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Ambriz, na província do Bengo

por
sandraugrin@opatifundio.com
31 de March de 2009

ambriz 109 300x203 Ambriz, na província do BengoAmbriz, na província do Bengo, é uma cidade relativamente próxima a Luanda, cerca de 250km, mas a estrada é horrível. Levamos quase três horas para percorrer os últimos 100km entra a Barra do Dande e Ambriz.

Ao contrário das outras cidades essa fica na parte de cima da praia. E pela primeira vez cheguei em uma praia que estava limpa, completamente limpa. Talvez a falta de acesso justifique a limpeza do local ou quem sabe a dificuldade de chegar a cidade.

Não importa a praia é limpa e linda.

A cidade meio abandonada e muito tranquila, não dá muito bem para explicar, mas é como se eles estivessem a parte do resto de Angola. A rua principal é toda cortada por um enorme jardim com bancos e aquele ar bucólico de interior brasileiro. O destaque fica para as ruínas de uma antiga câmara que abriga a torre do relógio. A torre permanece em pé ao contrário de todas as outras paredes que já foram ao chão.

Há anos atrás dizem que a cidade era um importante posto pesqueiro, ainda existem muitos pescadores e peixes secando ao sol.

ambriz 066 300x199 Ambriz, na província do BengoA cidade fica num local muito bonito, de um lado o mar e do outro umas espécies de lagoas com areias branquinhas.

Uma coisa que chamou a atenção é que lá ao contrário dos outros lugares ninguém vem pedir dinheiro ou comida, nem mesmo ficam olhando quem são os forasteiros que chegaram.

Para quem pretende conhecer o lugar apesar da estrada ruim, indo com calma e durante o dia chega-se fácil. Existe uma hospedaria na cidade em condições precárias, mas é o suficiente para um banho e uma noite de sono tranquilo.

O único restaurante da cidade oferece uma excelente comida caseira com preços justos. Mas atenção é necessário ir antes da hora do almoço/jantar e fazer o pedido com antecedência.

Crédito fotos: Marcos Perallta

 Ambriz, na província do Bengo

Sandra Ugrin

é brasileira e trabalha em Luanda na área de marketing com inteligência de mercado. Para saber desta e de outras histórias, acesse o blog Menina de Angola.

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18 comentários

  1. sandra – um belo lugar pelo que tu descreve..fico imaginando mundo afora quando milhoes de belos lugares desconhecidos nao existem e que nao temos tempo para conhecermos a todos mesmo que tivessemos cem vidas…tenho carinho por angola e o resto da galera que foi colonizada por Portugal (que fez uma baita cagada, convenhamos)…viajei um pouquinha a costa da africa mas ja to de volta no meu sulzinho frio. sucesso

  2. Deve ser muito bonito. Um paraíso perdido. Esse ar de abandono dá-lhe um ar misterioso que a torna mais atraente. Gostava de conhecer Angola e as suas gentes, quem sabe um dia eu tenha essa possibilidade.
    Parabéns Sandra

  3. Legal o lugar Sandra. Eu não conhecia essa cidade, afinal aqui no Brasil só falam de Luanda. Parece que não existe mais nada em Angola. Ainda bem que temos o Patifúndio! Abraços.

  4. O segredo é que a gente observa sob outra perspectiva. Enquanto que a mídia tradicional olha pelo lado econômico, nós vamos pelo cultural. É por isso que Luanda, assim como Maputo em Moçambique, são hegemônicos no que diz respeito à cobertura dos países. São pólos econômicos mas não culturais.

    A cultura não tem endereço fixo, não é valorativa. Cultura serve para ser entendida, respeitada e servir como elemento para a construção de um mundo. E a gente vem construíndo esse tal de mundo lusófono a quase um ano!

    Um abraço

  5. Um ótimo lugar, dá uma vontade enorme de conhecer.

  6. Adorei esse relato sobre a cidade. Que aventura, hein! Também me lembrou o interior brasileiro. Deve ser uma experiência fora de série! Abraço

  7. andre says:

    sandra – um belo lugar pelo que tu descreve..fico imaginando mundo afora quando milhoes de belos lugares desconhecidos nao existem e que nao temos tempo para conhecermos a todos mesmo que tivessemos cem vidas…tenho carinho por angola e o resto da galera que colonizada por Portugal (que fez uma baita cagada, convenhamos)…viajei um pouquinha a costa da africa mas ja to de volta no meu sulzinho frio. sucesso

  8. Ana Maria says:

    Eis aqui, nesse texto, a prova indiscutível de que as palavras são mágicas.

    Como por encanto, ja estava vendo a praia, que, de tao limpa, também tinha sua água clara e tranasparente.

    Na magia das palavras, percebi humildade e ao mesmo tempo, integridade pela história que se contruira ali ha tempos.

    Por pouco, nao senti o cheiro da comida caseira e antevi, na mesa posta, várias tijelas com a comida bem diversificada, como é comum, servir no interior.

    Uma sensação deliciosa!

    Palavras encantam,quando quem escreve traz a alma pura ainda, desintoxicada do mundo ao redor.

    Doçura enfim!

  9. Legal o lugar Sandra. Eu não conhecia essa cidade, afinal aqui no Brasil só falam de Luanda. Parece que não existe mais nada em Angola. Ainda bem que temos o Patifúndio! Abraços.

  10. Oi, Sandra! Adorei seu relato sobre a cidade. Que aventura, hein! Também me lembrou o interior brasileiro. Deve ser uma experiência fora de série! Abraço

  11. Maria Vieira says:

    Amiga Sandra, fiquei comovida de ver escrito algo sobre a Vila de Ambriz hoje cidade, de onde eu nasci e que não visito há 40 anos. Não se esqueça quando visita algo e escreve sobre o que visitou, que o faça com alguma precisão.As ruínas de que fala, não é de uma antiga Câmara, no tempo Colonial, não existiam Câmaras mas, sim, Administração.O edifício que descreve e se vê nas fotos publicadas, era a escola, que posso provar oportunamente com fotos que possuo do meu tempo de estudante de 1963 a 1968.
    A Vila no meu tempo, chamava-se, S.José de Ambriz. Rodeada de praias e de uma baía onde existia umas salinas muito produtivas para o distrito,sobretudo na conservação do peixe e carne.Até, aos anos 60 Ambriz foi um importante porto de mar, fazendo escoamento de café que chegou a ser o mais famoso do mundo.A qualidade deste café baixou, quando, o governo colonial mandou que técnicos o classificassem por categorias, perdendo qualidade por falta de profissionalismo e oportunismo de quem o classificava que encheram os bolsos e fizeram fortunas, vendendo todo o tipo de zurrapa.
    Grande produtora de ostras_comi das melhores ostras até aos dias de hoje,e um grande porto piscatório. Garopa, Corvina,entre outros peixes de grande porte eram pescados à linha no tempo em que se pescava conforme se precisava.

  12. Olá Sandra!
    Tenho um site e um fórum onde divulgamos a nossa terra mãe.
    Sou angolana e como muitos estou no brasil. Mas como a saudade é muita sempre buscamos imagens e dados dos kimbos (cidades).
    Se nos permitir mostra a matéria e as imagens em nosso fórum, e logico dando os créditos e link de onde foi retirado.
    Ficariamos gratos.
    Pois estamos espalhados por muitos paises e a busca de informações é grande.
    Aguardamos contato.
    Levei imagens do bengo … se não permitir sera retirado.
    Um abraço angolano.

  13. CarlosPestana says:

    E com imensa alegria que vejo alguem descrever uma cidade que estive por lá nos 1973, pois a torre que hoje ainda esta de pé era um dormitório em 73 ja não era camara mas sim um local de dormitório para militares portugueses , só gostaria de saber se ainda exite o cinema e um capo de futebol com bancada um obrigado gostaria de ter noticias dessa cidade meu nome e Carlos

  14. Alexandra Marques says:

    Olá Sandra,
    Ando sempre por aqui e vou procurando tudo o que diga respeito a Angola pois nasci lá há 50 anos e é uma terra que não se pode esquecer nunca, ainda hoje eu sinto o cheiro daquela terra que me viu nascer e ma viu partir e quem sabe me verá voltar. Ambriz é um dos sítios que muito me diz e muita saudade me deixa pois passei lá alguns anos da minha adolescência e parafrazeando alguém “já fui muito feliz nesse lugar”. Confirmando a Maria Vieira que diz que essa torre não é a Câmara lá do sitio não é não senhora é sim a torre da Escola primária onde a minha mâe foi professora nos anos 70 e tais e que por ser a directora da escola morávamos mesmo nesse edificio por isso percorri bem todos esses cantinhos. O nosso quarto era mesmo aolado da atorre e lembro-me dos barulhos terriveis que por lá se ouviam e que me amedrontavam durante a noite. O grande quintal que tinha para trás com umas àrvores frondosas e das quais pendiam durante o dia uns morcegos horrorosos sendo esses os culpados dos meus medos nocturnos.
    Era e deva continuar a ser uma terra linda aquela prais linda que a rodeava quantas vezes a percorri e fugia a sete pés daquele mar que apesar de calmo era por vaezes traiçoeiro e por isso engoliu muita gente. Aquelas ostras suculentas que aquelas pirogas traziam edepois levávamos para a piscina e nos deliciávamos em grandes patuscadas enfim foi bom recordar esta terra que me deixa muita saudade e claro de todas as pessoas que a povoavam e partilharam comigo muitos bons momentos outros menos bons mas a vida é feita disso mesmo. Era uma terra de boa gente e nas férias escolares cheia de vida pois tantos como eu lá iam passar as suas férias e daí todo um reboliço próprio de gente nova, cheia de sonhos, de paixões de tudo. Muito gostaria de lá poder voltar e reviver todos esses bons momentos de uma vida que aos 17 anos sofreu uma reviravolta mas cá estou. Um abração para si, continue visitando essa linda terra e para todos que por lá passaram.

  15. Ventura Bengo "Nhanlo Há Nkeng" says:

    Antes de tudo, às minhas cordiais saudações e êxitos nos seus trabalhos. Sou natural do Ambriz, descendente de uma nobre e tradicional familia da região. Neto materno e paterno de Bem Bembwa, Malwa Benbwa e Nsaba Markanda. Gostei da descrição que faz das praias da localidade. Mas, lamento o estado do edificio da torre, onde por ironia do destino lá estudeu. Também gostria de referir que o Ambriz é muito mais do que aquilo que viu. Reitero os meus agradecimentos pela divulgação.

    Obs: Naquela terra, grupo etno-línguistico Kikongos, sairam grandes nacionalistas e revolucionarios que libertarm Angola do jugo colonial português, casos dos irmão Bengos, Eugenio e Mabiala, Viper, entre outros.

    Vbengo
    Tel. 923411095

    Luanda – Angola

  16. Rui Manuel da Silva Santos says:

    Olá Sandra, és mt legal trazendo até nós recordações do passado e, que a mim, enxem-me de saudades. Eu nasci, acidentalmente, no Ambrizete, mas aminha infancia foi passada no Bembe onde o meu pai era o encarregado geral das Minas do Cobre do Bembe e onde era a nossa residencia. Como no Bembe a escola só ia até a segunda classe tive que vir fazer aterceira e quarta classes na escola primária do Ambriz, nessa saudosa escola com com a sua magestosa torre e o relógio. A torre dividia o edifício em duas partes sendo uma a sala dos meninos e a outra a sala das meninas e, no recreio, não havia cá ajuntamentos porque era proibido…outros tempos. AMBRIZ tinha boa praia, bom peixe e boas ostras que vinham do Capulo, umas salinas perto da vila. Fiquei desolado e triste ao ver o estado do edifício…é um crime. Pronto aqui deixo o meu comentário que o escrevi com uma certa nostalgia e…tristeza. Um mt obrigado para a Sandra e que continue na sua bela missão.

  17. jaime dias correia says:

    linda cidade de ambriz fui militar nos anos 72 a74 e estive varias veses nessa linda terra agora destruida tenho pena de nao exestir um governo de angola ke se interese por essa linda terra fui e continuo a ser um amigo de angola faço força para ke ambriz seja um dia a mesma linda cidade das praias daS AGUAS KENTES e kem sabe akela picina junto a praia volte aser o kefoi outrora um abraço do correia sol comando do c i c meu contato 961225805

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