Quem quer dinheiro?
O governo japonês publicou um conjunto de medidas de auxílio aos estrangeiros sul-americanos de descendência japonesa com dificuldades frente a crise econômica. Porém uma delas em especial vem chamando a atenção da mídia e causando polêmica junto a comunidade brasileira. Dinheiro! Isso mesmo! Dinheiro!
Parece difícil de acreditar, mas é exatamente isso. Estão se prontificando a pagar nossa passagem de volta e a dar mais um dinheirinho pra ajudar nas despesas. Para ser mais preciso, a referida oferta é de 3 mil dólares, mais 2 mil dólares por dependente. E tem mais. Caso o candidato esteja inscrito no seguro desemprego e tenha mais de 30 dias para receber ele leva mais mil dólares de bônus e se tiver mais de 60 dias leva 2 mil dólares. Incrível não é mesmo?
Para ficar bem claro, vou exemplificar: um casal e um filho. Os dois acabaram de se inscrever no seguro desemprego. Ao invés de ficar mamando no seguro até a teta secar, eles resolvem voltar para o Brasil para ter direito a receber no mínimo 11 mil dólares, tirando os mil dólares de cada passagem ainda sobrariam 8 mil. Maravilha né! Mas tem um porém: não pode voltar por um período de tempo ainda indeterminado, quem sabe nunca mais. Provavelmente só quando a crise passar e a mão-de-obra for novamente necessária. Mas quem iria querer voltar havendo crise?
Parece ser uma bela oferta, mas o consulado, as associações e os brasileiros não estão gostando nada do presente e acusam a medida de ser discriminatória, visto que é dirigida aos dekasseguis somente. Essa historia toda me faz lembrar de um caso semelhante e que ocorre no Brasil.
Um determinado município, pra não ficar tendo gastos com os mendigos e ter sua imagem manchada, durante a madrugada, junta todos num ônibus, serve um lanche gostoso, deixa todos no município vizinho e ainda dá um dinheirinho, desde que não voltem. E então o problema passa a ser do outro município.
Para o governo japonês é uma oportunidade de se livrar de problemas futuros, de abrir vagas pro trabalhador japonês e fechar de vez as portas para o dekassegui substituindo a mão-de-obra brasileira pela chinesa, coreana, filipina, indiana , paquistanesa, que em geral são 50% mais barata e se adaptam muito mais facilmente a cultura japonesa.
Para o brasileiro que está quebrado e teria que trabalhar, quem sabe mais um ano só pra comprar as passagens me parece ter caído do céu. Para quem está empregado e só está empatando o dinheiro, pagando conta e comendo, não seria uma má idéia. Penso até que seria uma opção a ser analisada pelos que deixaram de ser dekasseguis, aqueles imigrantes que fixaram morada no Japão estão até o pescoço de dívidas e vêem o salário minguando dia após dia.
Essa medida me parece que só não é boa para as sanguessugas que estão acostumadas a ganhar dinheiro fácil e a viver com estilo as custas do suado dinheiro do dekassegui.
Quanto ao consulado, acho que ele perdeu uma grande oportunidade de ficar calado. Já que aqui sua única função pratica é vender carimbadas e papéis timbrados com nosso honroso selo nacional.
Nas atuais circunstâncias, só posso aconselhar os interessados que não pensem demais, muito menos trezentas mil vezes, como sugerem alguns. Nos próximos cinco anos muita coisa pode acontecer. O dinheiro pode acabar, o Japão pode quebrar, pode ocorrer um terremoto devastador ou o Pyongyang pode devastar o Japão antes. Uma delas certamente acontecerá. Só não consigo enxergar melhora na economia nesse prazo.
Tags: brasileiros no japão, capitalismo, crise dekassegui, crise mundial, embaixada brasileira, lusofonia no japão, neoliberalismo, protecionismo, TRAÇOS CULTURAIS, vida urbanaPOLÍTICA DE COMENTÁRIOS
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Gostei da tua fala,tô contigo…Sou 100% BRASILEIRO… E não desisto NUNCA…
Gostaria que meus irmãos brasileiros não precisassem ir ao Japão para ganhar dinheiro…tenho esperança que dentro em breve nos seremos uma economia sólida e vamos dar oportunidade a nos mesmo e fazer de nossa nação autosuficiente e ajudar as que precisam crescer alem de nossas fronteiras…sonhar e possivel agora realidade so o tempo dirá…fuiiiiiiiiiiiii
Japão está bem agressive nas contratações ;D