A arte do encontro
Vistosa, queimada do sol e ainda mais bonita do que eu lembrava. Cabelos loiros ao vento, franja jogada de lado, calça jeans apertada, blusa branca decotada. Fazia anos que não nos víamos nem por acaso, como desta vez.
Agachado procurando uma tal pomada para cicatrização, não tive como reparar nos medicamentos depositados em sua cestinha. Pílula anticoncepcional? Camisinhas? Medicamentos para gripe? Não sei. Morri de curiosidade.
A mulher em questão foi minha paixão juvenil. Demorei anos para conquistá-la e quando consegui durou pouco. Nos afastamos, afastamos, afastamos e sumimos da vida um do outro.
Levantei, cumprimentei e fiquei tão entretido na conversa que me esqueci completamente dos medicamentos na cesta. Continua solteira, namora há anos. Parou de surfar, não quer mais morar na praia. Formou-se em direito, trabalha em um escritório na Berrini.
Foi o quarto encontro com o passado que tive em duas semanas. Recentemente encontrei no supermercado minha primeira namorada séria. Eu comprando cerveja para o fim de semana e ela fazendo as compras da casa.
Casou-se com um evangélico, usa saia e cabelos compridos. Deus é a resposta. Ao contrário da loira, minha primeira namorada já foi mais bonita. Teria eu virado crente se o namoro vingasse? Teria ela tatuagens?
Outra amiga que há tempos sumiu resolveu aparecer pela rede. Não nos vimos, mas por MSN percebi o quanto mudou. Era decidida, guerreira, cheia de objetivos. A primeira da turma, que todos sabiam que chegaria longe.
Quase foi, ficou pelo meio do caminho. Contentou-se com o que já havia conquistado. Casou e agora não enxerga como pode voltar para os antigos objetivos. Jogar para o alto? De forma alguma.
Teria eu ficado com receio de largar tudo e viajar pelo Brasil se na época ainda fôssemos grandes amigos? Não creio, mas também não duvido.
Como dizia o poeta, A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. E são os encontros que nos fazem pensar, crescer e mudar. Quem sabe não viro budista, muçulmano ou cristão. Começo a gostar de vôlei, tênis ou música sertaneja.
De música sertaneja vc já gosta, vai. Tbm penso em muita coisa “se tivesse sido diferente, como seria hoje?”.. estranho né?! Adoro seus textos, e não é puxação de saco hahahah beijos.
a ida, a volta, o encontro, possibilidades, legal pensar nisso, muita viagem.
bem doido hein felipe..
Penso toda hora nessas coisas que poderiam acontecer. Fui apaixonado na adolescência por uma garota que, também, virou carola. Acho que não ia dar certo mesmo. Teve outra, linda, que se formou em Ciências Sociais e hoje vive na França. Mas acho que não ia dar certo também. Perfeição demais estraga.
No fim, é aquilo que a gente menos espera é o que acontece. Estou há 4 anos com uma garota que eu conheci pelo Orkut vasculhando parentes com o meu sobrenome. Somos movidos pelo acaso, não adianta.
Um abraço
acabamos nos vendo em outra vida, se tivessemos acompanhado pessoas diferentes das q acompanhamos.
Gostei….apesar de que já me imagino encaixada por vc numa categoria que nem gostaria de saber….