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Bon di Papiá

Emerson Santiago | Antilhas Holandesas, Emerson Santiago, História, TO NEM AÍ, linguística | Quinta-feira, 24 Julho 2008

Pequeno relato daquele que é considerado o principal escritor, poeta e
lingüista das Antilhas Holandesas: Frank Martinus Arion

TÔ NEM AÍ

Meu objetivo é tratar de Tratar de lusofonia sem abordar assuntos relacionados
a Brasil ou Portugal. Será que consigo?

ANTILHAS HOLANDESAS - Línguas servem para aproximar, mas também para isolar povos. Quando Bernard Shaw disse que Estados Unidos e Inglaterra são dois povos separados pelo mesmo idioma, não estava brincando. Aqui temos o mesmo caso. Quanto será que os países de língua portuguesa conhecem da realidade e cultura das Antilhas Holandesas? E por que deveria,  diriam alguns ingênuos, lá se usa holandês…e afinal, por que tratar de Antilhas Holandesas e de um escritor dessa região em um blog dedicado a culturas de língua portuguesa?

Muito simples de explicar. A cultura deste pequeno território caribenho que abrange dois conjuntos distintos de ilhas (barlavento e sotavento) guarda em seu idioma local um dos mais incríveis e misteriosos tesouros culturais e históricos que o ser humano já produziu. Falo do papiamento, que há cerca de cem anos é estudado e que tem uma origem eivada de polêmicas.

Durante muito tempo acreditou-se que se tratava de uma mistura confusa entre português, inglês, holandês e espanhol. Depois, pela vizinhança com países de língua espanhola e pela própria história de ocupação espanhola antes do domínio holandês, acreditou-se ser uma língua crioula derivada do espanhol. Hoje em dia, a tese dominante é de que o papiamento surgiu de uma interessante conexão entre África, Portugal e até Brasil.

Por isso considero o idioma um verdadeiro tesouro cultural…como pôde uma língua crioula de base portuguesa sobreviver num território nunca pretendido nem ocupado por portugueses, cercado de territórios de língua espanhola e sob domínio de um país de língua holandesa?

O escritor, poeta e lingüista Frank Martinus Arion (foto) explica o fenômeno. Talvez poucos podem fazê-lo melhor, sendo ele natural do próprio território, lingüista e pesquisador incansável do idioma.

Eu traduzi há um bom tempo atrás uma entrevista de Arion (na verdade, pseudônimo de Frank Efraim Martinus) à publicação “De Groener Amsterdammer” (O amsterdamês verde, em português) onde ele contava um pouco da sua trajetória e como se tornou um entusiasta da língua antilhana. Dizia ele no artigo, que anos atrás, quando Cabo Verde ainda era colônia

portuguesa e Salazar era Chefe de Estado, que foi preciso fazer uma escala em Praia durante seu vôo de Willemstad (capital das Antilhas Holandesas) até Amsterdam. E qual foi a sua surpresa em perceber que os naturais da cidade da Praia falavam a mesma língua de sua terra natal! Aquilo causou uma impressão forte e imensa curiosidade no então ainda jovem escritor.

Na verdade, o que ele descobriu foi que os caboverdianos falavam o crioulo, língua até hoje presente na cultura local. Mas, como podiam ser tão semelhantes as línguas, sendo que um território recebeu influência portuguesa e o outro holandesa? Como territórios tão distantes podiam repartir uma cultura tão semelhante?

Da pesquisa de Arion surgiram as respostas a essas intrigantes perguntas, compiladas no livro “O beijo de um escravo. Conexões Oeste-Africanas do Papiamento” (ainda sem tradução para o português), publicado em 1996. Nele, Arion relata a evolução do papiamento, surgido de uma linguagem embrionária chamada “guene” (relativo à Guiné, a imensa região africana onde hoje temos Guiné, Guiné-Bissau, Serra Leoa,Libéria…). Esta mesma linguagem embrionária, o guene, teria sido “transplantada” para as Antilhas por meio do horrendo e escabroso comércio de escravos.

A história é mais ou menos assim: ao estabelecerem comércio e domínio em inúmeros pontos da costa africana (num dado momento Portugal foi dono de praticamente toda costa da África subsaariana, com raríssimas exceções) os portugueses estabeleceram seu idioma como língua geral ou língua franca por onde passavam. Esta língua, este português simplificado, recebeu o nome de Guene; o Guene mais tarde daria origem às línguas crioulas de São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Senegal (e Aruba e Antilhas Holandesas também!)

Quando eram escravizados e jogados dentro dos horrendos navios negreiros, os africanos não tinham outra saída senão usar aquele português geral ou simplificado que aprenderam na costa africana. A língua acompanhou-os até os domínios holandeses no caribe e lá recebeu um colorido do português dos judeus recém emigrados do extinto Brasil Holandês. Pronto; com o tempo, do outro lado do Atlântico germinaria uma língua similar àquela de Cabo Verde, Guinés Bissau e Equatorial, Senegal e SãoTomé e Príncipe.

Arion é quem conta isso tudo em seu livro. Eu já o li. Outros façam agora o favor de procurar saber mais sobre ele, ler suas outras obras e apreciar o esforço que este bravíssimo escritor tem feito em promover a sua língua, o papiamento, que tem tanto a ver conosco, e nós nem nos damos conta (veja ao lado a popular ”Ave Maria”, em papiamento).

Ele foi um dos principais articuladores para que no final de 2007 o papiamento se tornasse enfim, língua oficial da Aruba e Antilhas Holandesas, ao lado do inglês e do holandês. Algo que já estava mais do que na hora, porque toda música, imprensa, quotidiano, sentimento, etc. dos antilhanos e arubenses está registrada em papiamento, e não em holandês!

Leitura: The Kiss of a Slave. Papiamentu’s West-African Connections -
Universiteit van Amsterdam, 1996; disponível apenas em inglês e holandês

Emerson Santiago é brasileiro, advogado, intérprete e tradutor de
mandarim (chinês) e é um apaixonado pelas culturas lusófonas. Ele escreve todas às quintas-feiras no blog Descobri a Pólvora!

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O Motim 1-2-3

Emerson Santiago | Emerson Santiago, História, Macau, TO NEM AÍ, política | Quinta-feira, 17 Julho 2008

A história da revolta que quase colocou fim ao domínio português sobre Macau nos anos 60

TO NEM AI - Tratar de lusofonia sem abordar assuntos relacionados a Brasil ou Portugal. Será que consigo?

MACAU - Quando o assunto é o declínio do império colonial português, logo é mencionada a guerra colonial travada nas três principais ex-colônias portuguesas na África (Guiné-Bissau, Angola e Moçambique). Fala-se também aqui e ali sobre a ocupação de Goa pelas tropas indianas, e só. Mas Macau também testemunhou um momento decisivo em 1966, o chamado ‘Motim 1-2-3′.

No Brasil, as garras do regime militar começavam a pairar sob toda a sociedade; pouco depois na França ocorreria o maio de 1968 que abalou o status quo do país. Na China, Mao Tsé Tung andava a todo vapor a promover a Revolução Cultural, uma forma de mobilizar a população do país novamente em torno de sua figura. E é na Revolução Cultural chinesa que vamos encontrar a origem deste acontecimento histórico.

Tudo começa com a velha e conhecida burocracia estatal portuguesa. Em 1966 os residentes chineses da ilha de Taipa, (uma das três divisões administrativas de Macau) esforçaram-se para obter uma licença do governo português para a construção de uma escola privada. Como não obtiveram resposta alguma da administração, iniciaram por conta própria a construção dela.

Em 15 de novembro de 1966 os trabalhadores da construção, responsáveis e demais colaboradores além de residentes simpatizantes da iniciativa e jornalistas foram violentamente perseguidos e presos. O acontecimento serviu oportunamente de pretexto para que a imprensa chinesa e grupos pró-comunistas da região atacassem o governo de Macau, de modo a sugerir este acontecimento como exemplo do mal que havia no domínio estrangeiro em toda a China.

A constante menção e debate do acontecimento serviu para que surgisse o descontentamento entre os chineses de Macau. No dia 30 de dezembro ocorre um protesto de operários, donas de casan e professores diante do palácio do governo.

Em 3 de Dezembro a situação agrava-se devido à invasão de militantes comunistas ao gabinete do governador. No caminho, frases de efeito maoístas e canções revolucionárias eram entoadas; o grupo foi expulso pela polícia, porém uma multidão já descontente com os desmandos acumulados de tempos anteriores juntou-se aos radicais.

Iniciou-se um motim no mesmo dia. Monumentos, prédios e arquivos foram vandalizados. Foi declarada lei marcial pelo governo colonial e as tropas entram em cena. Saíram mortos 11 e feridos cerca de 200 deste protesto.

O motim recebeu o nome de 1-2-3 em alusão aos dias em que se deram os protestos. O problema é que a situação na melhorou após os acontecimentos. A revolução cultural continuava a servir de inspiração para o descontentamento embora não houvessem mais manifestações. Os residentes europeus migraram para Hong Kong e Portugal.

Em 11 de dezembro uma delegação dos manifestantes liderada por Leong Pui encontrou-se com o governador, à época, o brigadeiro José Manuel de Sousa e Faro Nobre de Carvalho, que cedia às pressões dos manifestantes.

O problema é que muitos desses manifestantes estavam ligados a regiões vizinhas chinesas, como Cantão (Guangdong), e representavam na verdade interesses da China comunista. Diante de tamanho problema as autoridades portuguesas cogitaram seriamente a entrega de Macau ao governo da República Popular da China.

Curiosamente o governo comunista mostrou-se neste momento simpático aos interesses do estado novo português, contribuindo para que Macau continuasse como província portuguesa, impedindo, por exemplo a invasão do exército vermelho chinês ao território, algo que assustaria a administração inglesa de Hong Kong, sua metrópole, o Reino Unido, e seu poderoso e fiel aliado, os Estados Unidos.

Delegações de intermediários diplomáticos de ambos os lados (China e Portugal à época não tinham relações diplomáticas). Enquanto as árduas discussões e negociações entre os dois lados ocorriam, a população adotava a política dos “três nãos”: não pagar impostos, não prestar serviços ao governo e não vender produtos aos portugueses.

Tal atitude fez com que a situação do governo de Macau ficasse extremamente complicada, pois esta se via pressionada por Lisboa e pela população macaense local.

Enfim, no dia 29 de janeiro de 1967 o governo de Macau e a RPC chegaram a um acordo resultando num pedido de desculpas do governador à comunidade chinesa. Entre os items do acordo estava também atestado que Portugal abria mão da ocupação perpétua de Macau e reconhecia a soberania ”de facto” da China sob Macau (daí o termo usado durante todo o período até 1999 quando da entrega de Macau: território chinês sob administração portuguesa).

Ficava ainda proibido o apoio das autoridades de Macau aos nacionalistas chineses de Taiwan (Formosa) e qualquer tipo de asilo político a eles. Um dos principais personagens em todo o episódio foi comendador Ho Yin, que com seu controle sobre a comunidade chinesa e a sua orientação política anti-comunista foi decisivo para que Macau continuasse como território português.

Inclusive a revolta é atribuída a uma momentânea perda de controle de comendador sobre a comunidade chinesa de Macau.

FOTO - ruínas da catedral de São Paulo, em Macau

Emerson Santiago é brasileiro, advogado, professor de inglês e é um apaixonado pelas culturas lusófonas. Ele escreve todas às quintas-feiras no do blog Descobri a Pólvora!

Viva a zanfona!

Emerson Santiago | Emerson Santiago, Galiza, História, Música, linguística | Quinta-feira, 26 Junho 2008

Saiba máis sobre este instrumento musical de máis 1000 anos de idade

TÔ NEN AÍ (hoje em galego)

Meu obxetivo será tratar de lusofonia sem abordar asuntos relacionados a Brasil ou Portugal. Será que consigo?

A ideia orixinal por detrás deste artigo surxiu de unha curiosidade miña. Sou fascinado polo trobadorismo galego-portugués; na escola era o período literario que máis me cativou. Porém, em lugar algún, até mesmo aquí na internet é dificil encontrar a resposta a unha pregunta moito simples e por demáis óbvia: sendo os trobadores músicos, (eu tamém sou músico, toco viola caipira e guitarra elétrica) que instrumentos musiciais estes utilizaban?.

Pois bem, despois de moita pesquisa, comprendi cos trobadores utilizaban xeralmente catro a cinco instrumentos, saber: a viola (algo parecido con a viola braguesa, hoxe ainda existente en Portugal), o rabel (rabeca), a gaita (gaita-de-foles), o laúde (alaúde) e a zanfona.

Como todos os outros instrumentos estan relacionados a culturas diversas ou co Portugal (miña missão aquí é falar de qualquer outras culturas lusófonas, excepto Brasil o Portugal, certo?), e devida a extrema orixinalidade do instrumento e seu relativo descoñecimento, achei que merecia un artigo contando sua historia.

A zanfona surgiu lá polo século X onde hoxe é a actual Galiza. Un dos primeiros formatos era a de unha grande guitarra, coñecida como organistrum. Era tocada por duas pessoas, unha tanxia a manivela e a outra operaba as chaves no braço do instrumento. Era deveras complexo, e acreditase que as melodias tocadas eran sempre lentas (a catedral de Santiago de Compostela (Portico da Gloria) traz a figura de dois músicos tocando un organistrum).

Logo surgiu o formato definitivo, destinado a um músico apenas, e moitos dos trobadores medievais utilizaban a zanfona. Tanto é assim co instrumento viaxou con esses músicos intinerantes a diversos países da Europa, onde foi incorporado a música tradicional local. Na França recebeu o nome de ”vielle à roue” (violino de roda); no Reino Unido, recebeu o nome de ”hurdy-gurdy” (onomatopea, alegadamente referente o son estridente do instrumento, que non agradaba os naturais ingleses); na Hungria é tamém parte da música tradicional, co nome de ”tekerolant”.

O seu funcionamento é deveras simples apesar da aparencia complexa. Un disco de madeira tanxido pola manivela do instrumento percorre as cordas igual co arco do violino, e as notas son producidas por chaves que presionan as mesmas cordas apoiadas no braço.

O instrumento desfrutou de certo prestigio en toda Europa até o fin do Renacemento. Despois, entrou en declinio, sendo asociado a mendigos e traballadores rurais. Na Galiza aconteceu o mesmo, principalmente despois da unificaçon coa España, até desaparecer por completo. O único instrumento de corda da música tradicional galega seria apenas unha memória durante séculos, até que no entrado do século XX Perfecto Feijoo resucitou o instrumento, tornandoo popular novamente em terras galegas. Aliás, é de Perfecto Feijoo (con o grupo coral Aires da Terra, de sua criação) a primeira gravaçon en disco de música galega, en 1904, tocando a mesma zanfona.

Vexa tamém:

Sitio con detalles de construción da zanfona

http://vielleroue.free.fr/

Video de construción dunha zanfona (con son da mesma tocando ao fundo):

Emerson Santiago é brasileiro, advogado, professor de inglês e é um apaixonado pelas culturas lusófonas. Ele escreve todas às quintas-feiras no do blog Descobri a Pólvora!

O preço da liberdade

Emerson Santiago | Emerson Santiago, História, Personagens, São Tomé e Príncipe, TO NEM AÍ | Quinta-feira, 19 Junho 2008

A história do Rei Amador, ícone da luta de emancipação de São Tomé e Príncipe

TO NEM AÍ, por Emerson Santiago

Tratar de lusofonia sem abordar assuntos relacionados a Brasil ou Portugal. Será que consigo? 

No dia 4 de Janeiro de 2005 pela primeira vez celebrou-se em São Tomé e Príncipe, com um feriado nacional, uma figura já conhecida por todos aqueles que tiveram a oportunidade de segurar uma cédula de dobra (a moeda são-tomense) nas mãos. O feriado era dedicado ao Rei Amador, líder de uma revolta de escravos do arquipélago em 1595. O dia 4 de Janeiro marca a data de seu justiçamento pelas autoridades colonias portuguesas.

Amador foi talvez o pioneiro em todo o império português (e porque não no mundo todo?) em organizar uma revolta de escravos oriundos do tráfico negreiro promovido pelos europeus. A origem da tal revolta deve-se às condições extenuantes de trabalho demandada pelos europeus.

Pois bem, durante um ano inteiro, Amador conseguiu espalhar o caos pelas ilhas (das quais na época também faziam parte numa só esfera administrativa Ano Bom e Bioko, ambas pertencentes agora à Guiné Equatorial). Declarou-se rei do arquipelágo e ocupou efetivamente mais de metade do território.

Finalmente, no início do ano de 1596, na data já citada, foi traído por familiares e colaboradores diretos e entregue às autoridades, que o prenderam e enforcaram, dando assim origem a um mito que sobreviveu por séculos naquele país.

Quer dizer, não oficialmente, pois até o fim do domínio português naquelas ilhas, Amador era considerado um verdadeiro proscrito. Aliás, como aconteceu em várias outras paragens do império português, como por exemplo em Moçambique com Gugunhana, rei de Gaza, ou Dom Boaventura, chefe tribal timorense que se recusava a reconhecer o domínio português em sua ilha. Só com a independência de São Tomé a figura de Amador foi reabilitada e a história deste pioneiro líder negro pôde ser vista de um enfoque diferente daquele dado pelos colonizadores europeus.

Há ainda hoje uma polêmica sobre Amador e os seus seguidores, principalmnte sobre a sua alegada origem Angolar (o Angolar é o habitante da parte sul da ilha de São Tomé; mesmo sobre a própria origem dos Angolares recai um véu de mistério, pois alguns afirmam serem simplesmente escravos vindos de Angola, outros que eram escravos sobreviventes do naufrágio de um galeão e por aí vai). Aparentemente, tal origem Angolar teria sido criada por autores portugueses na década de 60. Por outro lado, algumas fontes reiteram a origem Angolar de Amador, e vão além, afirmando que o reino Angolar continuou depois de Amador, meio que clandestinamente, e que António de Almada Negreiros, pai do famoso José Almada Negreiros teria divulgado por volta de 1895 a foto de um dos sucessores de Amador, o rei Simão Andreza.

Há até mesmo quem diga que Amador é uma lenda, um líder fictício de uma revolta que ocorreu de fato. Mas, existindo ou não, é verdade que todas as nações necessitam de algum modo de tais figuras emblemáticas. Assim como no Brasil existe a figura de Zumbi dos Palmares, São Tomé teve, pelo menos cem anos antes, o seu Zumbi, um verdadeiro rei africano, tendo existido ou sendo meramente fruto da mais inventiva ficção. O preço que Amador estava disposto a pagar pela sua liberdade e de seus comandados é maior do que aquele que consta de todas as notas de dobra são-tomense emitidas até hoje com o seu perfil.

Leitura

Fernando de Macedo, Teatro do Imaginário Angolar de S.Tomé e Píncipe, Coimbra: Cena Lusófona 2000

adendo: aimagem de Amador nas notas bancárias é uma criação artística pós-colonial atribuída ao pintor Pinásio Pina, pois não existe nenhuma pintura ou gravura deste escravo do século XVI.
Emerson Santiago é brasileiro, advogado, professor de inglês e lusófono declarado. Ele escreve todas às quintas-feiras no do blog Descobri a Pólvora!

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