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No próximo ano lectivo…

Vanessa Mota | Portugal, Vanessa Mota, política | Domingo, 13 Julho 2008

Vagas para o acesso ao ensino superior aumentam no próximo ano lectivo. E as “oportunidades” de conhecimento também!

PORTUGAL - É absurdo as técnicas de resolução que o Ministério de Educação Português, tem colocado em prática pela melhoria da intelectualidade dos jovens portugueses, principalmente no que concerne às Matemáticas.

Esta semana, mais uma vez, foi um palco de teatro aquele que assistimos perante os resultados dos exames do 9º ano de escolaridade. Para uns, bons resultados, para outros, maus resultados, mas todos têm algo em comum, o disfarce.

Esta marcha imparável, aquela que já se denomina como falsidade educativa, só esta a fornecer aos jovens portugueses uma falsa noção de conhecimento. A estratégia foi bem simples, os exames de Matemática foram facilitados para que o número da “vergonha nacional” fosse reduzido, e talvez, para dar uma visibilidade mais qualificável do ensino em Portugal..A percentagem de negativas caiu de 72,8 por cento para 44,9 por cento, o que significa que há menos 38,3 por cento das notas negativas face à prova de 2007.

O problema está em que ao atribuírem positiva sem exigência, ao facultarem notas sem critério, Portugal, será “digno” de um povo burro que se acha muito inteligente! E assim o país continua a formar gente impreparada que o mercado de trabalho se encarregará de desempregar rapidamente, ou não, serão esses mesmos que um dia poderão governar o país..Mas desde já, e em comparação com o actual governo e as suas acções, que venha o Diabo e escolha o pior!!!

O Ministério da Educação ainda se atreve e sugere algumas explicações para esta evolução. Segundo este deve-se a um “esforço dos professores e alunos” e aos “instrumentos de apoio”. “Os alunos que agora fizeram exames trabalharam pelo segundo ano consecutivo no contexto do Plano de Acção para a Matemática”, lembra o Ministério.

Mas para os professores da disciplina existem outras razões que podem explicar o sucesso deste ano, que se traduz numa duplicação das positivas. Tanto a Associação de Professores de Matemática como a Sociedade de Professores de Matemática consideraram, no dia em que foi conhecida a prova, que o exame tinha sido o mais fácil de sempre.

A acompanhar estes “melhores” resultados, relembro que não se devem só aos exames do 9ºano de escolaridade, mas que o 12ºano também viu a sua melhoria com média nacional dos alunos internos disparar para os 14 valores (em 20).

Se a estas melhorias acrescentarmos o aumento das vagas para o acesso ao ensino superior estaremos perante uma sociedade de senhores Doutores??

Ora pois, as vagas para o ensino superior sobem para quase 51 mil, um aumento de 15 por cento comparado aos números do ano passado, no final das contas são mais 1.505 vagas. São as licenciaturas do Ensino Superior Politécnicos que registam maior subidas, ou seja, 1.166 lugares enquanto que o ensino universitário disponibilizou mais 339 vagas nas quais 151 para o curso de Medicina.

Dividindo por áreas de formação, os cursos de Ciências e Tecnologias registam a maior subida na disponibilidade de oportunidades de formação, seguido dos de Ciências Sociais. Os cursos de Humanidades, Ciências Veterinárias e a Educação registraram as descidas mais significativas.

Vanessa Mota é portuguesa, formou-se em jornalismo e cumpriu parte do curso no Brasil, por meio de um programa de mobilidade. Ela escreve todos os sábados no blog Descobri a Pólvora!

Festas e Santos Populares

Vanessa Mota | Folclore, Portugal, Vanessa Mota, traços culturais | Sábado, 05 Julho 2008

Santo António já se acabou, o São Pedro está-se acabar, São João, São João, São João, dá cá um balão para eu brincar (cantiga popular)

PORTUGAL - Esta semana fechamos o mês de Junho. O cheiro a sardinha assada fez-se sentir. Foi de louvar os lábios do sol durante esse mês, no entanto, e devido à demora em que este apareceu, nunca um beijo foi tão forte premonição de dor. Há gente que se alastra pelas ruas, como se de uma epidemia se tratasse. Escuta-se música popular. Lá ao fundo avista-se a bandeirinhas e manjericos (foto ao lado). Deambulamos pelo arraial deixando-nos arrastar pelo estado de espírito presente em massa. Ambiente contagioso. É inevitável – pensei. Afinal são os santos populares!

Junho é o mês dos santos populares. Santo António dia 13, São João a 24 e para fechar o São Pedro a 29.

A alegria paira no ar. Decoram-se largos e ruas com mastros, balões e arcos de papel às cores. Arma-se o arraial, anima-se o bailarico ao som da música popular, bebe-se vinho e comem-se sardinhas assadas. Num ambiente alegre e fortemente marcado pelo aroma agradável dos manjericos (em cujos vasos são colocadas quadras, alusivas aos Santos, que serão trocadas por casais de namorados), o tempo é de convívio, petiscos e muita animação.

Portugal veste-se de festança começando por Lisboa com o Santo António. Celebrasse com foguetes, manjericos e as marchas dos bairros antigos desfilam nessa noite pelas ruas e avenidas. O Santo casamenteiro encontra neste dia muitos pedidos através das meninas solteiras. Os seus dotes casamenteiros traduzem-se por iniciativas várias, nomeadamente as famosas “Noivas de Santo António”.

Este ambiente de euforia estende-se até ao Porto, onde se festeja o São João na noite de 23 para 24. O São João no Porto é para ser vivido na rua e o “santo” permite todos os excessos. Leva-se na mão um alho-porro e dá-se com ele na cabeça do vizinho em tom de brincadeira. Para além dos bailaricos, o fogo-de-artifício no Rio Douro é o ponto alto da noite. No meio de tanta agitação, quando tiver fome, escolha a ementa da festa: Caldo Verde, Sardinha Assada, pão e vinho tinto.

São Pedro marca o fim do mês das festas por todo o país e a alegria, porém com um cansaço já notório, é o ingrediente primordial. Estará esta tradição, como patrimônio cultural, imune ao sangue português?

Deixo-vos uma quadra popular:

Este Junho, mês tão quente
É sinónimo de folia,
É do povo, é da gente,
Trinta dias de alegria.

Dias treze, vinte e quatro
E, por fim, a vinte e nove,
Três noitadas de aparato,
Três dias de corre-corre.

Santo António é o primeiro
A trazer a gente à rua,
Santinho casamenteiro,
Juntou o Sol e a Lua.

S. João é o segundo,

Que o Cristo baptizou,
Seus feitos correram mundo,
Mesmo onde não passou.

São Pedro é o terceiro,
Que também é pescador,
Vela pelo mundo inteiro,
É do Céu o guardador.

Três noitadas tem o povo,
Neste mês para gozar,
Para o ano vai de novo
Os três santos festejar.

Mas convém não esquecer
Que tanta folia derreia,
Antes de a noite aquecer
Há que ter barriga cheia.

A sardinha está na brasa
Prontinha para assar,
Eu do frango quero a asa,
Para comer, não para voar.

Não dispenso o meu bocado,
Seja de broa ou de pão,
Já o vinho é um pecado
Que requer moderação.

Seja branco, seja tinto,
No barril não vai ficar,
Bebam já o absinto
Não vá ele evaporar.

Depois desta refeição,
A fogueira vou saltar…
Talvez seja melhor não,
Ainda me posso queimar!

Mas sempre posso cantar,
Nisso nã há-de haver perigo,
Quem ficar para escutar
Só pode ser meu amigo.

Mas a festa já lá vai,
Rompe já a madrugada,
Uma fina chuva cai,
Mas que noite bem passada!

Antes de tudo acabar
Peço só ao meu santinho,
Que quem não arranjou par
Não fique para sempre sozinho.

Que com a bênção dos santos
Todos tenham namorico,
Todos tenham a quem dar
A rima de um manjerico.

Mas tenho de pôr um fim
A este poema popular,
Espero que o prémio me calhe a mim,
Tenho fé que hei-de ganhar!

- Suspicion (Coimbra)
Vanessa Mota é portuguesa, formou-se em jornalismo e cumpriu parte do curso no Brasil, por meio de um programa de mobilidade. Ela escreve todos os sábados no blog Descobri a Pólvora!

“O esplendor de Portugal”

Vanessa Mota | Portugal, Vanessa Mota, traços culturais | Sábado, 21 Junho 2008

As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
(…)
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte

Camões, Lusíadas, Canto I.

Como diria o honrado e prestigiado poeta português Luís Vaz de Camões, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, no entanto e a propósito do passado 10 de Junho, Dia de Portugal, nem com a crise económica que se assiste no país nobre e valente deixa-se de enaltecer o ser-se português e “o esplendor de Portugal” tão bem frisado no hino nacional.

Um dia em que se lembram as comunidades portuguesas espalhadas por todo o mundo e o poeta épico Camões. Esquecem-se os dissabores e os portugueses , onde quer que se encontrem, encontram-se entre si próprios.

Na minha modesta perspectiva e portadora de um espírito nómada, o ser-se português, como um estado de espírito ou uma maneira de ser, ganha uma conotação peculiar. Faz-se deste dia um momento privilegiado de afirmação das suas raízes culturais e sente-se o país de uma forma mais passional.

Os portugueses no estrangeiro louvam o estandarte da sua afirmação cultural, com mais ou menos folclore, produções intelectuais, sardinhadas, vinho verde, chouriço ou pasteis de Belém, manifestam-se, da forma mais humilde, característica que nos define, a sua pertença ao país e à sua história.

Naveguemos pela origem deste dia. Em 1997, o Governo Democrático Português decretou que o “Dia 10 de Junho”, devia ser uma trindade. “Dia de Portugal”, “Dia de Camões” e “Dia das Comunidades Portuguesas Espalhadas pelo Mundo”. Desde aquela data, passamos a ter como patrono exclusivo o maior poeta universal da Língua Portuguesa, Luís Vaz de Camões, autor de “Os Lusíadas”, o épico imortal de Portugal. Os emigrantes aceitam de bom grado o Dia de Camões como “Dia do Emigrante Português”, pois Camões também foi emigrante durante dezessete anos, caracterizava precisamente o génio da Pátria e de Portugal na sua dimensão mais esplendorosa e genial.

Nascido entre 1517 e 1524, as informações acerca da biografia do poeta são relativamente escassas e pouco seguras, apoiando-se num número limitado de documentos e breves referências dos seus contemporâneos, morreu a 10 de Junho de 1580 em Lisboa, ao que se diz na miséria. No entanto, é difícil distinguir aquilo que é realidade, daquilo que é mito e lenda romântica, criados em torno da sua vida.

Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D.João III, conquistando fama de poeta e feitio altivo, da sua ilustre obra literária, onde consta a colectânea das Rimas (1595, obra lírica), o Auto dos Anfitriões (1587), o Auto de Filodemo (1587), o Auto de El-Rei Seleuco (1645) e a epopeia Os Lusíadas (1572) sendo a sua obra mais significativa devido à sua grandeza e universalidade.

As realizações de Portugal desde o Infante D.Henrique até a união dinástica com Espanha em 1580 são um marco na história. A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. Em suma, esta obra lírica dividida em dez cantos, exalta a conquista de Portugal na rota das Índias.

Nunca houve poeta algum que igualasse nem muito menos superasse a dedicação que Camões deu à sua pátria por meio tão próspera obra épica como são “Os Lusíadas” sendo a culminação de toda uma cultura e de uma civilização. Um Bem Haja a todos os portugueses espalhados por todos os continentes.

Vanessa Mota é portuguesa, formou-se em  jornalismo e cumpriu parte do curso no Brasil, por meio de um programa de mobilidade. Ela escreve todos os sábados no blog Descobri a Pólvora!

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