Sidebar Header

Sidebar Header

    Africanidades A África vista pelos olhos de um branco.
    Babel.com Trabalhar no jornalismo é ser apaixonado pela língua. E seja no idioma, seja na provocação, afiar a língua é sempre necessário. Este é um blog de textos jornalísticos, em português e outros idiomas, com visão provocativa de fatos correntes e outros temas
    Ipsis Litteris BLOG DO GRIJÓ - Livros, Música, Cinema & Afinidades
    Jorginho em Angola O blog do Jornalista baiano Jorge Ramos traz luz ao belo e ao perverso de nossos irmãos de Angola
    Os subterrâneos Blog do cartunista, ilustrador e colaborador da Revista O Patifúndio, João Pinheiro.
    Redescobrindo SP Nesse blog você encontra dicas e opções de passeios na cidade e arredores de São Paulo. Críticas e sugestões são bem vindas!
    República Livre Blog do professor de história, e colaborador da Revista O Patifúndio no Timor Leste, Daniel Clos.
    Roberto Hunger Jr. Cartunista criador de Sophia Pongota e colaborador da Revista O Patifúndio
    Sem Fronteiras A informação nos leva ao mundo, nós levamos a informação até você
    Sophia Pongota!
    Sou de Malanje Bem Vindo a Terra da Palanca Negra Gigante - Blog do nosso colaborador Custódio Fernando (Vula Magina)

Sidebar Header

Luanda - Angola


Brasilia - Brasil


Lisboa - Portugal


Maputo - Moçambique


Praia - Cabo Verde


Bissau - Guiné Bissau


Macau


São Tomé e Príncipe


Sidebar Header

Sidebar Header

Na esquina de Maputo

Celso Amade | Celso Amade, Cidade, Moçambique, cotidiano | Quinta-feira, 31 Julho 2008

MOÇAMBIQUE - Tem quem se lembra de Lourenço Marques.Tem também quem se lembra de Maputo. Eu não consigo deixar de lembrá-la como “A Cidade das Acácias”, com seu perfume característico, o ar quente batendo no meu rosto suado, as árvores verdes cheias de flores coloridíssimas.

Desço a avenida assobiando “Jorogina” do Fany Mfumo, mãos nos bolsos como quem não quer nada. A minha mente vagueia mais rápida que os pés pelas ruas da baixa.
Sento-me no café Scala para tomar ar, escolho uma mesa na esplanada, já que não sei assobiar embora inveje os meus amigos que com toda a perícia de pastor assobiam com pulmão e meio todos aqueles toques de chamada. Levanto a mão meio timidamente para chamar o mocinho, e peço uma Rainha.

De pernas cruzadas voltado para a estrada aprecio o movimento de meninos que pedem quinheta, dos moços que vendem peças de artesanato, do velho engraxador de sapatos sentado na sua caixa-oficina, do ardina que grita os títulos do jornal Noticias, das mamanas vestidas de capulanas de cores coloridas que vem do Mercado Municipal com cestos de palha na cabeça.

Perco-me nesta visão da minha terra, o despontar da minha mocidade neste espaço, onde me sinto parte integrante daqueles que jazem personagens da minha estória do outro lado da mesa… senhor! senhor! … O chá já está! - Acho que me assustei com a minha ausência! O servente pôs o chá na mesa, sorriu e perguntou se desejava mais alguma coisa. Ainda meio ausente, tentei retribuí-lo esboçando um sorriso também, mas acho que não me sucedi como devia ser, senti que o meu sorriso tinha mais a ver com uma expressão de “porra meu, assustaste-me!”

Ainda contemplando as acácias da minha terra, de dois tragos desmaterializei a Rainha goela abaixo, ficando depois com um sentimento de culpa. Não era suposto ser assim, deveria ter tomado este chá com mais calma.

O fim do chá tirou-me a vontade de continuar sentado, afinal era o pretexto para ali estar naquela esquina sem fazer nada, só que deste lado da mesa.
Vou-me contemplando as acácias da minha terra.

Para entender melhor: 

_______________________________________________

Lourenço Marques - Antigo nome da cidade de Maputo, capital de Moçambique
Fany Mfumo - Artista Mocambicano, um dos instituidores do ritmo marrabenta.
Quinhenta - Denominação de moeda de valor mínimo.
Mamanas - Senhora no contexto cultural do sul de Moçambique
Capulana - Peça de pano usada pelas senhoras em forma de saia

_______________________________________________

Celso Amade é moçambicano e autor dos sites Moc magazine e Mbila música de Moçambique.

Novo por aqui?

Assine a gente e acompanhe as nossas atualizações.Obrigado pela visita!

Soltas de Moçambique

Jorge Rosmaninho | Africanidades, Cidade, Jorge Rosmaninho, Moçambique | Quarta-feira, 30 Julho 2008

 

MOÇAMBIQUE -  Uma forma mais branda de dizer: “Blacks are not allowed” (pretos não são admitidos). Garantem-me naturais de Inhambane que até há bem pouco tempo era possível encontrar placas assim (assumidamente racistas) em alguns estabelecimentos pertença de Boers (sul-africanos brancos).

Uma capulana a adejar ao vento, numa praia em maré-baixa. Todo o Moçambique (a sua diversidade, a sua pobreza e riqueza, a sua alegria e tristeza) poderia ser representado por meia-dúzia de capulanas. Poucos objectos/coisas retratarão tão bem o país como as capulanas. 

A antiga catedral de Inhambane está bem guardada. Karl Marx na lateral e Ahmed Sékou Touré na rua que lhe passa em frente. Provocação da Frelimo, nos primeiros dias de liberdade?

Jorge Rosmaninho é alentejano, jornalista e percorre a África em busca de imagens e histórias. Além de colaborar para a Revista O Patifúndio, ele mantém o blog Africanidades.

Sexta-feira, dia do homem

Celso Amade | Celso Amade, Cidade, Moçambique, cotidiano, traços culturais | Sábado, 26 Julho 2008

MOÇAMBIQUE - Este facto é consumado; já não requer negociatas, nem invenção de desculpas esfarrapadas. José José quando sai do trabalho as 17 horas, sente-se um tanto quanto estranho de se sentir possuidor de tamanha preciosidade… Liberdade! “carta de Alvará!” A famosa licença para desbundar.

Ora bolas! estou aqui a falar de um tema tão rico e intrigante usando pseudônimos; José José; onde já se viu coisa assim?

Este e um sentimento legítimo na primeira pessoa, embora não tenho tido este privilégio faz já muito tempo [matéria para outras fábulas], ainda posso contar o que milhões de homens de H maiúsculo já sabem. Uns vivem a novela toda a sexta-feira, outros fingem conseguir materializar o sonho de todos alfa-machos.

Na quinta-feira à noite, enquanto faço a revisão mental das atividades do dia seguinte no escritório, deparo com a minha mente frívola de ansiedade percorrendo os planos pormenorizados da função pós 17 horas. Nem me lembro de ter revisto a reunião das 14 horas com a diretoría. Nada. Só 17 horas. Percorreu pelo meu corpo um sentimento forte, indescritível; senti um calor e sorri…

Amanhã é dia do galo. Bendito camarada que idealizou o dia do homem.  O dia passa lento. Passo de camaleão coxo, mas acaba chegando às 17 horas. Quando eram ainda 16 horas, comecei a preparar-me, fui aos lavabos me refrescar, pentear, re-pentear, ajustar a calça, re-ajustar a coeca, limpar os sapatos, enfim, a lista do ritual de asseio torna-se infinita às sextas.

Para ter certeza de que não seria importunado no “meu dia” ligo para casa para jogar conversa fora, e como quem não quer nada, fazer-la saber de que a pilha do meu móvel não esta lá muito abastada de carga. Logo após, desligo o aparelho.
Afinal hoje é sexta-feira, dia do homem, tá tudo liberado, é geral (como quem diz).

Para começar a gozar do “meu dia,” que afinal de contas já é noite, vou me encontrar com a malta no “pub” da baixa. Tomar umas e outras, por a fofoca em dia (afinal macho também tem “updates” para fazer, sobre as fesquinhas), mais logo quando já estiver no ponto, talvez uma volta para casa 2. Programa perfeito.
Desço a avenida com um sorriso maroto, já a pensar nos desfrutes da carne.

Chegado ao bar, não esta la ninguém da malta. Talvez ainda seja sedo. Calmamente, sorvo uma taça e outra atrás da última. Não aparece João Paulo nem Paulo João. Ninguém. Espera ai; afinal eu tenho um celular nê? Poderia ligar para alguém. Mas seria arriscado demais, a minha primeira-dama poderia acesa-me nessa janela. Ainda me estraga o dia/noite.

Já que os gajos não dão as caras, talvez ganhe mais se for para casa 2. Lá as coisas com certeza são menos frustrantes. Acabo a taça depois da última e peço a “saideira”.

Saio em direcção ao carro sentindo-me um tanto quanto confuso, afinal de contas onde fica a casa 2? Ela é o produto da minha psicose, tentando criar uma extensão do meu quarto fora das obrigações domésticas. Um ninho de mel com voluptuosas companhias. Afinal não cheguei a arranjar uma…

Com um misto de aprovação e desanimo, meto a mão no bolso:

- Alô? Olá amorzinho. Vou passar pelo supermercado, queres que te traga algo daqui?

Pensando bem, porque sou homem, e tenho licença para desbundar, ainda que ainda não esteja assinada pela senhora. Melhor mesmo é ir para casa.

_________________________________

Do português do moçambiano, temos:

Casa 2 – na cultura moçambicana, é o mesmo que casa da amante
Fesquinhas – é mesmo que cerveja gelada
_________________________________

Celso Amade é moçambicano e autor dos sites Moc magazine e Mbila música de Moçambique.

Esta é a sua estréia no Descobri a Pólvora!

Inventamos a nossa própria música

Elisio Leonardo | Elisio Leonardo, Moçambique, Música, traços culturais | Sexta-feira, 25 Julho 2008

MOÇAMBIQUE - Uma das coisas mais interessantes na cultura de um povo é, sem dúvidas, a música. Diz a história que povos muito antigos já usavam música para expressar os seus estados emocionais, e em Moçambique isso não é excepção. A música de Moçambique tem uma caracteristica própria e exclusiva, sendo o “ritmo identidade’’, a marrabenta.

Marrabenta é um estilo musical criado já há muito tempo, e que é tocado exclusivamente em Moçambique. Este ritmo sempre foi considerado antigo, mas isso tende a mudar nos últimos tempos. Eis a história.

Os músicos mais velhos de Moçambique sempre tocam este ritmo de música, ou algo parecido. Mas os mais jovens optavam por estilos de músicas ‘importados’, mas que tinham uma característica só nossa. Quando falo de música importada, refiro-me aos estilos que eu considero internacionais, desde hip-hop( não sei a origem, mas deve ser Estados Unidos), passada( Lá para Cabo Verde), até ao rock. Isto foi assim até uns tempos atrás: RockFellas faziam Rock, Gpro e os outros faziam hip-hop, Neima fazia passada.

De uns tempos para cá, iniciou-se uma certa pressão aos jovens músicos, porque não dignificavam a cultura moçambicana (os ritmos originais estavam se perdendo…), porque isto ou aquilo. Os jovens músicos não queriam( e nem podiam) fugir dos estilos que estavam fazendo, mas também achavam justo dignificar um pouco da nossa cultura original, foi dai que surgiu uma idéia genial: O Dzukuta.

A primeira vez que eu ouvi este termo foi com o grupo Estaka Zero, e confesso que adorei o ritmo: Uma fusão do Hip-hop( o estilo que eu gosto) com os ritmos tradicionais( que são originalmente nossos). O estilo fez sucesso, por ser “mais mexido”, e ideal para pistas de dança (quem não gosta de dançar levanta a mão… ops, eu levantei!).

Como o povo gostou da invenção dos Estaka Zero, outros músicos seguiram a idéia e começaram a se lançar várias músicas neste estilo. Dentre os que mais se envolveram neste estilo, estão o Dj Ardiles,">Ardiles," />Zico e Denny">Denny" />OG, que por mim são os que fazem maior sucesso até agora, pois o projecto Estaka Zero terminou, mas N´Star, um dos membros do grupo é outro sucesso, quando se fala de Dzukuta. Há um outro nome, que não sei se representa o mesmo estilo ou uma variante do estilo, é o Pandza.

É claro que como tudo, nem todos aderiram ao estilo, também, senão Moçambique seria o País onde todos seriam cópia de todos! Alguns até criticaram pelo facto de muitos estarem a se desviar dos seus verdadeiros estilos para o Dzukuta/Pandza, supostamente por este estilo estar a vender bem, ter mais aceitação em eventos. Como se pode ouvir nesta música.

O surgimento do Dzukuta, trouxe uma revolução na cultura de Moçambique, isso contribuiu para a revitalização de todos os estilos que estavam se perdendo( Até o Hip-Hop estava perdendo qualidade!), pois qualquer músico que deseja lançar um álbum em qualquer estilo, conta com a ‘ameaça’ do Dzukuta, e tem de trabalhar duro para ultrapassar este obstáculo. Mas o que se pode concluir é: já inventamos o nosso próprio estilo musical!

Elisio Leonardo é moçambicano, estudante de informática da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, e é autor do site mbila música de Moçambique.

Casar ou comprar esposa?

Elisio Leonardo | Elisio Leonardo, Moçambique, traços culturais | Quarta-feira, 16 Julho 2008

MOÇAMBIQUE - Vou falar hoje de um assunto que acontece com frequência por aqui, e que sinceramente, me deixa muito confuso: o lobolo.

Não conheço a definição oficial deste acto, mas pelo que já ouvi muitas vezes por aqui, lobolo é a cerimônia da passagem de uma mulher da sua família habitual, para a nova família, á do seu futuro esposo. Este tipo de cerimônia é comum por aqui, mas nem sempre é cumprida, e quando acontece, muitas vezes foge-se do contexto fundamental da cerimônia.

É costume nesta celebração, a família da mulher exigir alguns requisitos para a realização da cerimônia. Geralmente pedem-se artigos que simbolizam a tradição, como bebidas tradicionais, e o futuro esposo é responsável também pela compra do vestuário que os futuros sogros irão vestir,etc. Mas ultimamente a coisa está mudando de figura, e alguns vêm o lobolo como uma forma de tirar a barriga da miséria( ou o corpo todo)…

A idéia de escrever este artigo surgiu quando, no msn, conversava com um amigo que tinha a foto da filha no perfil. Como a filha era linda, então não perdi tempo e fiz logo um pedido de casamento. Para o meu espanto, o amigo com quem conversava( e que por pouco não se tornou meu futuro sogro), respondeu: “Quantas cabeças de boi tens?”.
Esta resposta me deixou mesmo assustado,frustrado etc. pois afinal eu queria casar e não comprar uma esposa, para fazer uma proposta daquelas!

Na verdade ele não tem culpa nenhuma, pois ultimamente é exatamente isso que acontece na nossa cultura, onde uma cerimônia linda, como o lobolo, transformou-se num negócio muito lucrativo para alguns, onde quando alguém nasce uma filha, vai logo pensando: “Quanto vou cobrar ao meu futuro genro?!”. Até ouve-se por aqui coisas tipo: “No distrito de Manica você não casa se não ter pelo menos dois bois disponíveis para pagar o lobolo”.

Este tipo de cerimônia, e este tipo de cobranças, que eu considero ilícitas não acontecem só aqui em Moçambique. São comuns em quase todo o continente Africano, mas decidi falar do nosso caso particular.

Para terminar, vou deixar a lista de artigos que geralmente são cobrados neste tipo de cerimônia e que devem obrigatoriamente ser entregues á família da noiva(senão não há casamento!):

___________________________________________

Fato,sapatos,chapéu e bengala para pai
Fato, sapato,capulana e lenço para a mãe
Fato e sapato para os irmãos
Galinhas para os antepassados
Dinheiro em notas para os tios para além dos bois que citei acima.

_______________________________________

Estes são apenas alguns (são os que o meu amigo do msn me cobrou). E variam de região para região, de cultura para cultura e das ambições e interesses de cada família…

Elisio Leonardo é moçambicano, estudante de informática da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, e é autor do site mbila música de Moçambique.

Está é a sua estréia no Descobri a Pólvora! 

Please visit WP-Admin > Options > Snap Shots and enter the key. How to find your key