MOÇAMBIQUE - Uma forma mais branda de dizer: “Blacks are not allowed” (pretos não são admitidos). Garantem-me naturais de Inhambane que até há bem pouco tempo era possível encontrar placas assim (assumidamente racistas) em alguns estabelecimentos pertença de Boers (sul-africanos brancos).
Uma capulana a adejar ao vento, numa praia em maré-baixa. Todo o Moçambique (a sua diversidade, a sua pobreza e riqueza, a sua alegria e tristeza) poderia ser representado por meia-dúzia de capulanas. Poucos objectos/coisas retratarão tão bem o país como as capulanas. 
A antiga catedral de Inhambane está bem guardada. Karl Marx na lateral e Ahmed Sékou Touré na rua que lhe passa em frente. Provocação da Frelimo, nos primeiros dias de liberdade?
Jorge Rosmaninho é alentejano, jornalista e percorre a África em busca de imagens e histórias. Além de colaborar para a Revista O Patifúndio, ele mantém o blog Africanidades.
GUINÉ-BISSAU - Três da tarde. No céu, o azul faz-se cinzento e as nuvens choram gotas de amanhã e esperança.
A música, projectada no telhado de zinco e no chão duro de terra, abafa o mundo num instante. Todo o jardim se cala para a ouvir, e eu também. De barriga para o ar, deitado na rede, vejo as palmeiras sumirem-se atrás da película baça da chuva. As flores do hibiscus, que trepa não sei bem para onde, fecham-se com temor. Até o bater do coração se suspende, aguardando que a sinfonia termine.
Em tronco nu, deixo que a brisa me balance a mim e à rede e às palmeiras e às flores do hibiscus e aos pingos da chuva, que me aspergem como fás sustenidos.
Tudo o que dói e custa na vida – a estação das chuvas é uma delas - tem um lado positivo.
Jorge Rosmaninho é alentejano, jornalista e percorre a África em busca de imagens e histórias. Além de colaborar para a Revista O Patifúndio, ele mantém o blog Africanidades.
GUINÉ BISSAU - O rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr dos carrinhos de rolamentos, serra abaixo, não é brincadeira de crianças. É o ganha-pão de miúdos guineenses, que sobem ao alto do Fouta Djalon buscar lenha, para depois vender no mercado de Mamou. Os carrinhos descem pelo alcatrão da estrada nacional competindo com carrões potentes, com motor e pneus à séria. Os 30/40 quilómetros horários da descida são adrenalina pura. Pena não ter experimentado estas máquinas roladoras!
Jorge Rosmaninho é alentejano, jornalista e percorre a África em busca de imagens e histórias. Além de colaborar para a Revista O Patifúndio, ele mantém o blog Africanidades.
GUINÉ BISSAU - O velho E., mestre de obras, é o mais antigo da empresa onde trabalha, em Bissau. E por isso tem direito à chave do velho cofre, abandonado no pátio. É lá que guarda o seu telemóvel, quando o coloca à carga. Os colegas brincam com ele e ligam no preciso momento em que o aparelho jaz fechado a sete chaves dentro do quadrado de ferro. Então E. vem a correr, desfolha nas mãos drementes as 50 chaves que traz no bolso, e, quando finalmente abre a porta, o telemóvel pára de tocar.
Uma imagem muito comum na Guiné. Em Bissau, uma das poucas (a única?) cidades capitais do mundo onde não há energia eléctrica, os guineenses aproveitam os locais de trabalho, onde existem geradores, para carregar os telemóveis.
Jorge Rosmaninho é alentejano, jornalista e percorre a África em busca de imagens e histórias. Além de colaborar para a Revista O Patifúndio, ele mantém o blog Africanidades.
GUINÉ-BISSAU - K se liche a gramateca. Impurtante é que a mensajem pace e os clientes aparessam. Com eros, com abrvturas ou de qquer outra forma.
Que Camois se escreva com “i”, como numa casa de S. Domingos, norte da Guiné-Bissau. Com “i” ou como quizermos.
Jorge Rosmaninho é alentejano, jornalista e percorre a África em busca de imagens e histórias. Além de colaborar para a Revista O Patifúndio, ele mantém o blog Africanidades