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Metrô – Parte III

por João Pinheiro
joaopinheiro@opatifundio.com
16 de February de 2009
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Mais uma vez trago desenhos feitos no metrô de São Paulo

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Pela manhã, as pessoas ainda estão meio que dormindo em pé. Por conta disso, caminham como zumbis, automaticamente, seguindo em fila para o trabalho, como gado açoitado. Quem vive em São Paulo, acredito eu, vive uma eterna relação de amor e ódio com a cidade. Confesso que no final do ano passado estava de saco cheio da verticalidade, da poluição, da correria, e de tudo o que acontece nessa babilônia que é a “terra da garoa”…

Mas não adianta, uma vez aqui, não tem como escapar, não me imagino vivendo em outro lugar, pelo menos não nos próximos 30 anos. E além do mais, se São Paulo é feia como dizem é também, por outro lado, a cidade das pessoas, aqui tem gente de todos os cantos do Brasil. E por Deus, como tem gente nesta cidade! É justamente aí que reside sua maior riqueza, afinal, são estas pessoas invisíveis que movem toda a engrenagem da maior cidade do País. Invisibilidade esta que só é superada quando ocorre um caso como o da comunidade de Paraisópolis, só pra citar um caso recente, onde os moradores se revoltaram, segundo alguns relatos, devido à brutalidade exercida pela polícia da região. Não vou entrar aqui no mérito de quem estava certo ou não, apenas reforço, o já sabido, descaso exercido pela classe dominante contra o povo pobre, que só em casos semelhantes passa a ser palpável e, infelizmente, este não é um caso isolado.

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Bem, voltando ao assunto do desenho, no dia-a-dia, todos parecem estar de saco cheio. Tudo muito compreensível visto que a maioria vive uma rotina difícil de trabalho árduo, pouca grana e falta de esperança quanto ao futuro. Apenas vamos sobrevivendo e vendo o rio da vida passar sem mergulhar nele. Não tem como não notar o ar melancólico que predomina nos vagões. É como se estivéssemos todos esperando que alguma coisa bacana acontecesse, sei lá… sacar o sentido da vida, arrumar um emprego digno, uma garota pra dividir as coisas, o final do ano e toda uma sorte de sonhos que uma pessoa pode ter.

Pela janela, as casas vão correndo pra trás, o Sol mais forte agora, recortando a calçada, vamos observando a paisagem, mas não vemos nada, cada um está em seu próprio mundo, viajando, mergulhado em pensamentos, vagando, à espera de dias melhores.

João:
é brasileiro, cartunista, ilustrador e escreve todas as semanas - com textos e imagens - na Revista O Patifúndio! Conheça mais do trabalho brilhante do João no portifólio dele e nos blogs Os Subterrãneos e Cabeçorra e Corvolino.
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1 comentário

  1. a tranquilidade de ir de metrô faz a calma da manhã permanecer na maioria dos corpos…então tais zumbis ficando presentes…até tomarem conta que já sairam da zona de conforto.

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