FALANDO DE LÍNGUA

Que língua nós falamos?

por
admin@areadeletras.com
4 de January de 2009

“Nossa pátria é a língua portuguesa” Fernando Pessoa

lingua portuguesa Que língua nós falamos?Durante muito tempo, discutiu-se qual língua nós falamos e houve até pessoas que propusessem que falamos brasileiro e não português. Em Portugal, se fala português, nós falamos brasileiro…! Quanta sandice!

Como toda polêmica envolvendo a língua, o que mais tem é gente que não tem formação alguma emitindo opinião sem pé nem cabeça sobre um assunto que lhes é completamente distante. Mas é isso, já acostumei. O cara acha que, porque ele fala português, pode filosofar sobre a linguagem… Paciência.

Mas naquela discussão despropositada só não se levantou a pergunta básica e pilar da questão: o que faz uma língua diferente da outra? A semelhança entre línguas se desenvolve nos níveis lexicais (as palavras) e sintático (estrutura frasal). Bom. Esclarecido isso, pensemos: o que nós torna diferentes de Portugal e das outras comunidades lusófonas na variante que usamos do português?

Aspectos lexicais? Não. Nosso idioma é igual em seu vocabulário em mais de 95% e o que há de distinção são casos de regionalismos que temos mesmo dentro do próprio Brasil. As diferenças são pouco significativas que não chegam a ser empecilhos na comunicação entre os povos. Se um brasileiro descer de um carro e pedir uma informacão em Angola ou Moçambique, ou mesmo um moçambicano ou um angolano fazer o mesmo por aqui, a possibilidade de não entenderem o que ele está perguntando é muito pequena e restringe-se aos 5% de diferença regional da língua. Mas isso ocorre dentro do Brasil mesmo e nem por isso falamos que no sudeste se fala o sudestês e no norte, o nortês.

Se o léxico que sofre influências culturais apresenta um percentual tão baixo de distanciamento entre as variantes daqui e de além-mar, imagine a sintaxe que, como o esqueleto da língua, não admite que se faça estripulias com ela, apresenta um percentual de diferença irrisório. Isso quer dizer que a estrutura sintática que se usa para falar uma sentença em português é a mesma em todas as comunidades. Não há diferenças significativas. Uns usam mais pronomes oblíquos, outros menos, uns invertem alguns casos de sujeito e verbo, outros não registram isso, mas enfim, todos se entendem. Estão aí as novelas brasileiras que não precisam de dublagem. Se tivéssemos o brasileiro e o português, a dublagem ou as legendas seriam imprescindíveis para a compreensão.

Somos uma só língua, ainda que haja pessoas que não consigam entender isso. Mas se, de tudo não conseguir, pede que a gente faz um desenho para ilustrar.

 Que língua nós falamos?

Marcelo Leite

é Doutor em Língua Portuguesa pela UFRJ, professor, pesquisador, Coordenador do Curso de Letras da USS e Diretor do CEFLCH. Assina os blogues Saco de Filó e Falando de Língua.

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39 comentários

  1. Também concordo, Guilherme. A língua não nasceu para ser um código fechado,ela permite variações, estilos, diferenças, transformações sem deixar de ser uma língua. A ideia de uma língua brasileira me parece mais uma tentativa de criar uma espécie de modelo idealizado de algo impossível de se domar por gramáticas, gramáticos, dicionários e acordos.

    Por mais que nosso vocabulário e estilo se distancie do de um moçambicano ou português, por exemplo, conseguimos entender um texto escrito em português moçambicano pois existe uma essência que nos une. Prova disso são os textos publicados no Patifúndio.

  2. Em Portugal que é tão pequenino existem essas diferenças.
    A verdade é que vemos aqui na net, por exemplo em traduções do Google (Português – do Brasil) e (Português – de Potugal)
    Sempre achei isso ridículo, ainda para mais quando se faz um acordo ortográfico, mas como sou portuguesa sou suspeita.
    Gostei muito do texto do Marcelo, como sempre muito esclarecedor.

  3. Michell,

    Olha que estou nessa área de estudo/pesquisa de língua portuguesa há mais de 15 anos e tenho um milhão de razões técnicas para demonstrar que se trata exatamente da mesma língua e que as distinções são puramente de vocabulário. Mas isso também há dentro do Brasil.
    Entretanto, existe uma leitura dessa questão de que algumas pequenas "nuances" seriam suficientes para caracterizar uma língua totalmente diferente. Em termos passionais e bairristas até se sustenta, mas em termos de pesquisa não chega à esquina.
    É o que a Emília falou das distinções BR/PT…. Algo desnecessário mesmo.
    E fecho com o que você colocou de forma brilhante… O Patifúndio é a prova de que falamos a mesma língua.
    Abraços

    Marcelo

  4. É língua portuguesa nos dois casos(Brasil e Portugal).

  5. Oi, Marcelo! Bom, depois de tanta polêmica visto nos comentários (O Partifúndio) nem sei por onde começar…rs…brincadeirinha. Somos falantes e usuários da língua portuguesa, mas creio que as diferenças regionais só marcam uma única coisa: que a língua é feita pelo povo e é mutante. Graças a Deus! O que vejo como leigo é que Portugal fica "mordido" pelo português do Brasil ter ganho uma popularidade pelo mundo a fora. Quebrar a língua em duas é burrice, mas falar que as duas são iguais, também não dá. Há diferenças sútis em cada uma que dá o colorido a cada povo…e isso é o mais fascinante.

    Abraço

  6. Wander,

    As línguas se impõem por razões econômicas, quem domina impõe ao outro. É claro que a variante brasileira iria se impor de alguma forma, afinal o Brasil é uma das maiores economias do mundo, quase 200 milhões da habitantes, enfim, uma potência
    emergente.
    Esse acordo por exemplo, é favorável para a gente e a nossa variante é a que sofre menos impacto na escrita, sabia?
    Pois é…

    Abraços

    Marcelo

  7. Sim.. no mais qualquer defesa de duas línguas é produto de bairrismo, não de análise.
    Abraços

    Marcelo

  8. Com certeza. O argumento de duas línguas só tem bases em um bairrismo sem pé nem cabeça para tenatr legitimar uma identidade que já está mais do que legitimada.
    Nos meios de pesquisa, isso é questão concluída, mas entre o público leigo ainda gera bate boca.
    Abraços

    Marcelo

  9. Carlos Pereira says:

    Diferenças entre as maneiras de escrever (brasileira e portuguesa)
    —————————————————–

    Durante muito tempo, discutiu-se qual [a] língua [que] nós falamos e houve até pessoas que propuseram [propusessem] que falamos brasileiro e não português. Em Portugal, fala-se [se fala] português, nós falamos brasileiro…! Quanta sandice!

    Como toda [a] polémica [polêmica] envolvendo a língua, o que mais existe são pessoas sem [tem é gente que não tem] formação alguma emitindo opinião sem pé nem cabeça sobre um assunto que lhes é completamente distante. Mas é isso, já [me] acostumei. O cara acha que, porque [ele] fala português, pode filosofar sobre a linguagem… Paciência.

    Mas naquela discussão despropositada só não se levantou a pergunta básica e pilar da questão: o que faz uma língua diferente da outra? A semelhança entre línguas desenvolve-se [se desenvolve] nos níveis lexicais (as palavras) e sintático[s] (estrutura frásica [frasal]). Bom. Esclarecido isso, pensemos: o que nos [nós] torna diferentes de Portugal e das outras comunidades lusófonas na variante que usamos do português?

    Aspectos lexicais? Não. [O] Nosso idioma é igual no seu [em seu] vocabulário em mais de 95% e o que há de distinção são casos de regionalismos que temos mesmo dentro do próprio Brasil. As diferenças são [tão] pouco significativas que não chegam a ser empecilhos na comunicação entre os povos. Se um brasileiro descer de um carro e pedir uma informação em Angola ou Moçambique, ou mesmo um moçambicano ou um angolano fizer [fazer] o mesmo por aqui, a possibilidade de não entenderem o que ele está a perguntar [perguntando] é muito pequena e restringe-se aos 5% de diferença regional da língua. Mas isso ocorre dentro do Brasil mesmo, e nem por isso dizemos [falamos] que no sudeste se fala o sudestês e no norte, o nortês.

    Se o léxico [,] que sofre influências culturais apresenta uma percentagem [um percentual] tão baixo [a] de distanciamento entre as variantes daqui e de além-mar, imagine a sintaxe que, como o esqueleto da língua, não admite que se faça estripulias com ela, apresenta uma percentagem [um percentual] de diferença irrisório[a]. Isso quer dizer que a estrutura sintática que se usa para dizer uma frase [falar uma sentença] em português é a mesma em todas as comunidades. Não há diferenças significativas. Uns usam mais pronomes oblíquos, outros menos [;] uns invertem alguns casos de sujeito e verbo, outros não registam [registram] isso, mas enfim, todos se entendem. Estão aí as novelas brasileiras que não precisam de dobragem [dublagem]. Se tivéssemos o brasileiro e o português, a dobragem [dublagem] ou as legendas seriam imprescindíveis para a compreensão.

    Somos uma só língua, ainda que haja pessoas que não consigam entender isso. Mas se, de todo [tudo] não conseguir, pede que nós fazemos [a gente faz] um desenho para ilustrar.

    Cumprimentos
    Carlos Pereira
    grupo.paralaxe@gmail.com

  10. Marcelo says:

    Caro Prof. (??) Carlos,

    Não sei quais razões o motivariam a “gentileza” de fazer a correção do texto postado. Gentileza tal que corrigiu casos em que não havia qualquer inadequação (Uso de artigos, opções de grafia, colocação pronominal) ou que representam mais uma postura pessoal e estilística do que técnica.

    Aliás, há vários pontos em que o texto que o senhor corrige não é o que foi postado, mas sim um forma alterado para a correção. Creio que tenha suas razões para isso.

    Salvo um infinitivo que deixei de aplicar no penúltimo parágrafo e uma vírgula esquecida no mesmo parágrafo, o restante é mais produto de uma visão pessoal estilística do que de normas gramaticais. Nesse campo, seus conhecimentos são grandes em detrimento total de sua polidez e humildade.

    De forma respeitosa e ciente de que a dor e a alegria que cada traz no coração e o que motiva nossas ações, desejo tudo de bom e um feliz 2009.

    Cordialmente,

    Marcelo

  11. Carlos Pereira says:

    Prezado Michell,

    Como pedido, li o contra-comentário que o Prof. Leite colocou no Patifúndio.

    Primeiramente (como se diz por aí), quero deixar claro que nada me move contra o povo brasileiro, nem contra qualquer um dos seus súbditos; muito menos daqueles que não conheço pessoalmente e que, além disso, dão o nome e o saber à causa pública, como é o caso do Professor-Doutor Marcelo Leite no Patifúndio.

    O artigo (a matéria) versa sobre as diferenças entre as variantes de português, brasileira e portuguesa, e sobre as dificuldades, maiores ou menores (poucas segundo Marcelo Leite) que serão, eventualmente, encontradas no diálogo entre dois lusófonos de países diferentes dentro da CPLP.

    O que eu pretendo mostrar com os comentários que faço no âmbito da Língua Portuguesa, é que existe realmente uma diferença substancial entre as duas variantes, e não só de léxico mas também da formulação das frases, da utilização de estrangeirismos erradamente “aportuguesados”, na má aplicação de vocábulos, na falta de artigos, etc.

    Assim, e sem tecer comentários, usei o próprio texto do Prof. Leite para afirmar isso mesmo: existe diferença sim, a ponto de tornar difícil a compreensão de algumas ideias explanadas. E note que eu não estou a afirmar que em Portugal se escreve bem e no Brasil se escreve mal; já tive oportunidade de fazer alguns comentários a textos de jornais portugueses, sobre o mesmo tema, e no mesmo teor.

    O que eu fiz, contrariamente ao que escreve o Prof.Leite no seu contra-comentário, não foi uma correcção! Entretanto, se ele se sente corrigido é porque me confere algum crédito à pertinência do comentário (que, no fundo, nem sequer chega a ser um comentário.).

    No seu contra-comentário o Prof. Leite acusa-me de ser “pouco polido”, “pouco humilde”, que o texto foi alterado a meu bel-prazer para vincar erros inexistentes, e que eu tenho “grande conhecimento das normas gramaticais”. Todas essas considerações estão erradas, e são produto do desconforto que o Prof.Leite sentiu por ver o comentário publicado; comentário que poderia, muito simplesmente, ser retido e não publicado pelo Sr. Niero, valendo-se da sua condição de moderador-mor do Patifúndio.

    Entretanto, vale a pena esmiuçar o artigo do Prof. Leite e aprofundar esclarecimentos sobre algumas das diferenças mencionadas:

    - qual língua nós falamos
    a exclusão de artigos é uma facilitação recorrente no fraseado brasileiro;

    - propusessem
    o verbo está na condicional (se eles propusessem), em vez de estar no passado (propuseram), ou no presente (propõem);

    - toda polêmica
    falta o artigo;

    - o que mais tem
    intercâmbio (intercambiamento; intercambiação ?) entre os verbos ter e haver;

    - já acostumei
    é uma afirmação reflexa; falta o pronome;

    - o cara acha que, porque ele fala português
    o sujeito está explícito; “ele” está a mais (acontece o mesmo nas frases do tipo: “o Mané, ele pensa que sabe tudo”);

    - frasal
    no dicionário de língua portuguesa da Porto Editora não existe a palavra “frasal”; existe a palavra “frásica”;

    - as diferenças são pouco significativas que não chegam a ser empecilhos
    é uma frase que esclarece um superlativo absoluto; falta o termo “tão”; ou, em alternativa, “as diferenças são pouco significativa e não chegam a ser empecilhos”;

    - um angolano fazer o mesmo
    a frase começa com “se”; é, portanto, uma condicional; o termo correcto é “fizer” e não “fazer”;

    - falar uma sentença
    o costumado hábito de usar “falar” em vez de “dizer”; o termo “sentença” utiliza-se como sinónima de pensamento moral; provérbio; máxima. Aqui é a tradução literal e abusiva da palavra “sentence” (frase, em inglês) que está em causa;

    - dublagem
    outro aportuguesamento da palavra inglesa “double”;

    Termino esclarecendo que não detenho qualquer grau académico que me permita “esgrimir” linguisticamente com o Prof. Leite; os conhecimentos que tenho foram adquiridos ao longo dos 60 anos de vida que já levo; mas, tal como costumava dizer um ex-colega: não é só o “lambido” que interessa, o “corrido” também tem o seu valor…”

  12. Joaquim Pedroso says:

    Bom dia,

    sem querer ofender ninguém, em minha opinião, o problema do “brasileiro” é que é muito “relaxado” (desregrado). usam palavras a menos em muitas situações (pronomes), noutros sítios usam a mais. e usam e abusam dos estrangeirismos.

    não tenho qualquer formação a nível de línguas, mas posso-lhe garantir que se o seu texto fosse corrigido por um professor de português de nível universitário, ele seria alvo de muitas críticas desfavoráveis.

    como é óbvio em Portugal não se fala e escreve o português correcto. se calhar nem 5% o faz. mas se formos rigorosos, e a língua portuguesa é, o seu texto tem muitos erros.

    Cumprimentos, Joaquim Pedroso

    P.S. – claro que e termos de comunicação, um português, um brasileiro e um angolano entender-se-iam bem.

  13. A língua portuguesa é uma só. As variações são decorrências da cultura e do local. No Nordeste do Brasil existem expressões que são totalmente desconhecidas no Sul e vice-versa. Isso acontece em todos os idiomas. As colônias francesas e inglesas na África por exemplo, também apresentam diferenças em seu vocabulário e sotaque em relação a língua do colonizador. Dizer que fulano fala brasilero é besteira.

  14. Bom, estou com paciência. Me senti intimado. Dia desses, escrevi que como brasileiro, não sei que idioma eu utilizo, pois português, não é.

    “O cara acha que, porque ele fala português, pode filosofar sobre a linguagem… Paciência.”

    Me senti intimado. :)

    Eu não “falo” português, eu o escrevo. Me foi ensinado escrever. Considero o português um idioma de complexidade exorbitante, que assim como as leis neste país (BR), instituem-se regras para suportar exceções. Li também que o idioma francês foi todo acentuado devido à guerra dos 100 anos. Não sou especialista em línguas. Sou um reles usuário. Mas sei que quando falamos em esqueleto de língua, o buraco é bem mais embaixo. O esqueleto do português reside no latim. Português, italiano, espanhol, francês, para este humilde artesão, no esqueleto, são a mesma língua. Com variações tremendas é claro, mas no fundo, a mesma estrutura. E as palavras ainda soam iguais, porém com significados diferentes.

    Agora, permitam-me discorrer sobre um idioma que fui obrigado à descobrir. Eu chamo de a língua dos bárbaros… O inglês.
    Simples de dar dó. Simplório, comparado ao português. Porém, objetivo. Um idioma pragmático. Voltado à ação.

    Voltando ao tema central, já que quem não é especialista não deve filosofar, pergunto ao Dr. Marcelo Leite:

    PT-BR e PT-PT – Explica!

    Existe uma guerra em andamento na wikipédia. Existe na prática a divisão. Esquece a fala. Digo a língua escrita, a que permanece. É diferente! O idioma no Brasil sofreu muita influência externa, tornando-se um novo idioma, oriundo do português. Só que a “elite” intelectual, não vê isso como prático, a mentalidade de “colônia”, provinciana, eu diria até que medieval, permanece!

    Ouso pedir licença e convidar o Dr. Marcelo a visitar minha opinião sobre a tal da reforma ortográfica. http://pyrographia.blogspot.com/2009/01/re-forma-hortogrphica.html

    Resumindo:

    PT-BR e PT-PT – Explica!

    Ou isso “no ecxiste”?

    Abração,

    Ronald {Pyrographer}
    http://atelie.atspace.com

  15. Marcelo says:

    Ronald,

    Bom, não se trata de duas línguas PT-BR e PT-PT e essa nomenlctura só é usada para distinguir algumas ocorrências lexicais (ex. apertar/premir, ficheiro/arquivo). Entretanto, na verdade, todas as palavras que fazem a distinções existem em um vocabulário dos dois países.
    Não existe um português falado e um escrito. Tecnicamente são consideradas modalidades da língua e a escrita representa uma tentativa de reprodução da fala.
    A questão do esqueleto da língua é mais ou menos o que você colocou. Ainda dentro da metáfora, o latim não é o esqueleto da língua, ele é o DNA da Língua. Duas pessoas podem ter o mesmo DNA em um aspecto, mas estrturas física totalmente diferentes. O que se entende por esqueleto de uma língua é a sua estrutura lexical e frasal, ou seja, conjunto de palavras e estrutura de frases. O francês não tem o nosso mesmo esqueleto porque possui uma sintaxe e um léxico típicos da língua francesa. Já nos casos do PT-BR, PT-PT, as distinções se dão em um nível lexical, mas temos muitas das palavras que ele usam (só não usamos, e vice-versa) e a sintaxe é a mesma (salvo raras exceções que não chegam a 0,005%). Aliás, está distinção é uma besteira.
    O que há entre o português brasileiro e o de outros países é um fenômeno chamado de variação diatópica (variações na fala, sotaque, e no léxico que caracterizam regiões). Isso é um fato externo e mesmo interno no Brasil, mas nem por isso defendemos a idéia de um paulistês, um belenês, um gauchês… O que passa despercebido pelas pessoas é que as línguas não são limitadas por fronteiras políticas. Há nisso tudo um complexo de colônia. Coisa como não quero o português, quero o brasileiro… isso era muito em moda em 1822 logo após a independência política como uma tentativa de reafirmação de identidade, mas hoje, não faz o menor sentido.

    Tenho uma formação de pesquisa, logo, entendo que quando afirmamos que uma coisas é diferente da outra temos uma metodologia, dados, teorias e análises que embasam a afirmação e, até hoje, nunca vi nada a respeito das distinções apresentadas. Aliás, em meio acadêmico isso nem se discute, é questão fechada por falta de provas. Essas discussões se dão mais com o público leigo e eu acho positiva essa polêmica.

    Foi um prazer respondê-lo, um abraço.

    Marcelo Leite

  16. Oi, Marcelo! Bom, depois de tanta polêmica visto nos comentários (O Partifúndio) nem sei por onde começar…rs…brincadeirinha. Somos falantes e usuários da língua portuguesa, mas creio que as diferenças regionais só marcam uma única coisa: que a língua é feita pelo povo e é mutante. Graças a Deus! O que vejo como leigo é que Portugal fica “mordido” pelo português do Brasil ter ganho uma popularidade pelo mundo a fora. Quebrar a língua em duas é burrice, mas falar que as duas são iguais, também não dá. Há diferenças sútis em cada uma que dá o colorido a cada povo…e isso é o mais fascinante.

    Abraço

  17. Há uma espécie de industria paralela na Internet que se dedica a traduzir ‘legendas’ de português do Brasil para português de Portugal. Pasme-se que há um programa chamado Anti-Sub Br que ‘busca’ palavras ‘portuguesas’ e ‘brasileiras’ corrigindo estas últimas. Mas este é um assunto que pode ser confundido com pirataria e eu não sou pirata da língua.

    Ponto assente que há diferenças quase abismais entre as línguas dos dois povos e eu procuro sempre essas legendas ‘traduzidas’ porque me causa estranheza o que é normal no Brasil: ‘Oi cara me dá uma carona?’ ou ‘É isso aí galera vamos no caminhão’. Etc, etc, etc…

    Fui educado de outra maneira, a maneira portuguesa de Portugal e respeito a maneira brasileira de falar, escrever, mas não é bem a mesma, há diferenças superiores a esses 5%, muito superiores e acreditem admiro muitos brasileiros dentro da literatura, da poesia, artes em geral, só para que isso fique bem claro, cada forma de falar o português tem a sua própria beleza.

    E como se fala nos comentários anteriores há culturas diferentes que tornam a coisa interessante, muito mais interessante e seria bem mais interessante reformar baseado nessas diferenças do que aproximar o que não tem aproximação.

    Que os senhores que propuseram este acordo ortográfico tenham decidido ‘abrasileirar’ o português de Portugal e ‘aportuguesar’ o português do Brasil, e ainda temos África e Timor Leste, por motivos económicos que permitirão (dizem eles que eu não acredito) combater a hegemonia da língua inglesa (língua básica, de acordo com a falta de tempo que as pessoas dizem ter para viver, ou seja, é fácil, aprende-se depressa um pouco como a ‘fast-food’).

    Falando de Portugal já se escreve mal e assim vos garanto que se glorificará a estupidez reinante (é ver universitários prontos a saltar para ordenados chorudos que nem escrever sabem…) e com demasiadas influências do inglês, do francês, do alemão, do espanhol e às vezes do português. Com esta reforma, procura-se uma espécie de ditadura que revela a mesquinhez de quem a propôs, fundir o português, tornando-o uma caldeirada onde se escreve cada vez pior, mas claro que abolir alguns acentos é sempre bom, ficassem por aí que a coisa passava despercebida.

    Em linhas gerais é-me fácil de entender o português do Brasil falado, assim como o dos PALOP’s, mas é vê-los a acelerar na conversa que me perco e nem preciso ir ao Nordeste, ou ao Sudeste, os amigos de São Paulo ou do Rio de Janeiro chegam-me para deixar de os entender por vezes. E o inverso é

    Claro que rapariga se escreve da mesma maneira em todos os países. E quem disse que garota de programa tem o mesmo significado em Portugal?

    Também querem mudar as bichas e as filas?

    Há que reajustar hábitos, porque muita gente vem do exterior e quem sabe qualquer dia teremos um vocabulário russo, moldavo ou romeno em Portugal assim como o dekasseguis passa a entrar no dicionário brasileiro, perdão português do Brasil.

    Já agora querem adaptar o crioulo de África ao português do mundo? Só para ter assento na ONU e se acabar com a fome em África?

    «a minha pátria é a minha língua» Fernando Pessoa e mesmo ele tem tantos e tantos poemas escritos em inglês… e não havia ONU…

    Talvez Mia Couto tenha de lançar um dicionário novo que ‘velhecer’ e ‘abensonhar’ são erros à luz da nova reforma ortográfica e na ONU não o vão entender…

  18. “O cara acha que, porque ele fala português, pode filosofar sobre a linguagem… Paciência.”

    Comento apenas esta frase traduzindo-a para português de Portugal:

    Uma pessoa pensa que, por falar português, pode filosofar sobre a linguagem. Paciência.

    Há, decerto, menos de 5% de diferenças, mas uma linha de pensamento que me leva ao ponto principal:

    O povo nunca é tido nem achado para nada. Há quem o observe, veja os seus vícios e as suas vontades e depois decida alterar e alterar e alterar.

    Não fiquei convencido com esta reforma, nem com as outras do século XX. Chamem-me antiquado mas delicio-me a ler versões antigas dos Lusíadas ou o Pessoa original, nada desta salada russa.

    Estou certo que Vinicius de Moraes teria algo de bem interessante a dizer acerca disto…

  19. Nesse site tem um texto muito bom:
    http://www.artefatocultural.com.br/portal/index.php?secao=noticias&subsecao=32

    Eu também defendo a separação entre as línguas do Brasil e de Portugal.Acho que seria muito enriquecedor,pois as mudanças tornariam o aprendizado nas escolas mais fácil,além de aproximar os brasileiros de sua fala.

    Deixo um poeminha de Oswald de Andrade que explica essência de nosso idioma:

    PRONOMINAIS

    “Dê-me um cigarro
    Diz a gramática
    Do professor e do aluno
    E do mulato sabido
    Mas o bom negro e o bom branco
    Da Nação Brasileira
    Dizem todos os dias
    Deixa disso camarada
    Me dá um cigarro.”

    Minha gente,a língua evolui, é um organismo vivo em constante mutação. Se adotássemos esta postura sectária e reacionária, estaríamos todos hoje falando o latim. A língua oral surgiu antes da escrita. A gramática, a ortografia são uma mera transcrição da realidade oral e não o contrário.

  20. louraidan says:

    que sujeito arrogante. não é preciso “ter formação” para opinar sobre a língua portuguesa. todos temos “autoridade” para falar do português.

  21. conceição says:

    Adoeri essa pagina, e concordo com quase tudo que li

  22. thalia says:

    eu aprendi muito nisso

  23. Respondendo ao comentário de 15 de Janeiro em que se diz em tom irónico que o português ficou mordido pelo português do Brasil ter ganho mais popularidade, falo por mim que é mentira. É um pouco como o inglês dos Estados Unidos em relação ao de Inglaterra, ganham os brasileiros por serem mais e perante essa esmagadora maioria é mais fácil impôr o ‘brasileiro’, pelo menos o oficial porque imagino a quantidade incrivel de dialectos que há por aí entre 200 milhões de seres humanos.

    Defendo o meu português por ser aquele a que estou habituado desde que me lembro de ter começado a falar. Só por isso, são as minhas raízes.

    A quem possa ter essa inveja sofrerá de uma cegueira e surdez profundas aliadas ao desinteresse comum infelizmente presente em quem não quer ver o que se passa ou não está para isso.

    Desde sempre fui ‘bombardeado’ por novelas brasileiras, como se esse fosse o único português existente ao cimo da Terra. Depois de crescer, de começar a ler, por obrigação, o Eça de Queirós (ou será Queiroz?), o Camilo Castelo Branco e o Almeida Garrett, comecei a perceber que tinha identidade própria, que havia outro português (diga-se de passagem que a industria das novelas no Brasil… como no México… é algo de extraordinário no que toca a vendas… é ver a quantidade delas que passam em Portugal e Espanha) e sobretudo com o advento da internet senti as diferenças do português do Brasil, que as de frica já sabia existirem.

    Falo quase como se tudo fosse um lento processo, como aprender a andar, mas é a mais pura das verdades, cada lusófono tem a mania que o seu português é melhor que o do vizinho e talvez haja um certo orgulho em falarem de forma a que o próximo não o entenda (exemplo: os africanos que, em Portugal, falam em crioulo).

    Não sinto inveja, apenas uma profunda tristeza por essas mutações (que muito bem falaram por aqui) sejam ignoradas em prol do dinheiro e dos assentos na ONU. E claro que tendo os governantes que Portugal tem, o português do Atlântico Leste tende a ser engolido e menosprezado por outra coisa qualquer que não sei designar muito bem o quê. Ainda assim não desisto de lutar pelas minhas raízes, respeitando e tentando absorver o mais que possa de todas as outras.

  24. antonio says:

    Ai! Vim procurar coisa bem menos inútil, mas “caí” nesta página – que, ao contrário do que disse alguém, acima, nem adorei, nem quase coisa alguma me fez aprender, nem me mostra algo com que me convenha concordar!…
    É deplorável que se usem “sites” que poderiam ter muito valor (ou valia?…), para trocar insultos comentando assuntos que nem se conhecem bem! – Note-se, por exemplo, logo aqui em seguida, um dos vários argumentos vazios, de tanta e tão infrutífera polêmica:

    (“…) – o cara acha que, porque ele fala português
    o sujeito está explícito; “ele” está a mais (acontece o mesmo nas frases do tipo: “o Mané, ele pensa que sabe tudo”);(…”);

    ora, ainda que se trate de redundância (não errada) comum no Brasil, são dois “casos” diversos (em “… o Mané, ele pensa…”, temos clara influência de pleonasmo francês [realmente, desnecessário, dispensável mesmo, o pronome; quase um erro, em termos gramaticais lusofônicos - ainda que NEM AS NORMAS GRAMATICAIS pareçam iguais nos dois países (ao menos, em certas formas de escrever, à lusitana, que ocasionalmente tenho visto)]; diferentemente de em “… acha que, porque ele fala…”, onde o pronome é mero reforço do sujeito [que fora usado, com outro verbo]: nada de falha ou erro, portanto!).

    Não me cabe censurar quem quer que tenha escrito os comentários (opiniões ou [digamos...] informações); o que abordo é a falta de conhecimentos – e retransmissão deles, para os leitores em geral – linguísticogramaticais embasados; pois a mim pareceu que ninguém sabia de que realmente estava tratando!!! – Se quem ousou (contra)argumentar isso ou aquilo usasse minimamente bem a gramática – não latina, inglesa, francesa ou alemã, mas portuguesa… (parece que essa é uma desconhecida mesmo pelos acadêmicos especialistas, famosos escritores, eméritos professores etc.) -, teria ao menos servido a leitores, estudantes, até estrangeiros etc., com bons detalhes de escrita!…

    Desculpem-me os modos…

  25. Manuel Marques says:

    A propósito deste último comentário, convém relembrar que ‘O Patifúndio’ é um meio de divulgação da lusofonia, algo que faz muito mais do que muitos organismos oficiais que se limitam a encher os bolsos dos seus administradores e a destruir as idiossincrasias de cada falante do português no mundo. Chamem-lhe a adaptação, ou o que quiserem.

    O Sr. António é livre de não gostar deste meio de divulgação e de ser uma sumidade tal em português que se arrogue o direito de pedir a perfeição aos intervenientes. Apenas me permita dizer-lhe que se trata da sua opinião, limitada e reveladora de alguma falta de visão.

    Críticas construtivas sim, quanto às outras é buscar os doutores da nossa língua e pedir-lhes bons detalhes de escrita (as opiniões variam felzmente), por aqui que me desculpe somos meros mortais, usamos informação baseada em experiências vividas, às vezes livros lidos, ou outro meio de informação captado pelos cinco sentidos.

    Temos muito que aprender ao contrário do que parece acontecer consigo!

    Parabéns ao Patifúndio que por acaso tenho acompanhado em silêncio…

  26. antonio says:

    Sr. Dom Manuel (e eventuais comparsas),

    Já me arrependo de mais uma triste vez ter lançado mão da minha quase-mania de opinar via Internet, pois já percebo que causei impressão diversa da que me parecia oportuna.
    De modo nenhum quis eu manifestar suposto altíssimo nível de conhecimentos de qualquer coisa. Apenas pretendi – e repito: já me arrependo, até por notar que fui infeliz numa involuntária “menção aparentemente negativa” à pouca utilidade deste “site” (não era ele que queria criticar – ainda que, como se diz, “positivamente” -, senão o rumo que leitores e “comentaristas” em geral dão à maioria dos “sites”, blogues etc., ou seja, meio que “releguei”, sim, o desvio para discussões meio fúteis, pois o foco do “site” não seria esse, senão a lusofonia em si, COM SUAS PLURAIS VARIANTES OU VARIAÇÕES).
    Peço-lhe, Sr. Manuel, sinceras desculpas, extensivas a Michell Niero, ao autor do artigo e a quem mais se tenha ofendido; aqui não estou pra magoar seja quem for; por isso, cabe-me (mais A MIM que ao senhor, a quem fiz pronunciar-se [ainda que por... sofrimento] – pela primeira vez?) calar-me e… sumir – ao menos, se o que interessa à maioria ou a todos os demais são irrealidades (ou incorreções de fatos) de um tema idiomático, em vez de análises e mesmo opiniões, sim, também, de vários pontos da comunicação linguística.

    Tenha(m) um bom dia.
    ====================

    P.S.: Como aceitar passivamente a afirmação de que nossas línguas são uma única coisa (tal como amarelo para azul???), se aqui, desde crianças, aprendemos que tal pronome do fim da seguinte frase (TRANSCRITA) é gramaticalmente “errada” – e REALMENTE não se diz assim, cá por estas bandas -, ao passo que em Portugal e alhures é A FORMA USUAL (não sei o que dizem as gramáticas de lá) -, e algo assim pode causar ambiguidade (aliás, há OUTRA ambiguidade na mesmíssima frase, a seguir) à interpretação e ao intercâmbio, tão estranho soando para nós?

    ” Temos muito que aprender ao contrário do que parece acontecer consigo! ”

    Em NOSSA gramática portuguesa (rá rá…), SE, SI, CONSIGO são pronomes pessoais oblíquos REFLEXIVOS (e, ao menos nesse caso, em todo o nosso imenso país todos os falantes e escreventes respeitamos tal norma “normalmente” (rá rá), sem parecer mero artifício gramatical, mesmo sem se ter idéia do que seja essa tal de gramática – compreende o que digo, não?); não os usamos para nos reportar ou dirigir a OUTRO ser que não um referente ao mesmo sujeito da oração. – É o que aprendemos e é o nosso jeito de falar. (Lembro que uma vez, num desses programas de perguntas e respostas, da Internet, vários brasileiros “caíram de pau” num lusitano que postara uma pergunta iniciando-a com “Para si, [...]” [querendo dizer: "na sua opinião / para você / para o pensar do senhor..."], ao passo que EU simplesmente respondi à pergunta, sem ironia nem xingamento, e, no final, apenas comentei, esclarecendo, para o perguntante E os respondentes, essa diferença de emprego vocabular entre Portugal e Brasil. – Parece que… muita gente gostou da minha resposta, que teve altos pontos. [Como pode ver, meu interesse não é CENSURAR simplesmente, como por mero sadismo ou “diversão”… – Será que OS leitores e “comentaristas” em geral, aqui no “site”, estão querendo aprender… mais do que… meramente expressar-se???)

    Fui…
    ======

  27. daignon says:

    Não sei se é coincidencia,mas ontem estava conversando isso com um amigo meu,O Brasil é um pais de proporções continentais,e as girias expressões e sotaques está corelacionado diretamente com a sua colonização,sou mnaranhense já morei em Blumenau e atualmente resido em são Paulo.
    No sul,eram necessários colonos que estavam habituados com o tempo mais ameno durante a maior parte do ano,por isso a tradição em vinhos e quanto mais se chega ao sul,a colonização alemã se torna mais evidente;
    Em São Paulo a necessidade de edificações civis e de linhas ferreas,atraiu mais espanhóis,Italianos dentre outros,por conta disso uma miscigenação maior e até uma mudança de sotaque entre São Paulo que tem sua essencia mais industrial e Rio de Jasneiro ,que seria a capital do |Impeiro alguns seculos atraz,a capital necessitava mais de burocratas e tamb servia de porto para a rota de Minas gerais!
    ao nordeste devido a muitas invasões como a dos Holandeses já tem um sotaque muito diferenciado,isso durante o desenvolvimento da nação,mas só a questão da divisão em capitanias,já justifica.
    Ao menos pela minha compreensão curta,já são alguns dos fatores que influenciou a diversidade de expressões e sotaques falados em nosso país tão extenso!
    (meu comentario não foi baseado em nenhum dos anteriores,me reservo ao direito de me abster de discussoes,na verdade ,só li o post do blog)

  28. D. Sebastião says:

    SINCERAMENTE, NÃO FIQUEI CONVENCIDO COM OS SEUS ARGUMENTOS TÃO “ESTRONDOSOS”.VOCE NÃO ME MOSTROU PROVAS A RESPEITO DESSAS PEQUENAS DIFERENÇAS “IRRISORIAS” ENTRE O PORTUGUÊS E O BRASILIANO.DEVERIA TER ACRESCENTADO PELOS MENOS ALGUNS LINKS DE TRABALHOS DE LINGUISTAS PRA FUNDAMENTAR SEUS ARGUMENTOS TÃO INQUESTIONAVEIS.

    QUANDO VOCE ARGUMENTA SOBRE INTELIGIBILADADE VOCE ( COMO A MAIORIA DAQUELES QUE NEGAM A IDENTIDADE PROPRIA DO IDIOMA FALADO NO BRASIL)SO LEVAM EM CONSIDERAÇÃO O ENTENDIMENTO POR PARTE DOS FALANTES DOS OUTROS PAISES DITOS LUSOFONOS, NUNCA CONSIDERA A COMPREENSAO POR PARTE DOS BRASILEIROS. UM LINGUA É UM CODIGO E COMO TODO CODIGO EXIGE QUE TODOS OS FALANTES SE INTENDAM.

    OUTRA COISA, AS DIFERENÇAS ENTRE LINGUAS SE DÃO TAMBEM NO NIVEL FONOLOGICO, NO MORFOLOGICO, NO SEMANTICO, UMA LINGUA NAO É SO SINTAXE E LEXICO. VOCES DEFENSORES DA SUPOSTA UNIDADE ENTRE AS LINGUAS FALADAS EM PORTUGAL E BRASIL SO LEVAM EM CONSIDERAÇÃO A ESCRITA QUE POR SUA VEZ É BASEADA NA GRAMÁTICA NORMATIVA. A ESCRITA É CONSERVADORA, DAI NÓS BRASILEIROS INTENDERMOS PEREFEITAMENTE BEM A ESCRITA DOS PORTUGUESES, JA QUE A NOSSA É SIMILAR, AGORA NA LINGUA FALADA SÃO OUTROS QUINHENTOS…

    A SINTAXE NAO É TAO SOLIDA ASSIM COMO DIZ O NOSSO AMIGO, QUANDO UM A LINGUA VARIA ELA VARIA EM TODOS OS SEUS ASPECTOS. O PROBLEMA É QUE A LINGUA ESCRITA NO BRASIL FAZ PARECER QUE HÁ UM UNIFORMIDADE NA SINTAXE DA LINGUA FALADA PELOS BRASILEIROS. PRESTEM ATENÇÃO NA FALA DAS PESSOAS EM GERAL E VOCES PERCEBERAM QUE ATE NA SINTAXE EXISTEM DIFERENÇAS COM RELAÇAO A LINGUA ENSINADA NA ESCOLA.

    MAIS UMA VEZ COM RELAÇAO AO LEXICO, LEMBRE-SE QUE NOS FALANTES NAO USAMOS ( E NAO CONHECEMOS) TODAS AS PALAVRAS REGISTRADAS NOS NOSSO DICIONARIOS. UMA BOA PARTE DAS PALAVRAS QUE ESTAO LA SAO MERO ENFEITE. ATE ARCAISMOS, PARA FALANTES QUE GOSTAM DE UM RETORICA MAIS ELABORADA.

    SABE ESSA IDEIA DE QUE BRASIL E PORTUGAL FALAM UMA LINGUA SO NAO PASSA DE ROMANTISMO CONSERVADOR. É UMA BOA ILUSÃO TANTO PRA BRASILEIROS COM COMPLEXO DE VIRA-LATAS COMO PARA PORTUGUESES SAUDOSISTAS QUE AINDA PENSAM NO TEMPO DOS DESCOBRIMENTOS.VOCES NAO SABEM, MAS O ACORDO ORTOGRAFICO FOI UMA TAPA NA CARA DOS PORTUGUESES, ELES VIRAM QUE SE QUISEREM QUE SUA LIGUA SOBREVIVA VÃO TER QUE SE SUJEITAR A VARIANTE DE MAIS PRESTIGIO QUE É A BRASILEIRA, UMA EX-COLONIA! ELES NAO TERIAM ESCOLHA, OU ISSO , OU A VARIANTE BRASILEIRA* TOMARIA A FRENTE POR SER A MAIS PROCURADA PELOS ESTRANGEIROS QUE QUEREM APRENDER O PORTUGUES. E ISSO SE DEVE A FORÇA DO BRASIL.

    OUTRO AVISO, PRA QUEM NAO SABE, O PRESTIGIO DE UM LINGUA SE DEVE SEMPRE A FATORES EXTRALINGUISTICOS, TAIS COMO , CULTURA, POLITICA, PODER MILITAR E, PINCIPALMENTE, A ECONOMIA DO PAIS FALANTE.A ECONOMIA DITA O PRESTIGIO DA LINGUA! FOI ASSIM COM O ESPANHOL, COM O FRANCES COM O INGLES (NA ATUALIDADE) E, DE NOIVO, COM O PORTUGUES, MAS AGORA NA VARIANTE* FALADA PELO BRASIL.

    QUEM QUISER SABER UM POUCO MAIS SOBRE ESSA QUESTÃO DÊ UMA OLHADA NESSE SITE: http://www.marcosbagno.com.br/

    *A EXPRESSAO VARIANTE É USADA AQUI SO POR FORMALIDADE, NO FUNDO MESMO O QUE O BRASILEIRO FALA É UMA LINGUA COM IDENTIDADE PROPRIA, QUE INFELIZMENTE É IGNORADA PELA ESCOLA E MEIOS DE COMUNICAÇÃO.

  29. Manuel Marques says:

    Apesar de interessante o Sr. D.Sebastião perdeu o bom português (brasileiro ou lusitano, não interessa) num qualquer nevoeiro. Regressou cheio de erros de ortografia e em letra grande para quem não veja bem. Coisas da internet…

    Longe de mim ser algum arauto da língua, sou acérrimo defensor das diferenças e ainda mais acérrimo contestatário desta aberração chamada acordo ortográfico. Chamem-me retrógrado que continuarei a defender o meu português conservador e a admirar as diferenças dos outros países lusófonos.

    «MAIS UMA VEZ COM RELAÇAO AO LEXICO, LEMBRE-SE QUE NOS FALANTES NAO USAMOS ( E NAO CONHECEMOS) TODAS AS PALAVRAS REGISTRADAS NOS NOSSO DICIONARIOS»

    Estou plenamente de acordo, apenas escreva com mais brio e consideração pela língua que é a NOSSA…

  30. D. Sebastião (o estraga prazer) says:

    É VERDADE, ALGUNS ERROS DE ORTOGRAFIA E CONCORDANCIA, MAS ISSO NÃO DIMINUI AS VERDADES DITAS AOS SONHADORES QUE PENSAM NA TAL LUSOFONIA. MAS, AINDA ASSIM, FAÇA O FAVOR DE NÃO VIR COM ESSA CONVERSA DE “LINGUA QUE É NOSSA” NENHUM DOS COMENTADORES DESSE ARTIGO FALA A LINGUA DE PORTUGAL, NÃO ENTENDO O PORQUÊ DE TANTA VONTADE EM VIVER ESSA ILUSÃO CHAMADA DE LUSOFONIA! A MAIORIA SE LIMITA A OPINIÕES PRECONCEITUOSAS, NÃO ADMITEM A VERDADE. E SABEMOS QUE O PRECONCEITO É O ÚLTIMO RECURSO DAQUELES QUE NÃO TEM ARGUMENTOS. VOLTANDO A QUESTÃO DA ORTOGRAFIA, SABEMOS QUE A ESCRITA NÃO PASSA DE CONVENÇÃO, NAO SE PODE JULGAR O CONHECIMENTO DE UM FALANTE SOBRE O IDIOMA TENDO A ORTOGRAFIA COMO PARAMETRO. INFELIZMENTE É ISSO O QUE OCORRE, PRINCIPALMENTE NA MÍDIA E ENTRE OS MENOS ESCLARECIDOS. ONTEM MESMO VI UMA PESSOA CHAMAR OUTRA DE ESTUPIDA APENAS POR ESTA NAO ESCREVER CONFORME AS NOVAS REGRAS ORTOGRAFICAS. CONFESSO QUE ACHEI BEM CURIOSO E COMICO O OCORRIDO

  31. Michell Niero says:

    Caro Sebastião,

    Como editor deste site apenas quero lhe agradecer pelo livre exercício da crítica que democraticamente tem exercido.
    Apenas gostaria de lembrá-lo de nossa política de comentários, presente logo acima do box destinado aos comentaristas. Algumas mensagens suas deixadas em outras matérias foram deletadas por infringirem essa política. Conto com seu respeito e bom nível intelectual.

    Os melhores cumprimentos,

    Michell Niero

  32. D. Sabestião (o revoltado!) says:

    CENSURADO É? A VERDADE DOI NÃO? MAIS UM ARGUMENTO INTERESSANTE: SE NÃO RECONHECEMOS A IDENTIDADE PROPRIA DA LINGUA BRASILEIRA,TAMBEM NÃO PODEMOS RECONHCER A IDENTIDADE DO PORTUGUES FRENTE AO GALEGO, QUE POR SUA VEZ NÃO PODE SER CONSIDERADO UMA EVOLUÇÃO DA LINGUA LATINA.ENTAO, POR ESSE RACIOCINIO, NOS DITOS LUSOFONOS , INCLUINDO AQUI OS GALEGOS,CONTINUAMOS FALANDO O LATIM VULGAR.SE VERIFICARMOS BEM, HA POUCAS DIFRENÇAS ENTRE O GALEGO E O PORTUGUES. ALIAS HÁ ATÉ UMA TENTATIVA DE PARTE DA SOCIEDADE GALEGA EM DEFINIR SEU IDIOMA E O PORTUGUES COMO VARIANTES DE UM SO IDIOMA, ISSO É UM FORMA DE PROTEGER SUA CULTURA LINGUISTICA FRENTE AO CASTELHANO. O PORTUGUES FUNCIONARIA ASSIM COMO UMA BARRICADA FRENTE A LINGUA DE CERVANTES. À MAIORIA DOS PORTUGUESES, É CLARO, NAO INTERESSA ESSA IDENTIDADE GALEGO-PORTUGUESA. AH SE OS GALEGOS QUE DEFENDEM ESSA IDEIA ESTUDASSEM A FUNDO A LINGUA FALADA NO BRASIL, VERIAM QUE NOS BRASILEIROS E ELES NAO FALAMOS O MESMO IDIOMA. MAS VOLTANDO AO ASSUNTO, EU ACHO INTERESSANTE DISCUTIR ESSA QUESTAO, POIS TENHO UMA BOA CONSCIENCIA CRITICA DOS PROBLEMAS DO ENSINO DA LINGUA NO BRASIL, SEI QUE A LINGUA ENSINADA NA ESCOLA NAO É A VERDADEIRA LINGUA DOS BRASILEIROS. ASSIM, VIVEMOS UMA MENTIRA QUE DIFICULTA O APRENDIZADO DOS BRASILEIROS, QUE GERA PRECONCEITOS E ANULA NOSSA IDENTIDADE CULTURAL PROPRIA. SORTE É QUE SEMPRE PODEMOS DESTRUIR OS ARGUMENTOS DE QUEM PREGA ESSA DOUTRINA CONSERVADORA, POIS SÃO SEMPRE CHEIOS DE FALHAS E PRECONCEITOS DE NATUREZA EXTRALINGUISTICA.

  33. Michell Niero says:

    Caro Sebastião,

    Apenas você tem se utilizado de uma identidade que não é a sua (acreditamos que todos aqui sejam responsáveis ética e judicialmente por aquilo que publicamos) e se utilizou em algumas matérias de argumentos meramente debochados, o que não convém para um ambiente que privilegia a troca de ideias de bom nível. Algo que, felizmente, nada tem a ver com censura, pois não invertemos valores, não defendemos apenas uma verdade, não destruímos o contraditário e nem retardamos o progresso intelectual de ninguém. Portugal e Brasil, infelizmente, sofreram isso e pagam altas contas até hoje.

    O resto, caro, esteja eu concordando ou não, é considerado válido, conforme você mesmo pode constatar nas páginas onde houve algum exercício argumentativo da sua parte. Até mesmo a deselegante caixa alta, que tem sido exaustivamente utilizada por você, tem sido tolerada neste ambiente. Não faça da sua opinião uma barricada, pois não existe possibilidade de entendimento em um ambiente de guerra. Exponha sua opinião como convir, desde que nosso trabalho continue a ser respeitado.

    Um abraço.

  34. Adilio says:

    A língua portuguesa de Portugal é a matriz; porem o Brasil é uma mistura de muitos povos ,culturas e com diferenças sociais absurdas .Essas diferenças influenciam no forma de escrever e de falar ; onde existem palavras que não existem em Portugal e vice-versa. O Brasil tem 190.000.000 de habitantes ; é impossível que toda essa população fale o mesmo português em todos os lugares .No português brasileiro existe a norma culta que se usa quando se escreve e a norma informal que é a que se adapta a situação em que se está falando . Em Portugal , a influencia de línguas estrangeiras é bem menor do que com o que acontece no Brasil que alem de ter a constante influencia de seus vizinhos sulamericanos ,de índios e da Europa ; ainda tem suas próprias diferenças regionais.E mesmo com tantas diferenças os brasileiros se entendem bem pois se acostumaram com todas essas diferenças adaptando a sua própria língua ; a língua portuguesa brasileira.

  35. D. Sebastião says:

    Adílio você não disse nada de interessante, só se limitou a repetir a mesma historinha de sempre: sobre o Brasil ser muito diversificado culturalmente, sobre a norma culta sobre Portugal ter pouca influência estrangeira em seu idioma (o que não é verdade!) O que eu chamo atenção é para o fato de o Brasil ter um problema seríssimo, chamado DIGLOSSIA, ou seja, a língua falada não esta em sintonia com a língua escrita. Há uma separação entre essas duas dormas de expressar a língua. è por isso que eu torno a dizer que o Brasil não fala a mesma língua de Portugal, que serve de modelo para nossa língua escrita, vivemos uma mentira lingüística.

    Você fala em diversidade cultural como se o Brasil fosse um país que respeita a diversidade cultural. Pense bem a situação da cultura do índio, do negro, das minorias e veja sua situação. Há brasileiros que insistem em viver essa mentira chamada lusofonia. Os portugues eu ainda compreendo, mas os brasileiros envolvidos nisso parece algo bizarro.

  36. Paulo Roberto Brasil says:

    Eu fui à Mocambique e para minha surpresa somente a capital, Maputo, fala o português, nas outras 15 Províncias a língua falada são os respectivos dialetos. Quando o presidente viaja há a necessidade de ser acompanhado por intérprete. Como se vê, a unidade linguística tão decantada no Brasil, s.m.j, se deu muito mais com o extermínio em massa do povo indígena que aqui vivia do que pela docilidade dos portugueses que aqui aportaram. Obviamente, que qualquer língua se impõe pelo poderio econômico representado pelo país, concordo plenamente com a assertiva de o português falado no Brasil e suas nuances sempre será hegemônico diante dos outros paises de mesma língua. Pois, não faz sentido Portugal com sua população aproximada de onze milhões de habitantes e com um PIB bem menor do que a cidade de São Paulo querer que a variante do português falado lá sobrepuja o falado por aproximadamente duzentos milhões de brasileiros. Ademais, tirante a cidade do Rio de Janeiro não se encontra, atualmente, praticamente nenhum traço cultural de Portugal percebido nas outras cidades do Brasil, e olha, são 6.665 municípios catalogados, isto é, não se toca música portuguesa por aqui, teatro nem se fala, a massa não conhece manifestação artística vinda de lá. E não me venha dizer que é por pouca cultura da população brasileira. Em síntese, conhecemos e estamos umbilicalmente ligados à cultura americana e acho pouco provável que um dia a grande maioria da população brasileira se orgulhará de um dia, num passado longínquio, ter sido colonizado pelo povo português. E como diria Chico Buarque de Holanda – todos nós herdamos do sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo além dessa ….. é claro.

  37. Raul says:

    Percebi uma pequena contradição nas suas idéias, e isso através do próprio site de vocês. No topo da página, à direita, onde ficam os ícones-bandeira com as opções de idioma em que o site pode ser lido em vez de ter a bandeira do Reino Unido representando o idioma inglês tem a dos Estados Unidos. Gostaria de saber o porquê disso, já que o país de origem da língua inglesa é a Inglaterra (senhora do Reino Unido)e não os EUA. Se você e seus amigos sonhadores da Ilusofonia justificarem essa escolha com o fato de os EUA serem mas importantes econômica, politica, cultural e militarmente que o Reino Unido, eu perguntarei: não seria justo também representar a língua portuguesa com a bandeira do Brasil? Afinal o Brasil é uma das economias mais importantes do mundo, tem cada vez mais influência no jogo politico das Nações Unidas,é de longem um softpower, capacidade de influenciar outros povos com sua cultura. E futuramente vai ter um poder militar consideravel, isso é inevitável. Sei que isso não importa para os defensores da lusofonia, mas acredito que o Brasil não precisa de Portugal para divulgar sua língua e sua cultura, está muito bem sozinho. O Brasil tem prestígio pra isso. A idéia de o Brasil consultar Portugal a respeito da língua, soa semelhante a dizer que os EUA devem pedir permissão ao Reino Unido para fazer o que bem quiserem da língua ( o que eles já fazem, já que a maioria das novas palavras do inglês que surgem a cada ano são cunhadas nos EUA), ou seja, soa uma piada. Acordem, língua e poder econômico andam lado a lado, quem tem mais doláres fala mais alto, tem mais prestígio. Então cabe ao Brasil decidir se deve se prender a essa quimera lusofona ou se deve tomar consciencia de que possui língua própria.

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