso então, cada vez que olho para os meus joelhos, lembro primeiro da brincadeira que me fez ganhar aquelas cicatrizes, e logo em seguida dos procedimentos, quase que maquiavélicos, que o meu pai tinha na hora de fazer os curativos, usando, em casos de ferimentos um pouco mais sérios, água quente, álcool e por vezes tintura de iodo, que diga-se de passagem, arde muito mais que o álcool!
No final quando me levantava todo atordoado por causa da dor, tomava aquela palmada na bunda e ouvia: “Pronto! Agora pareçes um oz de brumedjaria pronto pra outra!”. Coisa que eu nunca soube como era, mas desconfio que são aqueles burros de carga todos esfolados (risadas).
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Não era só em Cabo Verde que a infância era uma festa, aqui no Rio de Janeiro também. Eu acho que no mundo todo era assim. Hoje, o computador, a Internet, a violência e etc., já não permitem que as crianças tenham infância. O que será que elas irão lembrar de bom quando crescerem? Quantos amigos de infância terão? O que contarão para os netos sobre a sua infância?
Abraços,
Rita Jakubovic
Crônica legal, me fez lembrar da minha infância, quando era muito mais seguro brincar na rua com os amigos. Hoje vejo poucas crianças brincando nas ruas ou parques, apenas na periferia isso é possível. Os mais ricos só no playground do condôminio e olhe lá. A violência está destuído a infância, algo valioso para qualquer ser humano.
Olá!
Infelizmente, é cada vez mais perigoso se viver em qualquer parte do mundo.Se em Cabo Verde está tão perigoso, em nosso país a situação é até muito mais crítica. Atualmente, são se tem tranquilidade para sair de casa para ir á padaria, à igreja, fazer uma caminhada ou até mesmo está na própria casa. Isso tem que mudar, devemos passar a ter liberdade, a ter tranquilidade e a sermos muito mais felizes.
Abraços
Francisco Castro
Obrigado Hendrik pelo breve passeio à minha infância!
Um tiv o previlegio d passa infancia ma bo!!! kel temp nox era inocente ma super feliz e no ka sabia alias no sabia sim, nox era tud unid…enfim vida pa frente lol
abraçao DNB
Realmente,á alguns anos brincar em Cabo Verde significava passar o dia na rua, sem se lembrar das horas, sem se lembrar de comer. A única preocupação era se divertir, sem se lembrar que ao virar da esquina o mal pode estar á espreita.
Hoje temos de nos preocupar os ditos “caçu body”, assaltos, trânsito e todo o tipo de perigos.
Nossas vidas e das crianças em Cabo Verde estão condicionadas pela violência, que para um país tão pequeno está a tornar-se excessiva e precisamos rever o papel da sociedade e do governo na educação dos cidadãos. Ainda podemos fazer algo!!
Aaaah Cabo Verde, como tenho saudades desse pais!
Agradeço muito a infancia que tive, pois alem das tais cicatrizes tb fiz amizades que restam pela uma vida inteira. Naquele tempo, criatividade era muito comum nas crianças de Cabo Verde. Hoje a maioria esta a crescer mais rapido do que a idade, e muitos ja nao querem saber de estar na rua a brincar. Pois como disseram, a violencia esta cada vez mais excessiva, mas isso nao eh o factor principal do porque as crianças de Cabo Verde, ja nao teem a mesma infancia do que qdo nos estavamos a crescer. Os tempos agora sao outros. Os mais privilegiados tem o acesso a internet, muitos passam a tarde na casa dos amigos num lanche basico ou a tirar fotos para colocar no hi5.
Tem um mundo de possibilidades e ha muitas coisas que as crianças de Cabo Verde, poderiam estar a fazer, ja que nao dao prioridade as brincadeiras.
Cabo Verde ainda tem muito que aprender….um dia vamos-la chegar.
Paz e Unidade,
Sivienne Gonçalves
Pois é Hendrik, tivemos muita sorte em ter nascido naquele tempo que já não volta mais, o tempo da liberdade, porque era isso que éramos, crianças livres, só nos resta olhar para trás e reviver esses momentos no nosso pensamento porque ver as nossa crianças a serem livres como fomos já não é possível.
Esses tempos tão maravilhosos ficarão marcados nas nossas memórias para sempre, e quiçá um dia um mito que passará de geração em geração.
hahahahah..aiiii Hend..so bo pa pom li ta ri moda um doida..UM ADORA bo texto.
linda infância sim senhor… hehhe..bo pom ta lembra ta corre de mama na hora dakess curativ, chei d tintura, alcool e água oxigenada….uuuuiiiiii
È Sempre gostoso relembrar a infância tempos que deixa saudades
meu Link http://oblogdasnoticias.blogspot.com/
Link da Tv portuguesa para matar a saudade
http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=20&visual=9&tm=8&t=Site-da-RTP-surgiu-com-face-renovada-e-com-conteudos-reforcados.rtp&article=205901
cole o link se não abrir no seu brouser e monte sua tv de Portugal Abraços Antonio.
Infelizmente, as cicatrizes das crianças de hoje, não são vistas a olho nú. Tem que se levar a um psicólogo, como se resolvesse.
Parabéns pela lembrança de um tempo em que crianças viravam pessoas. Hoje, não sei ao certo.
Abraços.
Não era só em Cabo Verde que a infância era uma festa, aqui no Rio de Janeiro também. Eu acho que no mundo todo era assim. Hoje, o computador, a Internet, a violência e etc., já não permitem que as crianças tenham infância. O que será que elas irão lembrar de bom quando crescerem? Quantos amigos de infância terão? O que contarão para os netos sobre a sua infância?
Abraços,
Rita Jakubovic
Crônica legal, me fez lembrar da minha infância, quando era muito mais seguro brincar na rua com os amigos. Hoje vejo poucas crianças brincando nas ruas ou parques, apenas na periferia isso é possível. Os mais ricos só no playground do condôminio e olhe lá. A violência está destuído a infância, algo valioso para qualquer ser humano.
Olá!
Infelizmente, é cada vez mais perigoso se viver em qualquer parte do mundo.Se em Cabo Verde está tão perigoso, em nosso país a situação é até muito mais crítica. Atualmente, são se tem tranquilidade para sair de casa para ir á padaria, à igreja, fazer uma caminhada ou até mesmo está na própria casa. Isso tem que mudar, devemos passar a ter liberdade, a ter tranquilidade e a sermos muito mais felizes.
Abraços
Francisco Castro
Oiiii nha mano kerido! Bo ta xtod k inspiração! Ma um tem k concorda k bo, no foi companher de td trakineza, de td brincadera k no tava sei gatchod pa mama ka oia nos e ai de nos se el tava ba tras de nos pk era porrada na certa, companher tb de td cintada, td palmada embora um tava leva nem ke um mas txeu por ser ma bedje (injustiça go), ma embora kes cicatriz ka ta tao presente na mi moda na bo, kel canela k bo tava jga kuase sempre frid pa papa da uma de enfermeiro (d filme de terror, lol)
Ma enfim, no ka tem k kexa pk no vive nos infancia dret e fliz e el tita nem xtod sempre na nos memoria como sendo tb um epoka de muito companheirismo por parte de td kem fz parte da kel gang de pretoria!! hehehe (cambada de pestes)
Bijim e continua!!
Txi amo by Mana
É sempre bom partilhar as nossas experiencias com outras pessoas,melhor ainda é quando essas experiencias trazem coisas boas, nao so para os que ja tiveram uma infancia parecida com a sua, mas,tb para os que infelizmente nao tiveram o seu previlegio.qual criança nao gostaria de ter uma infancia igual a sua??adorei o artigo apesar de ja conheçer a historia.bjs estou anciosa pelo proximo
é veio, legal o texto, nos eramos tao felizes e nem sabiamos disso, eu tbm tive o grande privilegio de viver essa infancia,
pena que mundo mudou tanto que infelizmente meus filhos e os meus netos nao terao essa sorte que nos tivemos
mas showw ess cronica fca kkool…
abraços
A melhor coisa na vida é quando as nossas vivencias passadas nos fortalecem para as novas conquistas.
Uma infância bem vivida é uma premissa certa para um futuro risonho.
Quando se da a oportunidade da criança crescer numa atomesfera alegre, cria-se condições para o progresso de um estado, pais ou mesmo nação, pois, “ninguém colhe o que não plantou”. Fico feliz em saber que apesar de tantos problemas que passam as crianças de África, ainda exite um pais onde se vive uma infância feliz, apesar da modernidade trazer consigo o resgate panóptico de Foucault onde “todos somos vigiados sem se dar conta de tal processo”, tal como você aborda quando deixa bem claro, “no meu tempo”
Um abraço. Amigo.”PALOP”
Adorei o texto, não só porque é sempre bom ouvir memórias de Cabo Verde nos tempos em que ninguém tinha medo de sair á rua mas também porque me faz lembrar a minha própria infância, no pacato bairro de Lém Cachorro, na cidade da Praia.
É certo que a minha adolescência foi (como mtos aqui apontaram) marcada pela internet, por interesses mais “modernos” e limitaçoes no que diz respeito á liberdade a que se refere.
Mas tenho muito orgulho em pensar que terei historias como a sua para contar aos meus futuros filhos e netos, historias de traquinices que me deixaram cicatrizes, de dias inteiros passados na rua a brincar “palmadinha”, noites calmas passadas a contar historias do “catxorona” e “nha bedja feticera”, banhos de chuva e bolos de lama!!! Entristece-me pensar que os meus irmãos mais novos não tiveram as mesmas chances, não puderam desfrutar de uma infância tão simples mas tão livre, porque nesse aspecto concordo plenamente consigo, a minha infância em cabo verde foi de plena liberdade!!!! Brincando “policia\ladron” no meio da estrada sem se preocupar com trânsito, sair á noite para comprar “freskinha” sem medo de ser abordado por thugs…. é uma pena que as coisas tenham mudado tanto, e que não se verificam mais esforços por parte da própria sociedade para contornar essa situaçao.
Olá !!!!!!!!
Sinto-me super feliz em poder compartilhar,com os nobres irmãos e amigos CABOVERDIANOS,neste ESPAÇO ESPECIAL. Estamos na cidade da Praia há 2 anos.Somos uma familia de origem Brasileira o nosso objetivo neste Paíz,além da EVANGELIZAÇÃO DO EVANGELHO PLENO (Bíblia),é tbem colocar em prática a VERDADEIRA CARIDADE (obras sociais).Isso estamos realizando principalmente na área INFANTIL. Pois desejamos que as cicatrizes destes pequeninos(as) crianças,sejam de REALIZAÇÕES DUM GRANDE FUTURO…Amamos CABO VERDE –
Pastor Ananias Rodrigues
Olá, minha filha vai fazer na escola um trabalho sobre brincadeiras tradicionais da infância em Cabo Verde. Algfuém sabe onde encontrar uma literatura sobre este tema mais detalhada?
Att, Maria Ângela