Novas tecnologias na sala de aula

Possibilidades didáticas para um ensino construtivista

(por Pamela Niero com colaboração e discussão de Alexandre Caetano e Lilian de Paula)

tecnologias2Novas tecnologias são amigas ou inimigas? Quais delas eu posso utilizar? Qual a melhor forma de utilizar esses novos recursos? Você alguma vez deve ter se perguntado isso. Essas e outras perguntas semelhantes fazem parte dos novos dilemas do professor moderno.

Crianças e jovens têm acesso cada vez mais rápido ao computador, à internet, às câmeras digitais, aos tocadores de mp3 e a outros recursos tecnológicos. Com o avanço tecnológico é necessário um novo olhar para as ferramentas intermediárias do processo de ensino e aprendizagem. Lousa, cuspe e giz cedem lugar para ambientes virtuais, redes sociais, blogs e fóruns.

No artigo “Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologia”, o professor José Manuel Moran chama atenção para as possibilidades dos novos recursos tecnológicos, frisando principalmente as mudanças na relação professor-aluno, tempo-espaço e individualidade-coletividade.

MoodleCom os blogs, grupos, fóruns e até os ambientes virtuais o conceito de aula muda e a sala de aula ganha uma extensão, que pode ser acessada a qualquer hora em qualquer lugar, servindo de ponto de encontro entre o professor e o aluno. Neste novo “point” pedagógico, o professor tem a possibilidade de disponibilizar material extra para os alunos, além de estar “presente” 24 horas aos alunos

O espaço de trocas de conhecimento aumenta e o processo de comunicação inova. Chats, e-mails possibilitam ao professor a tirar dúvidas a qualquer momento, além de orientar virtualmente pesquisas e atividades, como nos chamados Webquests, que possibilitam aos alunos trabalharem como pesquisadores. O papel do professor fica em orientar os alunos na construção do conhecimento.

As novas tecnologias tornam o processo de comunicação mais participativo (incentivando cada vez mais o trabalho coletivo de alunos e professores) e conseqüentemente a relação do professor com o aluno mais aberta e interativa, além de possibilitar integrar a comunidade nos projetos.

Para que isso aconteça, é necessário que o professor saiba aproveitar o que há de melhor no ensino presencial e no ensino a distância, sempre atrelando as novas tecnologias ao currículo. Existem várias ferramentas na Web, o professor deve buscar conhece-las e descobrir formas criativas de utilizá-las.

Ferramentas on-line

Se você pensa que novas tecnologias se resumem a utilização de “power point” e ferramentas de uso off-line (jogos, paint, movie maker e pacote Office) em sala de aula, conheça agora algumas ferramentas e as possibilidades que elas apresentam para ajudar no processo de ensino e aprendizagem.

Ambientes virtuais: São como salas de aula on-line que possibilitam ao professor colocar o conteúdo (aula) em textos, administrar atividades e avaliações. Os ambientes virtuais mais conhecidos são o blackboard e moodle.

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Grupos: Atualmente existem dois tipos de grupos – os on-line e os off-line. Os grupos off-line são grupos de e-mails, como o Yahoo Groups ou Google groups, que unem várias pessoas em um único endereço de e-mail, o que torna possível à troca de mensagens entre os membros de um mesmo grupo. Nos grupos on-line (Groups.Im) a diferença está no momento em que ocorre a interação. Os membros do grupo não precisam acessar os e-mails para ler as mensagens, mas ficar on-line nos “Messengers” (aplicativo de mensagens instantâneas, como MSN) para que comece a troca de mensagens.

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Redes sociais: As redes sociais permitem a divulgação de trabalhos, participação em fóruns e a união de pessoas com um mesmo interesse. Podemos citar o orkut, facebook e a sensação do momento – o twitter.

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Ferramentas de publicação na web e compartilhamento de arquivos: As páginas na web e os blogs possibilitam a publicação de trabalho dos alunos, como forma de motivação, além de permitir disponibilizar textos, imagens, sons e animações para os alunos. Podemos citar o You Tube (para vídeos), o WordPress (para páginas e blogs) e o Open Journal system (para criação de jornais e revistas). Outra ferramenta excelente para compartilhamento de arquivos de forma “estática” (ou seja, que não necessitam que o usuário que disponibiliza esteja conectado) são os chamados discos armazenagem virtual. Os mais conhecidos são o 4shared (que funciona como uma HD virtual compartilhada), o eSnips e o Rapidshare (que armazena um arquivo sem a necessidade de cadastro).

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Ferramentas para pesquisa: Possibilitam ao professor e ao aluno pesquisar em revistas e outros documentos informações precisas, como é o caso do Google e do Bing (ferramenta de busca da Microsoft).

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Ferramentas de construção colaborativa: Quer construir conhecimento com os seus alunos? Que tal utilizar o Wikispaces? Essa ferramenta possibilita os alunos adicionarem dados, textos, tal como a Wikipedia (enciclopédia construída com informações adicionadas por usuário). A vantagem é que uma turma pode ter seu próprio espaço “Wiki”. Outra possibilidade “Wiki” são os indexadores de blog, no qual os principais artigos ou “posts” publicados pelos alunos ou professores em seus blogs pessoais ficam disponíveis numa única página com um hiperlink para ler na íntegra o documento.

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Rádios on-line: Alguma vez você já ouviu o termo podcast? Podcast são rádios on-line com programações pequenas, de no máximo 5 minutos. Você e seus alunos podem criar rádios e publica-las on-line, além de unir várias rádios nos agregadores de podcasting (iguais aos indexadores de blogs). Quer conhecer? Visite então a Podcast One.

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Esses são alguns exemplos além das ferramentas “off-line”. Procure explorar as possibilidades dessas e outras tecnologias e conhecer novas para tornar sua aula mais dinâmica.

Sugestões para utilizar algumas ferramentas

Esqueça todas aquelas desculpas clichês e barreiras tão conhecidas e veja como é simples usar as tecnologias na sala de aula. Criamos algumas dicas simples, sem custo e que podem ajudar a utilizar diversas ferramentas.

Revisão textual colaborativa: Esta atividade pode ser aplicada tanto para o ensino de língua portuguesa, quanto para o ensino de língua estrangeira. Como atividade extraclasse, sugira que os alunos organizem-se em grupos e crie um grupo de e-mails (yahoo groups). Selecione produções textuais de alguns alunos e envie para o grupo corrigir. Peça que eles enviem e-mails para o grupo apontando os erros e discutindo o erro (o motivo do erro) e as sugestões para melhorar o texto. Desta forma você estará instigando o grupo a pensar a língua.

Webquest, Teatro on-line e Wikispaces: Sugira uma leitura prévia da obra “A farsa de Inês Pereira” de Gil Vicente. Oriente uma pesquisa sobre o autor e sobre a obra. Sugira aos alunos que assistam a peça disponível no site do “Centro de Investigações para Tecnologias Intectivas” do departamento de ciências sociais e humanas da Universidade de Lisboa (http://www.citi.pt/gilvicenteonline/html/farsa/frameset_farsa.html). Para a produção do trabalho final, peça que os alunos organizem artigos ou resenhas sobre a peça e publiquem o resultado da pesquisa e o texto produzido em Wikispaces ou em um blog da turma.

Podcast de literatura: (Adaptado da revista Nova Escola) Explique inicialmente a proposta e o funcionamento de um podcast, mostre alguns podcasts para os alunos para que eles se familiarizem com a tecnologia. Sugira a leitura de uma obra e a investigação da vida do autor. Após a coleta dos dados, selecione com os alunos as informações principais, o gênero (como entrevista) e montem um roteiro para o rádio (podcast). Ensaie o programa, grave (utilizando programas como o Audacity, “gravador de voz do windows” ou outro programa de sua preferência) e publique o podcast, disponibilizando ele para a comunidade (é possível inclusive colocar um hiperlink no blog da turma para que todos acessem o podcast). Uma outra forma de variar essa atividade, é criar documentários com câmeras digitais, filmadoras digitais (ou de celular), editar com o Windows Movie Maker e publicar.

Vale ressaltar que todos os processos para a criação de um produto final através de mídias digitais transitam por diversos gêneros textuais, bastando apenas criatividade e boa vontade do professor.

Pensar em um ensino totalmente a distância ainda é ilusório, mesmo nas previsões otimistas do professor José Manuel Moran, pois exigem uma nova postura do aluno, mas trazer as tecnologias como recursos didáticos é mais que possível!

Saiba mais!

Busque sempre se atualizar sobre o que está acontecendo no mundo tecnológico. Revistas e sites especializados são uma boa pedida. Uma boa revista é a INFO (http://info.abril.com.br/).

Leia também:

Tools for online collaboration (http://www-writing.berkeley.edu/tesl-ej/ej32/int.html)

Cursos são oferecidos via celular (http://uoltecnologia.blog.uol.com.br/arch2007-11-25_2007-12-01.html#2007_11-29_14_07_25-126529944-26)

12 thoughts on “Novas tecnologias na sala de aula

  1. Pingback: Novas tecnologias na sala de aula | Metablog

  2. É muito importante essa discussão sobre o uso pedagógico das tecnologias em sala de aula. E nesse sentido q acontece este ano o Ennovation, que é um seminário com abordagem tecnológica em sala de aula.

    Abraços

  3. Estou construindo o blog da escola estadual, e passando poucas e boas.
    Dificuldades por nao dominar esse visual lindo, e de pessoal.
    Esse artigo deveria estar no blog.
    Muito util, ainda mais agora que estou precisando fazer a cabeça do pessoal que nao querem participar do blog.
    se puder me dar volume de noticias e vida no blog, agradeço, e ficaremos logados.
    Prof. Donizete.

  4. Olá Pamela,
    estou trabalhando para o fechamento do blog da escola.
    suas dicas estao sendo primordiais, e estou usando-as na medida do possível, mas um título bom para esta msg seria “uma garrafa ao mar”: tenho navegado, mas nao encontrado aquilo que nao sei se é possivel.
    as dificuldades operacionais são muitas, mas não determinantes; mas os obstáculos humanos sim, estes podem ser determinantes.
    voce mesma diz em ferramentas para uso off ou on-line; pois bem:
    1- não consigo anexar uma apresentação do power point no blog.
    2- uma demonstração feita no software Cabri geometrè, onde pode-se verificar que a antena parabólica é uma parábola, também não pôde ser anexado (o arquivo)
    3- o cabeçalho que tem 150X1600 pixels está horrível, busquei no google, mas não encontrei nada significativo, e tenho visto que é possivel – os blogs tem um cabeçalho bonito.

    mas qto aos professores, fica aquilo: uns preferem o mimeógrafo, outros nada, e ainda outro grupo que gostou mas não terá tempo para postar.

    Sabe Pamela, as pessoas são por vezes um verdadeiro balde de água fria.

    Penso que estou fazendo isso por mim mesmo, e sei que minha garrafa será lida por muitas pessoas – não estou sozinho, somente deslocado.

    Pretendo fazer valer conhecimentos e adquirir mais, só falta conhecer pessoas que me indiquem algo.

    Tenho já algumas e vc esta inclusa.

    Sorte e sucesso

    Até

  5. No momento que a gente parar de pensar que educação é um pacote que se ganha ao se comparecer numa casinha com o nome de escola na fachada talvez possamos deixar de queimar gerações. A cultura do aluno pode se tornar matéria prima assim como são os livros didáticos e o próprio conhecimento do professor. Mas para isso é preciso que o professor deixe reconhecer nos hábitos do aluno apenas desinteresse e alienação.

    Não dá pra tachar de desinteressado um moleque capaz de ficar uma semana investigando possibilidades a frente de um jogo eletrônico, analisando alternativas, resolvendo problemas complexos de lógica, fazendo resgates históricos no enredo do jogo, tudo para passar de fase. E ele aprende com o videogame também. Aprende matemática, física, inglês, até mais que nos exercícios de fixação que ele copiou as respostas do amigo. Até mais que nos exercícios de interpretação de texto que ele copiou do colega ao lado “só pra ter uma ideia”.

    As novas mídias aplicadas em sala de aula representam na minha sincera opinião de curioso um convite para mudar a forma de aquisição do aprendizado. Forma essa que, diga-se, há muito tempo fracassa. Longe de sistemas, métodos e tentativas tresloucadas de adestrar o aluno em sala, temos que reconhecer que a internet salvou o texto escrito, representa uma memória coletiva acessível a qualquer hora dia. A internet é um grande experimento de convergência de linguagens e gêneros que, por sorte dos professores, os alunos da geração Y sabem dominar muito bem.

    O que fazer com tudo isso? Negar esse traço cultural contemporâneo e levar a risca a frase de Monteiro Lobato “um país de faz de homens e livros”? Não só de livros e homens se faz uma nação. Até o Street Fighter, o Funk, a Malhação e o clipe da MTV podem ajudar nessa construção, desde que o professor saiba tornar esse punhado de símbolos, linguagens e gêneros em elementos que visem um pensamento crítico. Diria que o professor deve estar de peito aberto, cada vez mais atento e acima de tudo livre de estigmas para lidar com essa cultura cada vez mais caótica e hibridizada das mais novas gerações.

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  8. Olá, pessoal! achei super interessante a abordagem desse trabalho. Sou mestranda em Ciências da Educação.Pesquiso a relação dos Professores de L.P com as NTICs. As orientações explicitadas são bastante pertinentes e enriquecedoras ao novo perfil docente. Parabéns ao grupo pelo conteúdo postado.

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