A cidade
BRASIL - Eu continuo por aqui;
Observo os boeiros sujos,
as bocas de lobo cancerosas.
Os barracos são como doentes
que insistem em sobreviver,
quase sem sangue nas veias.
As paredes esverdeadas e descascadas
são como a própria existência nossa.
Vejo-as como a pele de um septuagenário
que fica áspera com cada esperança perdida,
lágrima caída, passo dado…
Só creio no que meus olhos vêem,
no que meu corpo sente.
Sentir na pele foi minha única maneira de aprender.
Sou aquele barraco que descasca,
aquela árvore debruçada sobre o muro,
sou como um poste brotando do concreto,
aquele boeiro que transborda
carregado de existência.
João Pinheiro é brasileiro, cartunista, ilustrador e escreve todos os domingos - com textos e imagens - no blog Descobri a Pólvora! Conheça mais do trabalho brilhante do João no portifólio dele e nos blogs Os Subterrãneos e Cabeçorra e Corvolino.
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Fantastico!!!
O “eu” narrado é um cidadão e tanto!
Diante de tantas árvores, pessoas que vão, pelo menos vc fica.
Muito pós-moderno!
Abraço!
Legal o poema.
O tal João é talentoso.
até
[...] Fonte [...]
Muito bom este texto.
O seu blog é exemplar em modo de carregar foi o blog que abriu mais rapiudo para mim até agora parabens continue assim
Texto com muitas imagens bonitas, bem trabalhado. O que mais gostei foi da imagem do septuagenário “que fica áspera com cada esperança perdida” bonito pra caramba.
ótimo texto, vou entrar lá no blog dele depois
e o seu tmbm está bem bacana t+
passa lá no meu depois
Muito bom o texto.. continue assim tens o dom pra coisa.
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