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TV brasileira não é maningue nice (parte I)

por
michellniero@opatifundio.com
10 de February de 2009

Antes de tudo, um panorama geral

Encantados pela janela mágica do entretenimento, Angola e Moçambique deixam de saber o que está por trás das novelas da Globo; então, vamos abrir a caixa-preta

maningue nice= muito legal na língua das ruas moçambicanas

capítulo II na semana que vem – a influência da TV Record nos lares da África

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Brazilian Way of Life: Seja pela TV aberta ou paga, modo de vida brasileiro baseado nas novelas chega a boa parte da áfrica lusófona

A influência brasileira nos países africanos de língua portuguesa, especialmente em Angola e Moçambique, só tem crescido nos últimos anos. Pela tela da TV um Brasil disfarçado, construído com base em clichês e omitido cirurgicamente por meio de novelas, telejornais, programas de variedades e seriados das redes Globo e Record.

Incentivo ao consumo e ao materialismo, irresponsabilidade, superficialidade, manipulação e omissão. Palavras fortes, mas são adequadas ao se analisar a TV brasileira desde 1950, data das primeiras transmissões na “terra de cristo rei”. Todas as lições que os brasileiros tiveram do “american way of life” estão lá, assim como o jeito especial de se portar diante da política, da violência, dos negros, do sexo, das mulheres e dos gays. A TV reflete o comportamento do brasileiro e ao mesmo tempo influencia o modo que ele enxerga o mundo.

Podemos chamar esse conjunto de hábitos, costumes, crenças e valores assistidos por angolanos e moçambicanos de “brazilian way of life”. Estão lá nossos defeitos, nossas virtudes, nossa falta de caráter e tudo aquilo que convém mostrar, mesmo não sendo a realidade, desde que seja rentável economicamente à emissora.

Apesar do pouco tempo no continente, as duas emissoras, Globo e Record, conseguiram embutir no imaginário do africano falante do português esse “brazilian way of life”, que é visto como um modelo de sociedade possível, vindo justamente do irmão colonizado que mais se deu bem depois da independência.

O negócio do controle remoto

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Menina dos olhos africanos - 160 dos 500 mil que assistem a versão internacional da Globo vêm de Angola

Mesmo sendo oferecidos em pacotes de TV paga, as emissoras brasileiras despontam como vice-líderes de audiência em Luanda, capital e centro econômico de Angola, perdendo apenas para os canais de TV mantidos pelo governo. Angola é a “menina dos olhos” da Globo por concentrar a maior parte dos assinantes do canal (160 dos 500 mil que assistem a versão internacional da Globo).

A TVCABO oferece a Record no “pacote base” e inclui a Globo no “bué mais”, uma espécie de pacote especial. De acordo com o site da empresa, para se ter as duas emissoras, o angolano precisa desembolsar 90 dólares por mês.

Além de Globo e Record, os pacotes de TV paga incluem também os canais da rede portuguesa SIC, conhecida por comprar direitos de transmissão das novelas da Globo. Dentre os canais abertos, a TPA (Televisão Pública de Angola) também exibe folhetins brasileiros, vindos da Globo, em sua programação.

Em Moçambique, a TIM (Televisão Independente de Moçambique) e a STV também realizam este tipo de procedimento, comprando novelas e seriados da emissora brasileira, além de poder contar com o pacote pago da mesma TVCABO.

Ao todo são quatro emissoras moçambicanas, uma pública e três privadas, todas elas seguem o modelo global de exibir uma novela ou seriado depois do telejornal. A Miramar, porém, exibe apenas novelas da Record e a TIM procura exibir também novelas portuguesas.

Tanto Globo como Record exibe praticamente a mesma programação transmitida no Brasil.
Algumas alterações de horário, retiradas de desenhos e filmes e inclusões de programas feitos especialmente a África lusófona são percebidas na programação da Globo para angolanos e moçambicanos. Programas como o seriado “Malhação”, que traz a realidade de uma parcela mínima da população brasileira em idade e são sucesso de audiência. Diferentemente do Brasil, a atração é passada em dois horários na programação, uma na parte da manhã e outra no início da noite.

Outra diferença fica por conta do Jornal Nacional, que é exibido por volta da meia noite, o que torna o famoso “boa noite” de William Bonner quase que um bom dia. Os espaços deixados pelas sessões de filmes são ocupados por programas como o Revista África, apresentado pela ex-miss Angola Lesliana Pereira, e atrações produzidas pelos canais GNT e Futura, oferecidos pela Globosat a Brasil e Portugal.

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Entreter, influenciar e dispersar

Entreter, influenciar e dispersar

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Foguinho - sucesso do personagem interpretado por Lázaro Ramos foi tanto que o ator foi convidado para ser jurado de miss-Angola e garoto-propaganda

Muito embora tenham o lado positivo de trazer a África um pouco das belas paisagens brasileiras, de trazer à tona temas importantes como o aborto, a AIDS, a doação de órgãos e a violência contra a mulher, vamos nos ater ao lado perverso das telenovelas brasileiras.

Cortes de cabelo, adereços, roupas, gírias, comportamentos semelhantes ao personagem da novela, futebol, músicos de pagode e axé e piadas de duplo sentido. Pela identificação com o Brasil, todo esse caldeirão cultural tupiniquim chega a Angola e Moçambique como pratos prontos para serem devorados. Por lá temos novos “Foguinhos” e “Petrúcios”, novas “Márcias” e “Jades”, novas “Ellens” e “Leonas”, e quem ganha com isso são os anunciantes, que geralmente correlacionam esses comportamentos a determinados tipos de produto.

“Podemos destacar duas vertentes dessa influência. Uma se manifesta na língua tanto na questão lexical em palavras como gororoba, gente fina, legal, beleza, maneiro, como no sintático e discursivo. Também existe a adopção do sotaque brasileiro em palavras e a imitação da ‘melodia’ brasileira nas frases”. O estudante de sociologia Arsênio Matavele, que é moçambicano, afirma também que a TV brasileira influencia o comportamento das pessoas. “A outra vertente é a que se manifesta a nível do imaginário e dos modelos de vida que as personagens representam”, diz.

Gírias como “eu sou chique bem” se tornaram uma febre nos locais onde as novelas brasileiras são exibidas em Moçambique. Tudo isso se deve ao sucesso estrondoso do folhetim Chocolate com Pimenta, em que a personagem Márcia, vivida pela atriz Drica Morais, se utiliza a todo momento dessa expressão.

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Sou chique, bem - sucesso da novela Chocolate com Pimenta trouxe novas expressões ao vocabulário do moçambicano

Em Moçambique, o sucesso das novelas é presente em todas as classes sociais, sejam homens ou mulheres. Os mais velhos, porém, dizem que as novelas brasileiras são uma má influência para os jovens. Nosso colaborador em Moçambique, Elisio Leonardo, observa que ninguém por lá entende muito bem qual é o real sentido das novelas brasileiras, mas mesmo assim todos querem copiar o estilo de vida das personagens. Celso Amade, que também é nosso colaborador por lá, afirma que entre casais assistir ou não novela influencia diretamente a vida sexual. “Sem canais brasileiros e sem novelas não há harmonia em casa. Se a mulher não viu as novelas dela entre 20 e 23 horas não vai haver sexo de jeito nenhum”, diz.

Assim como no Brasil e em Moçambique, as novelas criam tendências, mexem no vestuário, no vocabulário e na maneira de se portar do angolano. Fazer alguma coisa antes ou depois da novela também se tornou comum em Luanda e arredores. Nos grandes mercados populares a céu aberto da capital são vendidos roupas e acessórios de acordo com o sucesso da personagem da novela. O engraçado (pelo menos aos brasileiros) é que muitas dessas roupas vêm do bairro do Brás, em São Paulo, famoso pelas lojas populares e tecelagens.

Em Angola existem os mercados a céu aberto e as zunguerias, que são as vendedoras ambulantes. Geralmente, elas vêm até São Paulo via TAAG (Linhas Aéreas Angolanas) para buscar o Brazilian Way of Life diretamente da fonte. Se em 2007 eram os modelitos iguais aos de Ellen, personagem vivido por Tais Araújo na novela Cobras e Lagartos, hoje são as personagens das novelas Duas Caras e A Favorita que nutrem nelas o padrão de beleza supostamente brasileiro.

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O que a Globo não diz

O que a Globo não diz a África

Manipulação do voto, padrinhos políticos e influência nas decisões democráticas. Depois de consertar a interferência do chuvisco na telinha, a Globo passou a interferir no destino histórico e político do Brasil

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Aprontando das suas em Angola - Globo intenacional deixou passar entrevista machista, racista e preconceituosa do suposto escritor Ruy Morais ao programa do Jô; o entrevistado disse que as mulheres angolanas são 'lascivas' e ainda pôs Angola ao lado da África do Sul no mapa. Onda de protestos de telespectadores angolanos gerou comunicado de repúdio da Embaixada do país e pedido de representação do ministério público brasileiro

Antes de ser um grande empreendimento midiático, a Globo foi uma pequena TV fundada pelo jornalista Roberto Marinho e patrocinada pelo grupo estadunidense de mídia Time Life, que ilicitamente passou a investir na estrutura de duas emissoras falidas, a TV Rio e a TV Paulista. Pela constituição brasileira da época, era terminantemente proibida a injeção de capital estrangeiro em meios de comunicação. No entanto, até hoje não se explica o que ocorreu nos bastidores para que o contrato entre as partes brasileira e yankee fosse visto como legal perante a Lei.

O Brasil daquele ano de 1965 já havia sido ceifado pela chamada “revolução de 64”, que trouxe os militares apoiados pelos EUA ao poder. Em breve, o país entraria no seu período mais escuro, em que o direito de se expressar e a livre circulação de ideias e ideais passaria a ser impedida pela Ditadura Militar.

Um ano depois, prestes a fechar as portas e alimentando seguidos prejuízos, a “sorte” passou a mudar quando Walter Clark, um jovem e ambicioso homem de TV recém-contratado, decidiu cobrir em 1966 as seguidas enchentes que ocorriam no Rio de Janeiro. Na ocasião, a emissora promoveu uma grande campanha de doações aos desabrigados pelas chuvas. A estratégia deu certo e, a partir daí, o vento mudou de lado.

A Globo foi a responsável pelo modelo de novela que temos hoje. A partir de Beto Rockfeller, exibida em 1967, as tramas passaram a ganhar um contorno mais próximo da realidade brasileira, tanto no falar dos personagens como nos acontecimentos.

Apesar da influenciada pela realidade dos brasileiros, é preciso deixar claro que as novelas globais representam somente um recorte daquilo que ocorre no país. Apesar do avanço da Record, a Globo mantém sua hegemonia na produção de novelas no Brasil, que sempre institui nas suas tramas um modelo de família muito específica do país (pequena, atraente, branca, saudável, urbana, de classe média ou alta e consumista).

Mesmo com algumas mostras de mudança, também é clara a tendência de atribuir papéis de empregadas domésticas, carregadores e capangas a brasileiros negros. A maioria branca nas novelas destoa do percentual da população brasileira considerada negra (quase 50%). Recentemente, a novela A Favorita concedeu ao ator negro Milton Gonçalves o papel de um político rico e influente, porém corrupto.

Política da boa vizinhança

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Poder de braços dados - Antônio Carlos Magalhães e Roberto Marinho

Desde os tempos de jornalismo, Roberto Marinho sabia que de nada adiantaria criar uma grande estrutura tecnológica, ter os melhores profissionais, alcançar bons índices de audiência e receber boas verbas publicitárias se não tivesse o poder político do seu lado. Por isso, “Doutor” Marinho sempre comeu e bebeu nas mesas de coronéis como Antônio Carlos Magalhães (ACM), que na época da fundação da emissora era Ministro das comunicações. Essa relação entre os dois continuou nas décadas seguintes, transformando ACM em dono de algumas retransmissoras da Globo pelo Brasil.

Com isso, o espaço ficou aberto para a expansão das Organizações Globo durante os anos 70 e 80. De TV quase em concordata, a Globo se transformou na 6ª maior rede de televisão do mundo, Além do poder nas telinhas, ela mantém jornais, rádios, portais de internet e uma editora.

Em 1988, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Roberto Marinho admitiu ter apoiado a “ação construtiva” da ditadura mas disse que a emissora nunca foi favorecida pelos militares. Disse também que o jornalismo da Globo nunca recebeu tratamento diferenciado pelos censores. Também pudera, o jornalismo manso e filtrado na raiz praticado pela rede Globo jamais poderia ser alvo de censura.

A verdade e as versões convenientes

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Debate Lula X Collor - edição tendenciosa do debate entre os dois presidenciáveis em 89 mudou a história do Brasil

Além da simpatia declarada pela ditadura militar, Roberto Marinho, morto em 2006, tinha também a mania de utilizar o poder de influência de sua organização para intervir nas decisões políticas do país do modo que achasse mais conveniente. Em 1982, a Globo utilizou pesquisas fraudadas e financiadas por uma empresa pertencente às Organizações Globo (proconsult) para influenciar as eleições que elegeriam Leonel Brizola como prefeito do Rio de Janeiro

Na campanha das “Diretas Já”, que visava o retorno à democracia ao Brasil após 20 anos de ditadura militar, a Globo noticiou um protesto de milhões de pessoas como sendo uma “celebração ao aniversário de São Paulo”.

Em 1989 ocorreu o caso mais grave envolvendo os candidatos à presidência Fernando Collor e Lula. O departamento de jornalismo da Globo produziu uma versão editada do debate entre os dois candidatos, ocorrido dias antes das eleições, de modo a beneficiar Collor e desmoralizar Lula. A estratégia deu certo e Lula saiu derrotado na contagem final dos votos. Collor, dois anos depois, seria cassado por denúncias de corrupção e participação em esquemas de lavagem de dinheiro e Lula só seria presidente 12 anos depois.

O PT, partido de Lula, chegou a encaminhar uma denúncia ao TSE pedindo uma retratação da emissora antes das eleições mas foi negada. O então diretor de jornalismo da emissora, Armando Nogueira, saiu da emissora em resposta ao ocorrido. Artistas, intelectuais e atores da própria emissora na ocasião protestaram em frente à sede da Rede Globo em resposta à manipulação ocorrida nas eleições presidenciais.

Mais recentemente, a Globo voltou a interferir na intenção de voto do brasileiro nas eleições que reelegeriam Lula em 2005. Um grande e desproporcional foi dado no Jornal Nacional para relacionar o partido de Lula (PT) ao escândalo do mensalão dias antes das eleições. Isso fez com que Lula fosse para o segundo turno.

Mais perto ainda do nosso tempo estão as eleições municipais que elegeram Eduardo Paes, do PMDB, como prefeito do Rio de Janeiro. Apesar do claro apoio da Globo a Fernando Gabeira, a poderosa, assim como na reeleição de Lula, não conseguiu usar seu poder a favor da sua vontade.

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para saber mais

O Patifúndio! reuniu algumas referências importantes para se entender melhor o que está por trás da Globo:

img TV brasileira não é maningue nice (parte I)Documentário “Muito Além do Cidadão Kane”

Além do Cidadão Kane é um documentário produzido pela BBC de Londres – proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial – que trata das relações sombrias entre a Rede Globo de Televisão, na pessoa de Roberto Marinho, com o cenário político brasileiro. Depoimentos de Leonel Brizola, Chico Buarque, Washington Olivetto, entre outros jornalistas, historiadores e estudiosos da sociedade brasileira.

Assista

Muito além do cidadão Kane

Links importantes

http://gibanet.blogspot.com/2009/01/globo-e-o-ibope-fahrenheit.html

http://gibanet.blogspot.com/2008/08/globo-novamente.html

http://gibanet.blogspot.com/2008/08/o-seu-interlocutor-de-voz-cavernosa-era.html

http://gibanet.blogspot.com/2008/07/verdade.html

http://gibanet.blogspot.com/2008/06/globo-lana-site-para-desmentir-polmicas.html

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/asp1507200392.htm

http://www.geocities.com/Vienna/2809/RGlobo.html

http://www.rabisco.com.br/29/robertokane.htm

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/08/260569.shtml

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/08/260628.shtml

http://www.culturabrasil.org/julgamentomarinho.htm

http://www.consciencia.net/midia/redeglobo.html

http://www.consciencia.net/midia/redeglobo.html

Esse dossiê contou com a colaboração de Gilberto de Sousa, do blog Gibanet, e dos colaboradores do Patifúndio!, Elísio Leonardo, Celso  Amade e Sandra Ugrin. À todos, meu muito obrigado.

 TV brasileira não é maningue nice (parte I)

Michell Niero

é brasileiro, jornalista, especialista em Globalização e Cultura pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Em 2008 idealizou o projeto O Patifúndio! e o mantém até hoje, graças a sua segunda paixão, a lusofonia, e aos colaboradores, verdadeiros amigos espalhados em cada território onde a língua portuguesa é exercitada.

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39 comentários

  1. Eles têm uma visão completamente distorcida do Brasil, André. Eu quero usar o alcance que o site vem tendo na áfrica para desmascarar isso.

    Angolanos e moçambicanos pensam que aquela família branca, saudável, residente e um casarão, com um carro zero na garagem e altamente consumista da novela existe por aqui. O pior é que, além crerem na existência, eles querem copiar. É o nosso brazilian way of life. Reclamamos tanto da influência estadunidense por aqui e estamos fazendo igualzinho a eles.

    Um abraço.

  2. A culpa é da Globo, da Record?! Não, elas são empresas e precisam ganhar dinheiro. Ganham dinheiro mostrando o que o povo gosta e, infelizmente, o povo gosta de lixo. Lixo televisivo, lixo musical, lixo literário, lixo gastronômico e por aí vai. Conjugando o verbo descobrimos que, eu gosto de lixo, tu gostas de lixo, ele gosta de lixo, nós gostamos de lixo, vós gostais de lixo e eles, também, gostam de lixo.

  3. OIha, Digão, é muito difícil saber se nossos irmãos na áfrica de fato gostam ou não de “lixo cultural”. Por ser cultura, é difícil saber o que é ou não é bom pra eles, o que vale ou não vale a pena ser assistido. É cultura de massa, nós sabemos, e sabemos também que ela é produzida a partes da nossa própria cultura.

    A intenção dessa matéria foi apresentar alguns fatos que vêm acontecendo por lá. Pela distância geográfica não dá pra dizer quais cabeças precisam estar na bandeja. O fato é que tanto Globo como Record jogam tão sujo como aqui, e o povo de lá também gosta.

    Em comunicação, há várias teses sobre o assunto, umas colocam a culpa nos meios de comunicação, outras no telespectador e outras dividem a culpa. Eu creio que a culpa deve ser compartilhada. É uma relação de cooperação. A TV fornece, o telespectador entende e reage. A TV então analisa a repercussão, ajusta e fornece novamente. É basicamente o que os frankfurtianos concluíram antes da era da TV, mas sendo a comunicação uma ciência, é interessante não tomar isso como verdade. É apenas uma das possibilidades de compreensão.

    Um abraço.

  4. Eu não tenho muita competência para falar sobre as novelas da Rede Globo. Nunca assisti. Nem tenho o mínimo de interesse de um dia vir a conhecer. Mas pelo que vejo nos comerciais e comentários no dia-a-dia, a produção parece ter o objetivo de criar uma ilusão mesmo. Como se a grande contribuição, por parte das TVs, para aliviar o sofrimento da população fosse criar um Brasil perfeito, com farturas e status. E se não surgirem pessoas, como você está se propondo, para dar uma cutucada e dizer: “Ei! Acorde! Você está dentro da Matrix! Isto aqui é apenas a parede! Um mundo real está bem atrás de você!”, a população continuará na mesma.

    É interessante como a imagem do Brasil lá fora já é deturpada. Mulatas semi-nuas dançando samba enquanto os homens jogam futebol na beira da praia. Se fosse para fazer um cartão postal de boas vindas ao país, provavelmente este poderia ser um possível cenário. E agora com a conquista brasileira de exportar nossas produções televisivas, o que transmitimos?

    Eu vou te contar… é complicado.

    PS: Foi só eu ou mais alguém não conseguiu ler a segunda parte? Se puder dar uma conferida no link, agradeço. Gostaria de ler a conclusão do texto.

  5. Oi Kleber, obrigado pelo comentário. Essa é apenas a primeira parte. A segunda, relacionada a Rede Record, será publicada na semana que vem. Vou sinalizar isso na matéria.

    Acho que quando a gente vê de fora fica mais fácil entender o poder de influência da TV e, mais especificamente, das novelas brasileiras. Um poder relativizado que, claro, depende da escolha do telespectador, mas que é criado com base naquilo que o espectador é mais suscetível a aceitar. É como um golpe baixo, você pode chorar e pedir água, mas pode também aguentar firme.

    Um abraço.

  6. Michell, parabéns pela reportagem. Está excelente!

    Concordo com você em tudo que disse e citou no artigo. A TV brasileira é uma porcaria, corrupta e parcial. Infelizmente ela atinge quase 100% dos lares e muita gente acredita em tudo que Bonner e Fátima falam. Tentam manipular a mente de nós brasileirinhos e não satisfeitos, buscam agora os angolanos e moçabicanos.

    A influência da TV Globo é tão forte, que em qualquer lugar que você vá (hospitais, consultórios, empresas, hotéis, bares, etc…) a TV esté ligada na Globo. E ai de você tentar trocar de canal (uma vez tentei em um consutório médico e a menina da receoção disse não).

    O problema é que a classe mais pobre se ilude ao assistir as novelas. Todos tem final feliz, se casam. A vida é uma mar de rosas, coisas que na vida real nunca ocorrem e deixam muitos telespectadores na esperança desse sonho tornar-se realidade.

    Ainda vejo que a TV Globo vai continuar manipulando muita gente. A Record ainda não chegou ao ápice, vai crescer mais e lutará para desbancar os Marinhos. Mesmo assim, temos que comemorar uma coisa: a audiência das TVs vem caíndo anualmente. O brasileiro está assisitndo menos a TV.

  7. Sou eu que devo agradecer sempre pelos comentários. Você tocou num ponto importantíssimo e que eu me esqueci de citar. As novelas são feitas para realizar aquilo que o telespectador não consegue na vida real. Terminam em finais felizes pois a vida assim não o é. Promove a catarse, amolece os sentimentos e ao mesmo tempo prepara a audiência para a próxima descarga de emoções. Assisti-la não é um ato obrigatório, mas os recursos nela empregados fazem com que o telespectador se sinta na necessidade de assistir. É como uma droga. Vicia e ainda pode contaminar o vizinho.

    Um abraço.

    Um abraço.

  8. Ah tá! É que tinha uma indicação no final de "continue lendo na aba seguinte" eu pensei que fosse um link quebrado para a segunda parte. hehe

    Abraço.

  9. Michell, parabéns pela reportagem. Está excelente!

    Concordo com você em tudo que disse e citou no artigo. A TV brasileira é uma porcaria, corrupta e parcial. Infelizmente ela atinge quase 100% dos lares e muita gente acredita em tudo que Bonner e Fátima falam. Tentam manipular a mente de nós brasileirinhos e não satisfeitos, buscam agora os angolanos e moçabicanos.

    A influência da TV Globo é tão forte, que em qualquer lugar que você vá (hospitais, consultórios, empresas, hotéis, bares, etc…) a TV esté ligada na Globo. E ai de você tentar trocar de canal (uma vez tentei em um consutório médico e a menina da receoção disse não).

    O problema é que a classe mais pobre se ilude ao assistir as novelas. Todos tem final feliz, se casam. A vida é uma mar de rosas, coisas que na vida real nunca ocorrem e deixam muitos telespectadores na esperança desse sonho tornar-se realidade.

    Ainda vejo que a TV Globo vai continuar manipulando muita gente. A Record ainda não chegou ao ápice, vai crescer mais e lutará para desbancar os Marinhos. Mesmo assim, temos que comemorar uma coisa: a audiência das TVs vem caíndo anualmente. O brasileiro está assisitndo menos a TV.

  10. vanda says:

    Assiste TV quem quer… e se deixam se influenciar…

    É só mudar o canal, ou nem ligar a TV ^^

  11. Anônimo says:

    Grande problema decorrente da presença da tv aberta em todo o país. é que por todos os lugares o assunto é mais ou menos o mesmo, gira em torno de notícias vindas do subúrbio do Rio de Janeiro, da enchente que houve em São Paulo, do bebê que foi achado num lixo em algum lugar do sudeste, big brother… ainda que você esteja no Acre ou em Mato Grosso. É a massificação assassinando e tornando homogêneo o pensamento do povo brasileiro. Assim, a riqueza do regionalismo é substituída pela pobre, cinzenta e tediosa mídia de massa. E isso observo nos indivíduos dos mais variados graus de instrução. Incluindo aí gente muito boa, que ainda não se deu conta de que está fazendo papel de papagaio das emissoras de canal aberto brasileiras.

  12. Alvaro says:

    Aqui na Bahia temos recebido bastante influênciua de Angola nos tempos atuais, a dança do Kuduro já é febre no verão e as músicas do país tocam em diversas festas. Sobre a TV o pior é que a rede que esta mais presente na África é a record com suas horas de pregação, o lado positivo é a transmissão do campeonato baiano de futebol para a mama África.

  13. ChumoLoco says:

    É realmente desolador para as pessoas que têm um mínimo de capacidade intelectual ver uma massa gigante se deixando levar por essas máscaras modernas.
    Ao menos nos confortam redes de TV mais sérias e construtivas como a TV Cultura e Futura (a última financiada pela própria Globo).

  14. jheison says:

    cada um tem a sua escolha… eu ja naun kurto tv, muitos programas sao de má qualidade, alem do conteudo…

    hj em dia qualquer canal esta passando coisas digamos assim “improprias”..

    abraço

  15. Oi, Michell!

    Que bela reportagem, viu! Sou um pesquisador apaixonado por mídia eletrônica, em especial Rádio, TV e web. E ver como a cultura brasileira está se fazendo presente de forma tão marcante na África que fala Português é impressionate. Não falo em manipulação, nem submissão, pois são conceitos muitos fortes, prefiro acreditar na venda da ideia do “brazilian way of life”. É a colonização por meio da cultura, ou melhor, por meio da indústria do entretenimento.

    Abraço

  16. Cineasta81 says:

    Engraçado, às vezes somos muito puristas. Novelas são para entreter, todo mundo sabe que não é assim que são as coisas, como nas novelas.
    Por falar nisso, fiz uma entrevista outro dia com um brasileiro que vive em angola, eu não sabia que lá passavam as novelas brasileiras, interessante.

  17. VINA says:

    Brizolla disse o que é a GLOBO, faltou corragem a LULA para confirmar, só que……………. vcs sabem.

  18. Sandra says:

    Oi Michel,

    Só uma correçãozinho, o Jornal Nacional não passa ao meio dia, pelo contrário ele começa as 00:45 (no horário de verão) o que é impossível de ser visto… Ao meio dia passa o Bom dia Brasil, na verdade começa mais ou menos 1 da tarde e de manhã, não sei direito o horário, mas acredito que seja as 7:30 mais ou menos passa o Jornal da Globo. Os jornais passam quase simultaneamente com o Brasil.

    bj

  19. Michell Niero says:

    Corrigido Sandra. Obrigado.

  20. rosangela says:

    É uma pena que as coisas não tão boas chegam as pessoas em todo o mundo e como elas assimilam rápido ..
    Nos aqui tb recebemos influencias de muitos países estrangeiros .. por mais que o Brasil seja miscigenação .. muita vezes vemos Brasileiro com costumes e outras coisinhas que não cabem muito bem na nossa cultura..

    Abç

  21. cat says:

    estou fascinada! eh a primeira vez q vejo 1 revista eletrônica d verdade, eh mto bom! principalmente porque fala sobre nossa querida língua portuguesa! parabéns

  22. jakared says:

    fico envergonhado com a pseudo imagem globo.com, que querem passar pra nós e pros africanos, pelo visto eles nem devem ter ideia de que a população negra do brasil mal é mostrada na novelinha… se mostrada eh uma empregada doméstica, porteiro alcolatra ou um bandido….

  23. Denis says:

    Bom blog em bom blog msm gostei parabens!!

  24. monique says:

    caramba seu blog é mto bom…qria apreende a fazer um blog assim…cheio das abilidades..mto bom msmo….bjbj…
    visita u meu depois…voh ate fik humilhada,o meu todo pobrinho..hehe….um dia eu aprendo afazer um assim igual u seu…
    http://orkutandonoblog.blogspot.com/

  25. É meu amigo tenho que concordar. .. e o q revolta mais ainda é ver o povo votando nisso ou naquilo … paredão e os caramba ai … eh tenso … ninguem percebe o qto faz mal …

    Cara muito bom o seu blog, topa parceria?

  26. cara vc divia escrever pra revista

  27. Cada um assiste o que vai querer, e se deixa influenciar. As pessoas são ignorantes mesmo, nao adianta, só tem pobreza no país.

  28. daniella says:

    ola…to aqui visitando e gostei muito de algumas postagens,
    sao intessantes.
    parabens pelo blog…

    http://www.nadadelicada.blogspot.com/

  29. José de Albuquerque says:

    Se a TV globo exibe a parte utópica do Brasil em suas novelas, creio que os seus telejornais- pelo que lí, também são incluídos na programação-mostram a parte real com todas suas mazelas. Visto que estes telejornais, tanto da Globo, quanto da Record, são verdadeiros filmes de terror.

  30. Roque Martins says:

    Penso que realmente a TV passa o que a população deseja ver e o que da retorno financeiro, estou na fronteira entre Brasil e colombia na fronteira que não existe, aqui basta atravessar uma rua e você está na colombia falando espanhol. E me surpreendeu porque eu vi um grupo de colombianos assistindo televisão. E era pasmem a versão colombiana de no limite aquele realit… show que passa na tv. Resumindo parece que independente da lingua, cultura ou pais a massa gosta de ver fantasia coisas que ajudem a esquecer a realidade que quase sempre é cruel.

  31. carlos daniel says:

    quem quer ver a realidade na tv? lembram de torre de babel? novela da globo que iniciou com cenas de violencia onde um filho drogado quase termina com os proprios pais??! pois bem a população reclamou tanto da realidade na tv imposta por essa novela, que a emissora teve que mudar de estrategia e a novela virou agua com açucar, como o povo gosta e quer ver..manipulação de informação ocorre em todo canto do mundo, se deixa manipular quem quer, e o controle remoto esta ai é só não deixarmos a pilha acabar.

  32. maria says:

    Infelizmente a globo manipula a opiniao das pessoas das classes baixas pq estes nao possuem o discernimento de questionar a verassidade dos fatos atraves da net,revistas,jornais,etc….
    Pois a net roubou uma fatia gigantesca dos telespectadores que agora podem ler tranquilamente seus noticiarios tanto em ingles,portugues etc e tal.sem aquela palhacada das novelas q so mostra coisas falsas e inuteis.Um batendo no outro,o gala fica com a novela inteira e daqui a pouco vai ficar ate com a cadela da novela,uma baixaria total q so e interessante pro autor da novela q ainda nao acordou pra perceber q nos ja estamos de saco cheio dessa babaquice.

  33. maria says:

    ah esqueci de citar aquela coisa horripilante do big brother gente o q e aquilo? Cade a cultura desse pais? depois nao quer q fale q e o pais do futebol,carnaval,prostituicao.
    ninguem merece aquilo,e o Bial? um reporter profissional parece final de carreira

  34. ivone says:

    O problema vai além da pobreza, é o resultado da pouca educação, mesmo quem freguênta a escola, não se consegue muito, pois os professores são mal formados, e eles próprios não sabem ensinar, e o que é pior, são mal pagos e não tem entusiasmo para ensinar, e aluno capta isto e não quer aprender, e liga a TV e vê seu sonho sendo realizado… triste mas verdadeiro

  35. Otávio says:

    É isto mesmo, há muita porcaria sendo oferecida pra brasileiros e africanos pelas TVs brasileiras, infelizmente. Conheci seu Blog hoje e estou gostando. Mas é importante também que se faça uma auto crítica e se analise o que está sendo feito pelas TVs de Angola e Moçambique (em Angola principalmente) o controle dos governos é gritante e são poucos os que se manifestam contra. Qdo. o fazem é de forma violenta. Também é importante entender que o Brasil também tem em seu “DNA” traços da África, não herdamos coisas ruins só da europa e USA… Como se disse num dos comentários hoje vemos menos TV no Brasil. Muitas coisas podem ser mudadas se buscarmos a Jesus! Parabéns por seu Blog. Posso publicar alguns textos seus no site d a ONG IDE Moçambique? http://www.ongide,webnode.com

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