Bayano: o português uruguaio
Sim, caro leitor. No Uruguai também se fala português!
TÔ NEM AÍ
Meu objetivo é tratar de Tratar de lusofonia sem abordar assuntos relacionados a Brasil ou Portugal. Será que consigo?
URUGUAI - Neste artigo quero tratar dos chamados DPU (sigla de Dialectos Portugueses del Uruguay), termo criado pelos estudiosos lingüistas de Montevidéu para definir uma (ou várias, ainda não se chegou a um consenso) variante da língua portuguesa criada e desenvolvida no próprio Uruguai. Mas afinal, o que são esses dialetos? Teriam eles alguma ligação ou influência cultural brasileira? Onde se localiza tal fenômeno?
Respondo: Há cerca de 45 anos era ponto pacífico para todo intelectual uruguaio que seu país possuía uma língua e uma cultura deveras homogênea. Foi com esse espírito que o lingüista Pedro Rona resolveu envolver-se no estudo das variedades da língua espanhola falada mais ao norte de seu país. O norte do Uruguai era, na época, e ainda é, a parte digamos, um pouco mais esquecida ou mais destacada da capital, portanto, com uma realidade pouco conhecida nos grandes centros do país.
E qual foi a surpresa deste senhor ao se deparar com uma população que era na verdade bilíngüe; no trabalho, em ocasiões oficiais e cerimônias, utilizava-se o espanhol, em casa, com os amigos, parentes, família, as pessoas utilizavam uma espécie de português corrompido, com algum vocabulário espanhol. Este português não era o mesmo do Rio Grande do Sul, demonstrava ser, isso sim, um continuum, um prolongamento da língua portuguesa em terras uruguaias.
Os estudos de Alberto Elizaincin confirmaram mais tarde o tal fenômeno. Foi ele quem cunhou o termo “DPU”, até hoje preferido nos meios intelectuais. Já a população local (norte do Uruguai, regiões de Artigas, Rivera, Rio Branco e afins) refere-se ao seu falar como ”fronterizo”, ”bayano”, ”brasilero” ou até mesmo”portuñol” (não confundir com a mistura mal articulada de português e espanhol que aparece na mídia).
A conclusão é de que a área do norte do Uruguai foi historicamente palco de colonização portuguesa, e a língua manteve-se, apesar dos pesares. Equivocadamente os independentistas uruguaios, tentando forjar uma identidade hispanista diversa da brasileira, que desse plena justificação à independência de seu país, reconheceram apenas a língua espanhola como legítima representante de sua cultura em detrimento da brasileira (Timor também fez isso com relação à Indonésia, ao adotar a língua portuguesa como oficial). Assim, o norte do Uruguai foi, forçosamente, desde a independência do país, ”aculturado” em tal mentalidade.
Falar o tal “bayano” era sinônimo de condição social inferior; fazia de você um jeca dentro do Uruguai. Hoje em dia, um resgate do idioma vem sendo feito. O português é obrigatório no ensino público a partir da sexta série e aulas bilíngües, em português e espanhol, estão disponíveis na região norte do país.
As pesquisas avançam, há estudos que confirmam que dois ou até mesmo seis tipos diferentes de português são utilizados pela população do norte do Uruguai (daí o termo estar cunhado no plural). Essas variedades possuem sim, influência do português do Rio Grande do Sul, região vizinha, do Rio de Janeiro (influência das telenovelas e programação em geral de televisão) e do espanhol, variedade uruguaia. Mas, é comprovadamente, uma espécie de português cultivado e falado dentro do Uruguai, pelo seu próprio povo, e parte de sua cultura.
É interessante notar que aproximadamente um terço dos uruguaios possuem sobrenomes portugueses (exemplos: o jogador de futebol Pedro Rocha, ídolo do São Paulo na década de 70; Leandro Andrade, o artilheiro da copa de 1930 e capitão da seleção uruguaia; ou então Pedrito Ferreira, o maior artista do candombe, ritmo afro-uruguaio de raízes angolanas e brasileiras).
Emerson Santiago é brasileiro, advogado, intérprete e tradutor de
mandarim (chinês) e é um apaixonado pelas culturas lusófonas. Ele escreve todas às quintas-feiras no blog Descobri a Pólvora!











ANTILHAS HOLANDESAS - Línguas servem para aproximar, mas também para isolar povos. Quando Bernard Shaw disse que Estados Unidos e Inglaterra são dois povos separados pelo mesmo idioma, não estava brincando. Aqui temos o mesmo caso. Quanto será que os países de língua portuguesa conhecem da realidade e cultura das Antilhas Holandesas? E por que deveria, diriam alguns ingênuos, lá se usa holandês…e afinal, por que tratar de Antilhas Holandesas e de um escritor dessa região em um blog dedicado a culturas de língua portuguesa?
de procurar saber mais sobre ele, ler suas outras obras e apreciar o esforço que este bravíssimo escritor tem feito em promover a sua língua, o papiamento, que tem tanto a ver conosco, e nós nem nos damos conta (veja ao lado a popular ”Ave Maria”, em papiamento).
MACAU - Quando o assunto é o declínio do império colonial português, logo é mencionada a guerra colonial travada nas três principais ex-colônias portuguesas na África (Guiné-Bissau, Angola e Moçambique). Fala-se também aqui e ali sobre a ocupação de Goa pelas tropas indianas, e só. Mas Macau também testemunhou um momento decisivo em 1966, o chamado ‘Motim 1-2-3′.
A ideia orixinal por detrás deste artigo surxiu de unha curiosidade miña. Sou fascinado polo trobadorismo galego-portugués; na escola era o período literario que máis me cativou. Porém, em lugar algún, até mesmo aquí na internet é dificil encontrar a resposta a unha pregunta moito simples e por demáis óbvia: sendo os trobadores músicos, (eu tamém sou músico, toco viola caipira e guitarra elétrica) que instrumentos musiciais estes utilizaban?.
Logo surgiu o formato definitivo, destinado a um músico apenas, e moitos dos trobadores medievais utilizaban a zanfona. Tanto é assim co instrumento viaxou con esses músicos intinerantes a diversos países da Europa, onde foi incorporado a música tradicional local. Na França recebeu o nome de ”vielle à roue” (violino de roda); no Reino Unido, recebeu o nome de ”hurdy-gurdy” (onomatopea, alegadamente referente o son estridente do instrumento, que non agradaba os naturais ingleses); na Hungria é tamém parte da música tradicional, co nome de ”tekerolant”.
No dia 4 de Janeiro de 2005 pela primeira vez celebrou-se em São Tomé e Príncipe, com um feriado nacional, uma figura já conhecida por todos aqueles que tiveram a oportunidade de segurar uma cédula de dobra (a moeda são-tomense) nas mãos. O feriado era dedicado ao Rei Amador, líder de uma revolta de escravos do arquipélago em 1595. O dia 4 de Janeiro marca a data de seu justiçamento pelas autoridades colonias portuguesas.
Há até mesmo quem diga que Amador é uma lenda, um líder fictício de uma revolta que ocorreu de fato. Mas, existindo ou não, é verdade que todas as nações necessitam de algum modo de tais figuras emblemáticas. Assim como no Brasil existe a figura de Zumbi dos Palmares, São Tomé teve, pelo menos cem anos antes, o seu Zumbi, um verdadeiro rei africano, tendo existido ou sendo meramente fruto da mais inventiva ficção. O preço que Amador estava disposto a pagar pela sua liberdade e de seus comandados é maior do que aquele que consta de todas as notas de dobra são-tomense emitidas até hoje com o seu perfil.