Efeito catártico

O Fantástico do dia 13/09/2009 (e que não pude assistir) ficou de explicar os motivos que levam uma pessoa a se emocionar, vibrar e participar de uma novela, de um filme ou de um livro. Não sei exatamente qual foi a explicação dada por eles, mas gosto da explicação filosófica sobre arte.

Platão acreditava que tudo o que criamos nesse mundo é uma cópia (simulacro) de algo que vimos no mundo das idéias superiores. Nesse mundo superior, tudo era perfeito e que nossas criações eram uma tentativa de criar algo semelhante. Semelhante, porém, não igual, porque para Platão, nós nunca vamos criar algo como o que vimos nesse mundo das idéias.

O que seria a arte para Platão?

A arte era vista como uma cópia, copiada da própria cópia e era conhecida como Mimeses (imitação). Quando representávamos de forma pictórica um vaso, estávamos representando um vaso que foi visto no mundo das idéias, assim, não era um vaso perfeito, era a cópia de um vaso imperfeito.

O filósofo achava que as artes imitativas – mímese – (pintura, poesia, música, teatro…) eram uma forma de alienação, pois não possuíam uma finalidade prática e seriam as causadoras do enfraquecimento moral do individuo ao estimular suas emoções e diminuir a capacidade racional.

Para Aristóteles, o artista não faz uma simples representação do “do real”. O artista seleciona e constrói uma representação universal da realidade, desvendando sobre a aparência exterior a essência interna e ideal. Essa essência interna e ideal é a verossimilhança.

A arte estimula as emoções através da verossimilhança e é na verossimilhança que nos identificamos, estimulamos, purgamos nossos sentimentos e nos purificamos. É desse sentimento mimético misturado com as nossas experiências que surge a purificação por meio de emoções – a catarse.

A catarse, ou melhor, o efeito catártico é o responsável por fazer você se emocionar quando assiste aquela cena da novela, ou quando termina aquele livro que você leu com tanto afinco. É na ficção, que funciona como espelho da realidade, que vivenciamos aquela realidade que não nos é permitida.

Através da arte (…) distanciamo-nos e ao mesmo tempo aproximamo-nos da realidade” (Goethe).

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