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Língua, frutas e cores… as metáforas do cotidiano

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admin@areadeletras.com
22 de December de 2008

abacaxi Língua, frutas e cores... as metáforas do cotidianoAs palavras não têm culpa dos significados que atribuímos a elas. E uma vez que uma língua tem um número restrito de palavras, há um processo chamado de expansão metafórica que nada mais é do que expandirmos o sentido de uma palavra para área semântica que a principio não é a sua de origem. Por exemplo, cachorro, em determinado momento, passar a ser utilizado como sentido de ordinário, pilantra, canalha e nada tem a ver com o animal, muito pelo contrário. Por exemplo, se a namorada diz: “meu namorado é um cachorro”, ninguém pensa que ele baba, late e mija em poste.

Essas expansões se dão baseadas em motivações contextuais que, muitas vezes, se perdem no tempo.

Entretanto, o que me traz aqui são as cores e frutas que, com suas expansões metafóricas, já apresentam um uso tão comum que perdemos a motivação que levou a troca de significado. Veja bem. Se desistimos de algo, amarelamos; se sumimos, azulamos. Mas se nos assustamos, ficamos brancos. Com raiva, esverdeamos; com vergonha, enrubescemos. Se estamos tristes, está tudo cinza. Mas se melhorar fica tudo azul. Espero que não inventem uma metáfora para fúcsia antes que eu descubra que diabo de cor é essa.

Com as frutas, vai-se pelo mesmo caminho. Se temos algo difícil, temos um abacaxi para resolver, mas se é facinho-facinho, temos um mamão com açúcar. O cara intermediando uma relação escusa era testa-de-ferro, hoje, é laranja. Já o sujeito que não tem atitude é um banana. O mau humorado é azedo como um limão e o bobalhão é um goiaba.

A recriação de sentidos da língua não tem limites. Outro dia ouvi uma aluna comentar com outra sobre um determinado rapaz:

- Fulana, não se iluda, ele é kiwi.

E logo conclui:

- Sabe não? Cabeludo por fora, mas fruta por dentro.

É. Definitivamente, não há limites para a expansão metafórica.

Dá até medo…rs

Em tempo: Estas metáforas são plenamente culturais. Se azul em português indica tudo bem, tudo tranqüilo, tudo certo; em inglês, blue (azul) significa triste.. Vai entender…

 Língua, frutas e cores... as metáforas do cotidiano

Marcelo Leite

é Doutor em Língua Portuguesa pela UFRJ, professor, pesquisador, Coordenador do Curso de Letras da USS e Diretor do CEFLCH. Assina os blogues Saco de Filó e Falando de Língua.

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7 comentários

  1. Coluna "Falando de Língua", assinada pelo Professor-Doutor de Língua portuguesa, Marcelo Leite. Confiram.

  2. Sabrina says:

    Realmente, dá até medo. rsrs

    Fiquei curiosa, que cor é a fúcsia ?? (é assim que escreve mesmo?? ) rsrs

    Abç

  3. Beth Cruz says:

    Essa do Kiwi foi surpreendente, nunca tinha ouvido e achei muito comédia.
    Quanto a côr Fúcsia, é um nuance de cor, próxima ao roxo e ao lilás. Pelo menos nos rótulos dos meus tubos de tintas mostra isso, rsrsssss
    Abraço, tenh um Feliz Natal e um Ano Novo de muito sucesso.
    Beijo

  4. michel says:

    Muito jóia o texto, como há outro sentido atribuído as cores, nunca havia pretado a devida atenção a isso, outro exemplo são concernentes aos animais, a menina é uma gatinha, o guri é um veado e tínhamos um amigo o qual chamávamos de gazela hehehe
    abração.

  5. erich says:

    Ja uso a brincadeira do Kiwi e sempre escuto algo novo.
    A nova onda aqui em são paulo é chamar uma garota que é mais saidinha, mais “dada” de piriguete….!!!! vai entender

  6. paulo says:

    rsrs ate exagerado

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