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Um Brasil angolano: a TV brasileira em Angola

por
adibel11@yahoo.com.br
27 de February de 2009

Não seria nenhum equivoco afirmar que a capital de Angola é uma colônia brasileira

brasilangola 300x203 Um Brasil angolano: a TV brasileira em AngolaBem aventurados sejam aqueles que amam essa desordem, bem aventurados sejam os senhores do progresso e da mídia e da famigerada Rede de televisão. Primeiro, porque é fato que a “televisão” é uma das criações tecnológicas do ser humano, que foi tão disseminada a ponto de ser conhecida de toda a humanidade. Logo, esse “fato” já é uma das demonstrações de INFLUÊNCIA da televisão em toda sociedade. E pensar particularmente, que paises como Angola, devido a sua situação sócio-econômica e estrutural, precarizadas pela recente guerra civil, tem sido alvo da TV mundial, sofrendo diversas influências no âmbito social, cultural e política.

A TV brasileira juntamente como a TV portuguesa, passam a exercer maior influencia em Angola, não só pela semelhança no idioma, mas pela agilidade e inovações tecnológicas diferentemente da TV local, nesta ordem podemos observar as transformações culturais na atual conjuntura do país. Onde sem sombra de dúvida destaca-se a TV brasileira como maior instrumento de venda e influencias de parte do povo angolano. A mesma TV que faz uma imagem de uma Angola extremamente miserável e desgraçada pela injustiça social, é a mesma que vende para esta sociedade uma ideologia dominante, de consumo e valores modistas, fatores extremamente visíveis no nosso cotidiano, levando-nos ao empobrecimento cultural. Esse é o retrato de parte da juventude angolana, descompromissada e aculturada.

Para um tema tão atual e tão complexo o autor McLuhan diz que “é difícil apresentar de forma sistemática ou visual a influência da TV, porque ela afeta a totalidade de nossas vidas: Pessoal, política e social. No entanto não é difícil verificar a influência que ela exerce na “perda de identidade cultural”: a mudança dos modos, a assimilação da cultura abrasilerada no exterior, incorporando a forma de vestir, de comer globalistico, os tipos de música que se ouve, as ditas populares etc. E o maior importador desses novos modos é a televisão.

É obvio que conhecer a cultura do outro é importante, não só para quem conhece, mas também para expansão dela, mas deve-se ter cuidado para não se perder seus próprios valores e nem viver sobre valores esteriotipados. No que tange a criação de estereotipos, sem dúvidas, a TV brasileira tem sido muito eficaz em suas novelas, comerciais, e até na imagem ilusória de um Brasil soberano e bem sucedido.

Este suposto veículo de cultura de massa já pode ser considerado um fato social, que está à disposição de todas as classes sociais e níveis culturais de Angola. Que tem penetrado na intimidade cotidiana de cada indivíduo de uma forma tão absoluta, e capaz. Que tem promovido mudanças estarrecedoras nos hábitos, comportamento, linguagem de maneira incontestavelmente forte. E não seria nenhum equivoco afirmar que a capital de Angola é uma colônia brasileira.

De mesmo modo vale ressaltar a falta de comprometimento dos governantes, a falta de políticas para minimizar estes fatos, pois pensar que “a televisão” é que influi no ser humano ou na sociedade é esquecer que fomos nós (homens) que criamos esse meio “de comunicação”.
Um outro aspecto importante é que neste período pós-guerra a mídia tem apresentado um lugar de destaque na filosofia consumista, no avanço de novas tecnologias. Entretanto, mesmo criticando seu papel na formação de valores, é freqüente ver jovens e adultos estabelecerem planos que envolvam a propaganda da TV, conferindo, com essa atitude, uma supervalorização a esse veículo de entretenimento.

Em suma, embora os adultos, os jovens e as crianças tenham consciência de que somos profundamente marcados pela cultura do consumo, os jovens pais acabam utilizando os bens de consumo como um meio para aumentar sua auto-estima ou “estatos” sociais. Certamente essa atitude acaba por reforçar aqueles mesmos comportamentos já citados. Desse modo, a manipulação veiculada pela TV e pela cultura do consumo é sustentada e reforçada nas relações intersubjetivas no âmbito da família, tendo a mesma família como principal canal de interlocutor de sociedade x cultura.

Para finalizar, é possível reafirmar que este veiculo é representante e mediador dos interesses do Estado e das classes dominantes. A TV em Angola e em outros paises tem sido um instrumento de controle da opinião pública e de influencia a mentalidade do povo, que quanto menos esclarecido mais influência recebe da televisão. Prova disso que a TV cria e se desfaz de ídolos em questão de segundos, transforma tramas de ficção em problemas nacionais; o domínio sobre esta produção, enfim, é o poder de criação do ambiente propício à formação de consciências. Não precisamos buscar um exemplo muito distante, infelizmente quem visita Luanda verá que parte desta cidade é estrangeira.

 Um Brasil angolano: a TV brasileira em Angola

Adill Abel

é angolano, mora no Brasil e estuda Serviços Sociais na UNITAU (Universidade de Taubaté) no interior de São Paulo. Atualmente cursa mestrado em Ciências Políticas na PUC-SP

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51 comentários

  1. Antonio Tostes says:

    Bem, se uma pessoa não gosta do que escrevo é um direito que lhe assiste, bem como tenho também o direto de discordar do que outros escrevem por ai, isto é democrático.
    claro que não existe imparcialidade na mídia,isto é o óbvio ululante, a parcialidade e os interesses inconfessos existem em todos os veículos, e obviamente em todas páginas na net que publicam apenas as opiniões que lhes dizem amém a sua ideologia e seus interesses próprios.Talvez não tenha entendido, mas vou explicar melhor, disse que sei das normas de um blog, inclusive da possiblidade do autor de não publicar ofensas e comentários que poderiam ser considerados verdadeiros cagalhões pseudofilosóficos ou agressões gratuitas.Estes sim deveriam ser detonados como não producentes,falem bem o mal deste ou daquele país, afinal uma coisa é escrever opiniões sobre um tema, outro é , como disse um comentarista anterior a mim em momento de inspiração: infelizmente tem muitos que tentam transformar os espaços dos blogs na versão on line do que escrevem nas portas das latrinas.
    Era disto que falava.
    Da mesma forma me incomodam muitas coisas no Brasil, mas em termos de tirania me icomodam muito mais os babacas que se acobertam nos partidos políticos do que os que moram em nossos estômagos, até porque se moram em nossos estômagos uma hora serão devidamente cagados. Por falar em cagadas, mesmo não curtindo a globo, não a vejo como a encarnação da maldade, é apenas uma emissora, que como as outras puxa a sardinha para sua brasa, sem vitimizar a população ou transforma-la em cúmplice, creio que Angola por ter abraçado um outro modelo de governo por muitos anos sofreu muito mais a influência da mídia da verdade única ditada pelo politburo do partido único e centralizador. Creio que aspecto, ou melhor o que sobrou disto, deveria incomodar mais a um angolano que a grade das emissoras brasileiras.Curioso, aqui no Brasil no início dos cursos de comunicação fala-se de emissor, receptor, mensagem e feedback, depois que os conceitos básicos são assimilados é que se fala dos interesses e limites da comunicação.
    Tudo de bom, Antonio

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