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Meu Arquiinimigo |
 

Meu Arquiinimigo

Posted by Felipe Tonet on Jul 7, 2009 in Uncategorized |

Conheci Pedro Henrique (nome de mentirinha) na pré-escola, e aos 6 anos ele já  tramava para acabar com a minha reputação. Tudo que eu tentava fazer, ele fazia melhor.

 Para começar, era quase duas vezes maior que eu, mesmo tendo nascido 5 meses depois. Era mais bonito, tinha os olhos mais claros e jogava futebol melhor. Conseguia encaixar as piadas sempre na hora certa e fazia questão de nunca rir das minhas, o que o resto da classe acompanhava.

 Certa vez, o combinado era levar comida para a escola, fazia parte de alguma festividade infantil que não lembro mais. Na descida da perua meu inimigo esbarrou em mim e derrubei todas as coxinhas compradas por minha mãe para a ilustre ocasião. Fui a única criança que não colaborou com a boquinha.

 Por anos e anos Pedro Henrique foi meu arquiinimigo (escreve assim mesmo, tudo junto). Eu era o Batman e ele meu Coringa; eu era o Homem-Aranha, ele era o Duende Verde; eu era o Peter Pan, ele era o Capitão gancho.

 O Vilão era astuto. Eu era o Super-Homem e ele meu Lex Luthor, conhecia minhas fraquezas, sabia usar a Criptonita. Próximo de completar 10 anos eu estava completamente apaixonado por uma linda morena dos olhos verdes. Andréia. Pedro Henrique percebeu e resolveu se apaixonar também.

 Escrevi uma carta abrindo meu coração, colei diversos corações, usei todos os 36 lápis de cor da caixa da Faber-Castell. Pedro Henrique escreveu uma carta maior, com mais corações e mais cores. A partir daquele dia começaram a andar de mãos dadas pelo colégio.

 Ao fim do primário meu rival mudou de colégio e nunca mais nos vimos. Recentemente fui levar o carro para fazer a revisão dos 10 mil quilômetros, e para minha surpresa reconheci o atendente.

 Era ele. Pedro Henrique. Não é mais tão maior que eu, creio até que somos do mesmo tamanho. Bochechas salientes, cabelo loiro despenteado, camisa e gravata do uniforme. Não parecia tão malvado.

 Pedro Henrique também me reconheceu, lembramos os tempos de escola, a infância, o colégio. Disse-me que recentemente terminou um noivado, é pai de uma menina. O tempo passa. Como passa. Nos despedimos, esperei o carro e fui embora.

 Crescemos. Envelhecemos. Será que melhorei muito em todos esses anos? Não creio. E nem ele. A única certeza é que ambos fizemos bom negócio. A Andréia encontrei em um bar perto de casa. Óculos fundo de garrafa, espinhas no rosto e do tamanho de um leitão.

2 Comments

Ligyta
Jul 7, 2009 at 10:08 PM

Poxa você já tinha um inimigo com 6 anos!

Adorei esse texto, nostalgia é sempre engraçado.


 
Antonoly
Jul 7, 2009 at 11:59 PM

Tive também meus inimigos de infância, mas não guardo rancor de nenhum deles, pelo contrário, torço para que estejam felizes.
Um abraço!


 

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